Eis que venho, Senhor!

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Com alegria, Senhor, faço a Vossa Vontade.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Cardeal Rouco nomeia 8 exorcistas para Madri diante da avalanche de casos de influência demoníaca.

ReligionenLibertad.com


 Cardeal Rouco nomeia  8 exorcistas para Madri  diante da avalanche de casos de influência demoníaca. Uma decisão sem precedentes na Espanha.

Alex Rosal / ReL - 23 maio 2013 - religionenlibertad.com

A decisão que acaba de tomar o cardeal Rouco de nomear  oito exorcistas para a diocese de Madri  não tem precedentes em toda Espanha e em sua história.

Sem dúvida, a grande demanda que está recebendo a arquidiocese de Madri  de seus fiéis, e de membros de outras diocese que não tem exorcistas, solicitando ajuda para libertar-se de possessões demoníacas, ou  de influencias maléficas (amarrações, magia negra de bruxas e quiromantes, mal  olhado, leitores de cartas e esoterismos vários, incluindo o reiki),   levaram o cardeal Rouco Varela a nomear, de repente, oito exorcistas para atender esta enorme avalanche de petições.

São muitas as vítimas desse mundo esotérico que cresce sem cessar diante da secularização da sociedade, apresentando sintomas cada vez mais evidentes e quantitativos de infestação demoníaca.

Escolha de exorcistas
O cardeal Rouco  escolheu  sacerdotes de seu presbitério de reta doutrina e profunda vida espiritual, que tem como missão enfrentar-se cara a cara com o diabo.

César Franco os coordena
Segundo  confirmou a 'Religión en Libertad' fontes do arcebispado de Madri, "os oitos sacerdotes confirmados pelo cardeal Rouco para o ministério de exorcistas estão em um período de formação acelerada" que coordena César Franco, um dos três bispos auxiliares de Madri.

Leituras para aprender
Como a pastoral de exorcismos não   está muito presente na Igreja na Espanha nos últimos 40 anos, não são muitos os especialistas que possam abordar conhecimentos sobre esta matéria.

Por isso, os novos exorcistas estão estudando a toda velocidade o "Ritual renovado de Exorcismos", aprovado por João Paulo II em 1998.

Alguns dos neo-exorcistas também mergulharam na leitura do antigo Ritual, o 'Rituale Romanum', que data de 1614, ou, sobretudo, do ritual de 1952, e que na opinião do Padre Amorth "é muito mais eficaz que o atual, e que continua sendo válido". O atual Ritual não revoga o anterior, que pode seguir usando  prévia solicitação do Bispo diocesano da Sede Apostólica.

Também estão lendo o livro, já clássico, do padre Gabriele Amorth "Fala um exorcista"  (Planeta+Testemunho), onde conta suas batalhas contra o diabo, através de histórias reais que  viveu na primeira pessoa ao longo de 50 anos.

O padre Amorth, religioso paulino, é há mais de 25 anos exorcista oficial do Vaticano, além de formador de 80 por cento dos exorcistas que exercem neste momento na Igreja.

Assim mesmo, outra das referências imprescindíveis dos novos exorcistas é o livro "Para libertar-se e sarar. Conselhos e orações de libertação e cura" do padre Ghislain Roy, um sacerdote canadense formado pelo padre Emiliano Tardif. O padre Ghislain é conhecido na Espanha pelos múltiplos retiros de cura e libertação que vem realizando nos últimos anos.

Por último, o recente livro de José Maria Zavala "Assim se vence o demônio" (LibrosLibres) de enorme divulgação nos dois últimos anos com quatro edições nas ruas, é outro dos suportes de formação porque narra histórias de exorcistas e de possuídos.

Um exorcista para cada Vicariato
O arcebispado de Madri está dividido territorialmente em oito vicariatos, e o cardeal Rouco Varela, diante da grande avalanche de vítimas do "mundo oculto", quer que cada um de seus vicariatos conte com um exorcista oficial.

De momento foi descartado na cúria madrilenha a instalação de um "telefone único" que possa atender as demandas só para este ministério de cura e libertação, para enquadrá-las posteriormente a um dos exorcistas.

Então, serão os fiéis que vão requerer os que terão que chamar a um desses vicariatos e solicitar uma indicação com o exorcista correspondente.

Uma equipe de psiquiatras
Os novos exorcistas também contarão com uma equipe de psiquiatras que ajudarão, em alguns casos, a discernir, diante da solicitação do sacerdote, se a pessoa em questão sofre alguma alteração psiquiátrica e, portanto, se descarta a influência maléfica.

Os exorcistas também estão obrigados a conhecer o mundo das drogas e das seitas, e os recursos disponíveis para ajudar as pessoas implicadas nestas problemáticas, muito ligadas ao satânico.

Como atua Satanás?
Os oito novos exorcistas da diocese de Madri se enfrentarão em quatro ações extraordinárias de Satanás:

1. Possessão diabólica
É a ação mais grave do demônio. É produzida quando este toma o corpo de uma pessoa, mesmo que não seja sua alma, e a faz agir sob seu controle sem que a própria pessoa possa responder com liberdade.

2. Vexação diabólica
São tormentos que não chegam a possessão. Em certas ocasiões há pessoas que apresentam alguns sintomas sem que os médicos possam dar uma resposta. Sofrem uma transformação inexplicável em sua vida, sobretudo em seus afetos, saúde, em suas relações sociais ou no trabalho.

3. Obsessão diabólica
A pessoa sofre uma série de pensamentos obsessivos e, inclusive blasfemos, sem que possa razoavelmente freá-los.

4. Infestação diabólica
Pode afetar a casa, objetos ou animais...

Poucas dioceses espanholas tem exorcista
Atualmente só  26% das 69 dioceses espanholas tem exorcistas, segundo um estudo do padre Antonio Donoro intitulado: 'Exorcismos'. Fontes e teologia do Ritual de 1952 (Toledo, 2011), e que é, até a data, a aproximação mais rigorosa e profunda que se  realizou sobre a situação do ministério de libertação nas dioceses espanholas. Por isso, a decisão que  tomou o cardeal Rouco Varela de nomear de repente oito exorcistas marca um antes e um depois dentro da Igreja na Espanha, e assinala o caminho para que todos os bispos disponham de, ao menos, um sacerdote qualificado, para poder se enfrentar  cara a cara com o diabo.

O precedente de Milão
Há poucos meses, o cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão e um dos homens de maior confiança de Bento XVI, multiplicou por dois o plantel de exorcistas de sua diocese —de 6 a 12— instalando uma central  para atender os possíveis endemoniados.

Diante da avalanche de fiéis que reclamam ajuda aos sacerdotes de Milão para discernir se tem algum tipo de infestação do demônio em suas vidas, influência ou possessão, o cardeal Scola decidiu ampliar o número de sacerdotes dedicados a esta pastoral.

Muitas petições de ajuda
Monsenhor Angelo Mascheroni, bispo auxiliar e responsável desde 1995 pelo Colégio de Exorcistas assinala em uma entrevista na web oficial da arquidiocese, que cada vez são mais as chamadas de fiéis que solicitam um nome, uma direção, um telefone e algum lugar seguro onde possam aliviar o sofrimento de algum familiar ou amigo que consideram possuído por Satanás.

Vítimas de bruxos e quiromantes
Com o aumento do esoterismo e da generalização da atividade de bruxos, quiromantes e leitores de cartas por toda Itália, as vítimas dessa magia destrutiva aumentam em toda parte.

"Por isto -disse monsenhor Mascheroni- temos ativado uma central na Cúria de segunda á sexta-feira das 14.30 às 17.00. Quem tiver necessidade pode chamar e encontrará uma pessoa que lhe indicará um contato em sua região para evitar que façam longas viagens".

Monsenhor Mascheroni assinala que o trabalho principal de seus exorcistas será o de escutar, atender com serenidade quem sofre e deixar  claro que “o Senhor sempre é mais forte que o diabo”.

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Padre José Fortea Exorcista Espanhol

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Defender a vida e a família e, ao mesmo tempo, calar diante da depauperação das condições de trabalho é esquizofrênico.


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Um pouco de doutrina social

Defender a vida e a família e, ao mesmo tempo, calar diante da depauperação das condições de trabalho é esquizofrênico.


Juan Manuel de Prada - 12 maio 2013 - religionenlibertad.com

Escrevia Chesterton que o mundo moderno tinha sido invadido pelas velhas virtudes cristãs que se tornaram loucas. A simples vista, parece tão somente uma frase eufônica; mas creio que é o diagnóstico mais certo e sintético que se pode oferecer de nossa época. As virtudes se tornam loucas quando são isoladas umas das outras, quando são desgarradas do tronco comum que lhes dá sustento. Este isolamento das virtudes podemos contemplar em toda parte: assim, por exemplo, a justiça sem misericórdia não tarda em corromper-se e tornar-se crueldade; e a misericórdia sem justiça acaba degenerando em lassidão e complacência. Se analisamos as ideologias modernas (que alguém definiu como «heresias cristãs»), comprovaremos que todas elas são produto desta desconecção das virtudes cristãs: a liberdade sem verdade, a justiça sem caridade, etc. Mas a invasão das virtudes loucas não é um fenômeno próprio somente do mundo secular, mas que estende também sua gangrena no próprio âmbito católico. Bento XVI denunciou em diversas ocasiões, referindo-se à «esquizofrenia entre a moral individual e a pública» que afeta  muitos crentes, de tal modo que «na esfera privada atuam como católicos, mas na vida pública seguem outras vias que não correspondem aos grandes valores do Evangelho».

Segundo esta esquizofrenia própria de um mundo invadido pelas velhas virtudes cristãs que se tornaram loucas, um empresário poderia ser amantíssimo esposo e pai de família e, ao mesmo tempo, defraudar a jornada de seus trabalhadores. E assim ocorre com muitos; só que quem defrauda a jornada do trabalhador acaba também enganando sua mulher e seus filhos, cedo ou tarde. Sobre este perigo já advertia João XXIII em sua encíclica 'Mater et Magistra', quando assinalava que «a doutrina social professada pela Igreja católica é algo inseparável da doutrina que a mesma ensina sobre a vida humana»;  é que, com efeito, pouco sentido teria defender a vida e a família se ao mesmo tempo não se defendesse uma concepção de trabalho que permita as pessoas criar dignamente  seus filhos. O trabalho, nos recordava João Paulo II em sua encíclica 'Laborem Exercens', é uma condição para tornar possível a fundação de uma família, já que esta exige os meios de subsistência, que o homem adquire normalmente mediante o trabalho. Defender a vida e a família e, ao mesmo tempo, calar diante da depauperação das condições de trabalho é esquizofrênico.

Nos últimos anos tenho estudado muito a doutrina social da Igreja em torno do trabalho, para descobrir que seus ensinamentos foram esquecidos inclusive pelos próprios católicos. Isto é um triunfo do mundo invadido pelas velhas virtudes cristãs que se tornaram loucas; e também uma causa evidente de que a doutrina católica sobre a vida humana se tornou ininteligível, inclusive desumana, aos olhos de muitos. Pois, certamente, resulta árduo combater por exemplo o aborto quando não se combatem as condições de trabalho indignas que para muita gente  impede  ou dificulta  ter mais filhos. Escrevia João Paulo II em sua encíclica 'Centesimus Annus': «A obrigação de ganhar o pão com o suor do próprio rosto supõe, ao mesmo tempo, um direito. Uma sociedade em que estes direitos são negados sistematicamente e as medidas de política econômica não permitam aos trabalhadores alcançar níveis satisfatórios de ocupação não pode conseguir sua legitimação ética nem a justa paz social. Assim como a pessoa se realiza plenamente na livre doação de si mesma,  também a propriedade se justifica moralmente quando cria, nos devidos modos e circunstâncias, oportunidades de trabalho e crescimento humano para todos».

O próprio João Paulo II, em 'Laborem Exercens', recordava que é obrigação dos cristãos «recordar sempre a dignidade e os direitos dos homens do trabalho, denunciar as situações em   que se violam os ditos direitos e contribuir para orientar estas mudanças para que se realize um autêntico progresso do homem e da sociedade». E acrescentava que a maior verificação de sua fidelidade a Cristo a mostra o cristão em seu compromisso com os pobres, que «aparecem em muitos casos como resultado da violação da dignidade do trabalho humano: bem seja porque se limitam as possibilidades de trabalho -ou seja, pela praga do desemprego-, ou porque se depreciam o trabalho e os direitos que fluem do mesmo, especialmente o direito ao justo salário, a   segurança da pessoa do trabalhador e de sua família».

Quem tenha ouvidos para ouvir que ouça.

©XLSemanal


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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Escrevia Chesterton que, com frequência, as ideias novas não são senão o disfarce com o qual se nos apresentam os velhos erros de sempre.


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Corpo


Juan Manuel de Prada


Contra esta ideia tão velha de considerar o corpo um cárcere em  que jazemos prostrados, em espera de uma libertação definitiva, se considerou o cristianismo, com uma ideia nova, escandalosa e subversiva.

Juan Manuel de Prada - 29 abril 2013 -religionenlibertad.com

Escrevia Chesterton que, com frequência, as ideias novas não são senão o disfarce com o qual se nos apresentam os velhos erros de sempre.

Poucas vezes eu tive consciência da verdade desta afirmação como quando lendo ma interessantíssima entrevista de Judith de Jorge a Kevin Warwick, professor da Universidade de Reading, um visionário da cibernética que   chegou a se implantar  chip  em seu próprio corpo, obtendo resultados em verdade, inauditos: assim, por exemplo, conseguiu conectar seu cérebro com o computador de um edifício inteligente; e também mover de  Nova York um braço elétrico que estava na Inglaterra, através dos impulsos elétricos de neurônios. Além disso, Warwick   conseguiu -sempre mediante o implante de chip- manter conectado seu cérebro ao de sua mulher e enviar sinais de um sistema nervoso ao outro; a experiência  descreve o cientista como «algo muito íntimo, inclusive mais que o sexo», e assegura que «este tipo de comunicação, cérebro a cérebro através do pensamento, será o que existirá no futuro», pois considera que as formas de comunicação entre humanos que na atualidade existem através da linguagem ou do contacto físico são de uma pobreza «vergonhosa».

Warwick conclui com uma proclamação: «O corpo humano é um grande problema. Já não o necessitamos. Se pudéssemos desfazer-nos dele, poderíamos viver muito mais tempo».

É a mesma proclamação que lançaram, desde que o mundo é mundo, todas as religiões 'espiritualistas', começando pelas gnósticas: nosso corpo, nossa carne doente, este mísero barro de  que somos feitos, exposto à decrepitude e às debilidades, é um lastro de que logo nos veremos livres, para alcançar uma vida mais plena em um mais além em que nosso espírito, libertado de tão pesado fardo, alcance a perfeição divina.

Naturalmente, muda o modo de expressar este desejo: o espiritualista de antanho falava de alma ou espírito, o materialista de hoje fala de cérebro ou impulsos elétricos dos neurônios; o espiritualista de antanho se referia a um 'mais além' que residia na vida do além túmulo, o materialista de hoje se refere a um futuro de que poderemos desfrutar nesta vida; o espiritualista de antanho situava a plenitude na fusão de seu espírito com Deus, o materialista de hoje pensa que o homem   -o seu cérebro impulsionado por implantes cibernéticos- é Deus.
Mas o erro  é exatamente o mesmo: o mal e a perdição estão ligados ao corpo; a salvação está ligada a uma experiência interna (do espírito, segundo o gnosticismo de antanho; do cérebro, segundo o materialismo de hoje).
Naturalmente, o mal e a perdição estavam associados no passado  ao pecado; hoje o mal e a perdição se associam melhor a decrepitude, a enfermidade, inclusive às limitações de nossas pobres e vergonhosas ´formas de comunicação´. Porém sempre é o corpo o problema  que convém se desfazer. É o velho erro disfarçado com roupagens novas, para simular uma ideia nova.

Contra esta ideia tão velha de considerar o corpo um cárcere em que jazemos prostrados, em espera de uma libertação definitiva, se elevou ao cristianismo, com uma ideia nova, escandalosa e subversiva.

Nosso corpo, tão tentado pelas debilidades, tão açoitado pelos padecimentos e pelos achaques, deixa de ser um fardo vergonhoso que nos separa de uma vida mais plena, para converter-se em recipiente da divindade; nosso corpo, cujo destino aparente é a morte, se faz partícipe da natureza divina, aprendendo que esse destino é uma mera miragem, um transe para outra vida mais plena, que já não consistirá na emancipação do espírito (ou do cérebro), mas na glorificação da carne, convocada à ressurreição.

Quando São Paulo falou no Areópago, todas suas ideias sobre a divindade foram facilmente digeridas pelos sábios de Atenas que o escutaram (como poderia tê-las digerido sem dificuldade Warwick, se em lugar de Deus tivesse falado São Paulo do cérebro ou dos impulsos elétricos dos neurônios); o que na verdade escandaliza e encrespa os sábios de Atenas é que,   nessa viajem até a plenitude, São Paulo não considera o corpo um ´problema´ de que convém se desfazer, mas que o exalte até convertê-lo no recipiente necessário de tal plenitude.

O corpo, com todas suas rugas, flacidez, cólicas de rim, deficiências cárdio-respiratórias, mal humores, secreções e excrementos; o corpo que se lastima, que treme, que vibra de gozo e de dor, que  apodrece e  morre. E que, no entanto,   nasceu para a glória. Isto sim é que é uma ideia nova.

©XLSemanal

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