Eis que venho, Senhor!

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Afirmar que o perdão de Deus é incondicional é uma grave tergiversação do Evangelho.


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Tergiversações



Afirmar que o perdão de Deus é incondicional é uma grave tergiversação do Evangelho.


Juan Manuel de Prada - 9 julho 2012 -  religionenlibertad.com


Publicou o ABC um artigo de Dom Nicolás de Arespacochaga no qual me acusava caluniosamente de «tergiversar» a «mensagem» de Jesus. Dom Nicolás,  se declara partidário de uma «flexível e tolerante» forma de entender tal «mensagem», segundo as «distintas formas de pensar, distintas educações e circunstâncias pessoais» (confissão da parte da qual o Verbo de Deus fica reduzido a uma «mensagem» que admite pluralidade de interpretações, segundo a conjuntura), considerou afirmar que o mandato evangélico de amar o inimigo é «imposível sem uma ajuda sobrenatural», constitui uma «tergiversação», porque não crê que «Jesus nos dê mandatos que não sejamos capazes de cumprir».

Naturalmente! Jesus o que faz é dar-nos a grça para que cumprir tal mandato não nos resulte imposível. Mas amar o inimigo sem a ajuda da graça resulta imposível, porque não se acha entre as tendências naturais do ser humano, que é a conservação própria, a propagação da espécie e a vida comunitária.

Amar o inimigo atenta contra tais tendências naturais; e só pode conseguir-se mediante a ajuda sobrenatural da graça, que não é -claro!- uma espécie de máquina de deus  que opere à margem de nossa natureza humana, mas um dom que atua sobre ela, curando nossa condição pecadora.

Também considera Dom Nicolás que tergiverso a «mensagem» de Jesus quando afirmo que «não pode haver perdão sem arrependimento». Para Dom Nicolás -como para Renan-, a «mensagem» de Jesus é «a maravilhosa, sublime, perfeita idéia» do «perdão incondicional, sem requisitos prévios para cumprir pela outra parte», que acharia sua expressão máxima na frase que Cristo pronuncia na Cruz: «Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem».

No entanto, nesta frase Cristo não perdoa quem o está matando, mas  intercede diante do Pai para que o faça; e essa intercesão sem dúvida rendeu seus frutos, como se percebe na exclamação arrependida do centurião.

Cristo não pediu perdão incondicional para todos os que participaram no crime do Calvário, pois isto seria inconsequente com a justiça de Deus e com a liberdade do homem. Cristo morreu para que a justiça e a misericórdia de Deus, juntas, oferecessem perdão ao homem que livremente o busque. Deus só perdoa quem se aproxima d'Ele com fá; não a uma multidão amorfa que não deseja ser perdoada.

Afirmar o contrário é portanto como sustentar que os atos humanos resultam indiferentes diante de Deus; e, portanto, que o sacrifício redentor de Cristo foi supérfluo ou estéril. Uma coisa é o amor incondicional de Deus, que se oferece no madeiro para salvação dos homens; e outra muito diferente que esse amor seja acolhido ou rechaçado por cada um de nós.

Se esse amor é rechaçado (isto é, se não há arrependimento), o homem não pode obter o perdão de Deus. Como nos recuerda José Ignacio Munilla, «a apresentação do amor incondicional de Deus no modo de um indulto geral indiscriminado não somente choca com as abundantes passagens evangélicas que falam da possibilidade real da perdição do homem, mas  tampouco combina com a imagem de um Deus que respeita a liberdade e a dignidade do homem. Sendo certo que a vontade de Deus é que todos os homens se salvem, no entanto, para isso é necessário que cada um coopere livremente, abrindo-se à graça da conversão».

Afirmar que 'o perdão de Deus é incondicional' é una grave tergiversação do Evangelho; claro que, quando o Verbo de Deus (isto é, uma pregação virtuosa) seja reduzida em uma mera «mensagem», todas as tergiversações são possíveis.

www.juanmanueldeprada.com

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Pio Moa «Se ao morrer visse que Deus existe, perguntaria porque não se fez mais evidente».


ReligionenLibertad.com

«Rezo alguma vez», confessa a Gonzalo Altozano

Pio Moa «Se ao morrer visse que Deus existe,  perguntaria porque não se fez mais evidente»

«O arrependimento é algo muito íntimo, exibi-lo é uma farsa», afirma a respeito de sua militância no Grapo (Grupos de Resistência Anti-fascista Primeiro de Outubro) .


 
  Carmelo López-Arias / ReL   -  9 julho 2012  -  religionenlibertad.com



Neste domingo passou por "Não é bom que Deus esteja só", o programa de Gonzalo Altozano na Inter-economia TV, o historiador Pio Moa. "Odiado, silenciado ou insultado, mais que criticado", disse, pois sempre denunciou que seus livros sobre a Guerra Civil não tiveram resposta de quem o censurava: "Não conseguiram rebatê-los nunca em nenhum dado importante".

Deus (porque esse é o centro do programa) e a culpa (por sua militância no Grapo) centraram perguntas e respostas.

A culpa
"Arrependes-te?", lhe espeta Altozano. "Arrepender-se é um sentimento íntimo, está fora de lugar falar dele. O que fizemos foi um enorme erro, foi completamente equivocado. E era terrorismo, mesmo que crêssemos que era luta armada".

"O problema do Grapo e dos comunistas", acrescenta, "não é como atuam mas o que perseguem. Eu deixei aquilo quando me dei conta de que o que pretendíamos era converter a Espanha em um regime carcerário. E não por um erro, mas porque o marxismo leva a isso".

Mais tarde voltaram a falar do sentimento de culpa: "A culpa, e a forma de assimilá-la, é um aspecto fundamental da psique humana", disse Moa, quem se mostrou contrário às teorias que a diluem, destruindo o sentido da responsabilidade e com ele a liberdade. "Mas o arrependimento é algo muito íntimo, exibi-lo é uma farsa", insiste, mesmo fazendo anos que pediu perdão às vítimas do Grapo: "Nossos objetivos eram monstruosos. Reconheço que foi um erro e para mim aí acaba tudo, ao menos por fuera".

Deus
"Crês em Deus?": nova volta reviravolta do entrevistador. "Não sei. Eu gostaria de dedicar tempo para pensar nessas coisas. Custa-me trabalho crer, mas há uma grande quantidade de fatos que tem que ter um sentido".

Pio considera que a educação religiosa que recebeu em sua infância e juventude -esteve nos maristas- era melhor que atualmente: "Baseava-se no catecismo, a história sagrada, algo de liturgia e história da Igreja. O que agora se ensina é uma espécie de ética progressista".

Em sua opinião, "a Igreja  tratou de modernizar-se e teve excessivo êxito em adaptar sua linguagem e ao mesmo tempo salvaguardar a base e a essência da religião".

Não é muito amante da liturgia: "Na religião  encontro mito e rito. O mito me interessa, o rito não. Mas é questão de gosto ou caráter, todo o ceremonial não me atrai".

Falando com a pessoa que revolucionou a opinião pública sobre a Guerra Civil, e em um programa sobre Deus, era obrigado perguntar-lhe se foi uma guerra de religião: "Em parte o fiue porque a esquerda a impôs como tal. Havia se proposto aniquilar a identidade católica da Espanha, e ao estalar a guerra o pôs em prática sistematicamente".

Molestaria-lhe ver uma meia lua na praça pública, mas não a cruz: "Espanha e Europa se fizeram com a cruz. Tirá-las é um sinal de barbárie".

Enquanto o catolicismo espanhol e sua condição ou não de "lastro" para a Espanha, considera que teve uma etapa muito brilhante nos séculos XVI e XVII, que depois "se petreificou e não soube dar resposta aos desafios da modernidade", mas que "e teve uma grande época, pode voltar a tê-la".

Conversão?
"Se ao morrer descobrisses que Deus existe, o que lhe dirias?", pergunta Gonzalo. Perguntaria porque não se  fez mais evidente quando estava em vida,  ou talvez não soube ver os sinais que me pôs, ou não tive capacidade para vê-los".

Quando Altozano lhe suscita o que diria para alguém que reza por sua conversão, a resposta é clara: "Agradeceria-lhe. Não me impressiona muito, mas tampouco tenho alguma coisa para opor-lhe".

"Rezas?". "Alguma vez, porque o ser humano é muito fraco, as coisas são complicadas e é difícil ver, se as consequências dos atos são boas ou más. Os sentimentos de debilidade e impotência são algumas das bases da crença em Deus".

E de alguma maneira, ao concluir o programa, Deus estava um pouco menos só.

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Na França, e pelo segundo ano: Mais de quinhentos templos se unem em 'A Noite das Igrejas'.


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Na França, e pelo segundo ano

Mais de quinhentos templos se unem em 'A Noite das Igrejas'

De cem templos participantes em 2011, a 530 em 2012: a iniciativa está pegando.


ReL -   7 julho 2012 - religionenlibertad.com


Entre as oito e as doze da noite deste sábado, 530 templos franceses manterão abertas suas portas e oferecerão um variado programa de atividades. Trata-se de uma idéia, denominada 'A Noite das Igrejas', que partiu no ano passado da revista 'Narthex' em colaboração com o Serviço Nacional de Pastoral Litúrgica e Sacramental da Igreja, e que quintuplicou seus participantes desde a centena que a secundou em 2011.

Em todos os casos se incluem missas especiais, ou adoração ao Santíssimo ou outras celebrações litúrgicas, mas sobre essa base o elenco de atividades é variadíssimo: um concerto do grupo de pop-rock 'EssentCiel' na catedral de Genebra, a projeção do filme francês de 2005 Santiago... A Meca em Avrillé, uma visita dirigida à catedral de Aire-sur-l´Adour, a iluminação da igreja de Salvador em La Rochelle, um karaokê cristão em Bailleul ou um concerto de Bach e Vivaldi em Tours.

Trata-se, segundo os organizadores, de que crentes e não crentes descubram o patrimônio cultural da Igreja francesa, e é claro  aproveitar que a noite seja um momento especialmente propício para o recolhimento, para que as igrejas estejam abertas oferecendo um lugar de oração e encontro com Deus e com os sacramentos.

Como expressou em seu momento a 'La Croix' o porta-voz da conferência episcopal francesa, Bernard Podvin, com esta experiência "a Igreja é por si própria, porque se aproxima das pessoas. Nossa identidade de católicos se expressa com esta iniciativa de acolhida".

Entre os compromissos dos participantes figuram pois "descobrir a mensagem cristã" e "respeitar o caráter sagrado dos lugares utilizados".

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Albert Camus, ateu e existencialista, pediu o batismo antes de morrer num acidente.


ReligionenLibertad.com

 Albert Camus, ateu e existencialista, pediu o batismo antes de morrer num acidente

Em quatro de janeiro de 1960, Albert Camus, morria em um acidente de carro com o sobrinho de seu editor, Michel Gallimard. Aparece agora em espanhol um documento inédito que narra a aproximação de Cristo do Nobel francês, considerado como uma referência do existencialismo.


Fernando Arnó/ReL -  4 janeiro 2010 - religionenlibertad.com


"Sou um homem desiludido e exausto. Eu perdi a fé, eu perdi a esperança. (...). É impossível viver uma vida sem sentido". Isso dizia Albert Camus, há  50 anos, em Paris, ao reverendo Howard Mumma, com quem entabulou uma profunda amizade. O nobel francês ansiava por uma trascendência que o afastasse do mundo do sem sentido, e em sua busca pôs em jogo toda a racionalidade que implantou em suas obras.

 Conversas em busca de respostas
O pai do existencialismo, um ateu não redimido, queria ser cristão? Assim é. Mumma recolheu essas conversas em um livro que agora vê a luz em castelhano: O existencialista cansado (Vozdepapel), onde trasluzem os extensos e profundos diálogos com Camus e Sartre, mostra até que ponto um existencialista cansado lutou por alcançar uma fé que lhe desse aquilo que o mundo não lhe dava.

Camus tinha inquietudes religiosas
Editado pela primeira vez em castelhano, o extraordinário testemunho de Mumma recolhe extensos e profundos diálogos com Camus, e mostra até que ponto um existencialista cansado lutou para alcançar uma fé que lhe desse aquilo que o mundo não lhe dava.

"Sou um homem desiludido"
O relato deste processo de inquietude para conhecer a resposta que oferece a fé cristã às interrogações mais profundas do ser humano, nos revela  um escritor derrotado pelo êxito e insatisfeito pela impossibilidade de encontrar na luta política pela justiça uma solução aos problemas do mundo. “Sou um homem exausto e desiludido. É impossível viver sem sentido”.

Desconcertante nele buscar o sentido da vida. As conversas de Mumma vêm precedidas por um estudo da obra literária e filosófica de Albert Camus, na qual o professor universitário José Angel Agejas percorre as distintas etapas criativas do escritor.

Uma resposta ao sentido da vida?
O mais interessante desta análise é comprovar como Albert Camus se colocou sempre de que a honestidade intelectual de sua obra literária não era uma resposta à questão do sentido da vida, mas uma reflexão em voz alta sobre a incapacidade do mundo para dar uma resposta satisfatória.

Camus não se considerava um existencialista
Camus sofreu sempre a incompreensão dos que o consideravam um existencialista, etiqueta que ele rejeitou. Sua obra não era uma defesa do absurdo da existência, mas um testemunho de que o mundo só responde com o absurdo da inquietude do coração humano para encontrar o sentido.

"Vou seguir lutando para alcançar a fé"
Do ateísmo à crença. A despedida de Mumma e Camus concluiu com a fase mais desconcertante do relato para quem segue vendo no Nobel francês como um defensor do agnosticismo: “Meu amigo, vou seguir lutando para alcançar a fé!”.

("O existencialista cansado". Howard Mumma. Edição de José Angel Agejas. Vozdepapel).


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