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Juan Manuel de Prada fala de «A morte me achará» «Uma Espanha que pode ter sido claramente católica se converteu em farisaicamente católica»
Sua última novela, ambientada na Divisão Azul e nos anos cinquenta, aborda a progressiva degradação moral quando se desvanecem os princípios.
Carmelo Lopez-Arias/ReL-26 novembro 2012-religionenlibertad.com
Juan Manuel de Prada regressou à novela cinco anos depois com uma história poderosa. A meio caminho entre o gênero negro, o sub-gênero de representação de personalidades e o drama moral, "A morte me achará" (Destino) retrata a um homem que se alista em 1942 na Divisão Azul, é capturado e passa treze anos em um campo de concentração. Quando regressa em 1954 entre os repatriados de Semíramis, a Espanha está mudada, mudou as circunstâncias pessoais que esperava encontrar à sua volta e, sobretudo, ele mudou.
O protagonista de "A morte me achará" vai submergindo no mal quase sem perceber. É uma advertência ao leitor do que pode suceder a ele também?
Quando escrevo minha intenção é moral, mas não moralizante. Então não é uma advertência nesse sentido. O escritor só mostra o que tem que dizer através de seus personagens, e estes são complexos. Mas sim eu quis chamar a atenção sobre a necessidade de que submetamos à juízo nossa conduta, e de que o guia de nossas ações seja um princípio moral.
Isso é o que falta a Antônio…
Antônio não é mal, mas sim considera que se pode contornar o problema do mal, e que em consequência pode se cometer más ações para obter algo proveitoso.
O curioso é que essa vis amoral não explode na guerra, cenário teoricamente ótimo para o mal, mas na vida cotidiana do regresso...
É que antes de se alistar na Divisão Azul ele é simplesmente um velhaco que busca a sobrevivência. No seu regresso é algo mais.
Sente a ganância e o desejo de alcançar coisas que não tem mais que ver com sobreviver. O que antes era um estado de necessidade se substitui pela premeditação e o cálculo.
Peca pelo mesmo motivo o homem contemporâneo?
Antônio, ao menos, passou por uma experiência devastadora: Rússia, a guerra e os longos anos de cativeiro. O mal de hoje é outro: o grande drama de nossa época é o obscurecimento da consciência, o relegamento da moralidade das decisões por causa de um suposto bem.
Antônio: um personagem capaz de assumir duas personalidades... e de arruinar ambas. O sentimento de culpa está muito presente em toda sua obra... É que a culpa é um grande tema literário, mesmo que agora esteja más ignorado. Nesse sentido sou um escritor fora de seu tempo: hoje na literatura não se suscita isto, mas o prêmio que reflete o mal, em vez da culpa ou o sentimento de responsabilidade, que no entanto são consubstanciais à vida e à experiência.
E por que sua inquietude por essa questão?
Não poderia explicar. Nasce de minha consideração do humano.
Dostoievski frequentaba esses temas...
A obra de Dostoievski sempre me interessou muito, ainda que a minha é, obviamente, mais leve.
Por que seguimos vinculados à ideias como a culpa, o pecado ou a expiação, se cada vez somos mais relativistas e nihilistas?
É algo que não se pode apagar: a capacidade de julgar moralmente as ações está por naturaleza em nós. Na cultura contemporânea há, no entanto, um esforço consciente e consciencioso para apagar de nós essa capacidade e que nossa ação se guie pela conveniência ou a utilidade.
Você conseguiu?
Teríamos que deter-nos para ver e realçar. Depois, as últimas gerações, que têm conceitos morais muito desfocados, quando lhes põe à luz estas questões lhes produzem uma irritação intensa, raiva e tensão. Sem os freios morais que dava a religião, este tipo de censuras não tem sentido.
E se não há Deus, onde está a esperança dp perdão?
Se desfocas uma coisa, desfocas tudo. Arruinando nossa capacidade de julgar moralmente, se busca que nossas ações não nos deixem nenhum tipo de remorso, que não sintamos a necessidade de prestar contas diante de ninguém, e menos ainda diante de Deus.
Passamos di farisaísmo ao relaxamento, e nos cremos estupendos...
É uma consequência do puritanismo: não querer reconhecer que nossa natureza está caída e tocada pelo mal, e portanto aberta à redenção, chegamos a pensar que não necessitamos de redenção porque somos bons. Isto leva à uma tensão extraordinária, porque o homem se crê virtuoso até o limite, mas como na realidade isso é impossível, o passo seguinte é dizer que o mal está bem.
Por que o chama de puritanismo?
É o virus que o protestantismo insere na Cristandade. Afirmamos que vamos ser mais virtuosos que ninguém, mas como na realidade não o somos, acabamos afirmando que nossa falta de virtude não é tanta.
Na época de "A morte me achará" ainda não era assim. Um aborto, por exemplo, era o que é: matar uma criança. Como se situam os leitores diante da duplicidade do protagonista?
A reação de alguns leitores é curiosa. À princípio, Antônio lhes suscita simpatia porque seus crimes, menores, os perpetra para sobreviver. Depois lhes resulta mais difícil essa simpatia, e resistem a aceitar tudo o que termina fazendo. É, pois, uma simpatia incômoda para o leitor, que se enamora de um personagem que é como nós: não é mal, mas se deixa invadir pela maldade. Estou satisfeito de ter criado essa incomodação no leitor.
Por que?
É uma técnica arriscada, porque põe à prova o leitor, e eu gosto de colocá-lo diante de situações difíceis. A Divisão Azul se prestava à isso. São pessoas que se comportaram nobremente e com heroísmo, mas também com lealdade a Hitler. Pessoas que servem um criminoso podem não sê-lo...! Parece-me um tema muito apaixonante. Além de que o cativeiro da divisão na Rússia durante tantos anos justificasse o mecanismo narrativo da novela, como cartada perfeita para uma representação de personalidade.
Você é duro na novela ao julgar essa época de meados dos anos cinquenta...
A verdade é que me apetecia escrever sobre essa época, que é uma época cheia de interesse, de grandes transformações sociais, de grande ebulição em todos as ordens: social, cultural, política... Há uma espécie de onda de muitas coisas. E uma Espanha que pode ter sido claramente católica se converteu em farisaicamente católica, semente do que explodirá depois na democracia.
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Guy Sigsworth, produtor de Madona ou Björk, lançou um disco de Santa Hildegarda de Binguen que compôs quase oitenta peças de qualidade.
«Não estudei um compositor contemporâneo que tenha canções com uma qualidade musical tão impressionante», disse a compositora que o assessora.
Sara Martin / ReL - 31 outubro 2012 - religionenlibertad.com
Compartilhar os mais altos postos nos mais vendidos da música é um sonho para muitos. Mas seguramente não o era para Hildegarda de Binguen, compositora de quase oitenta peças musicais de extraordinária qualidade musical em princípios do segundo milênio.
Santa Hildegarda de Binguen (1098-1179), doutora da Igreja. Mais de oito séculos depois, Guy Sigsworth, músico de formação clássica e produtor conhecido por trabalhar com artistas como Madona, Alanis Morissette, Britney Spears ou Björk, se fixou um dia nela.
Fascinaram-lhe as composições musicais delicadas e harmônicas que refletiam a extraordinária formação em todos os níveis da religiosa beneditina.
Sigsworth lançará o álbum Hildegard através da produtora Decca e os especialistas da indústria já predizem que se converterá em um êxito nas listas de vendas. O produtor trabalhou neste projeto com Stevie Wishart, uma compositora e acadêmica especializada em música medieval que há alguns anos era uma apaixonada pelas composições de Hildegarda.
Wishart foi a encarregada de adaptar textos antigos da música e de encontrar cantoras aptas para poder expressar todo o potencial das composições da religiosa beneditina: "As canções de Hildegarda têm uma espécie de universalidade. É fantástica para cantar [...]
Nunca estudei um compositor contemporâneo que tenha canções com uma qualidade musical tão impressionante".
«Tenho a estranha sensação de que este disco poderia converter-se em um sucesso»
Sua música já havia sido gravada anteriormente, mas esta é a primeira vez que foi produzida com um toque moderno e com tecnologia mais avançada. Geoffrey Norris, crítico de música clássica do 'The Telegraph' assegurou que «talvez não seja do agrado dos puristas, mas o disco evoca uma atmosfera hipnótica. Tenho a estranha sensação de que este disco poderia converter-se num sucesso».
A produtora Decca também tem grandes esperanças para este projeto. Eles asseguram que «não é simplesmente uma gravação de música medieval»: «Além das peças originais de Hildegard, o álbum também conta com novas composições de texto da religiosa combinadas com peças musicais de Sigsworth, tudo realizado por Stevie Wishart, que criou remixes de ambiente assombrosos».
Uma obra singular, mostra da extraordinária amplitude de conhecimentos de Santa Hildegarda de Binguen. Uma mulher extraordinária para seu tempo
Hildegarda de Bingen é uma das mulheres santas mais extraordinárias do final da Idade Média (a Baixa Idade Média), mesmo possivelmente com uma história bastante desconhecida.
Nasceu no ano de 1098 (um ano antes de que os cruzados conquistassem Jerusalém) em Bermersheim -hoje em dia Alemanha- em uma família de ascendência aristocrática. Foi a décima de dez irmãos e estava destinada à vida religiosa segundo a mentalidade da época.
No entanto, não foi algo forçado: desde os três anos a religiosa teve visões e a partir dos quarenta anos recebeu a ordem de colocá-las por escrito (a obra se chama Scivias) apesar de suas reticências, que inclusive a levaram a pedir conselho por escrito a São Bernardo de Claraval, contemporâneo seu, em uma carta que se conserva até hoje.
Santa Hildegarda foi uma pessoa de muitas facetas e instruída que não só foi escritora, mas também poetisa, conselheira política, profeta e, o motivo desta notícia, compositora. Suas setenta e oito obras se agruparam na 'Symphonia armonie celestium revelationum' (Sinfonia da harmonia das revelações celestes).
Após morrer, o papa Gregório IX iniciou seu processo de canonização, que foi culminado precisamente este ano por Bento XVI, ao ser proclamada santa em maio mediante um processo de canonização extraordinário (a saber, sem ter passado pelo procedimento ordinário da canonização formal, dado que a veneração ao santo foi realizada do antigo e de forma contínua pela Igreja) e em setembro também Doutora da Igreja junto com São João da Cruz de Ávila. Tudo um ícone que não desfigura nem um ápice frente aos de nossos tempos.
Eis aqui um exemplo da extraordinária música de Santa Hildegarda.
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2 de novembro de 2012 - Festas de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos
A Festa dos Fiéis Defuntos, e antes foi a de Todos os Santos, são
dois dias em que Deus nos abre as portas do Céu para que olhemos com esperança.
ARTIGO SOBRE A EXISTÊNCIA DO CÉU, E DO PURGATÓRIO
Nós desfrutamos de duas festas com uma alegria que nos leva até as lágrimas. É que nos unimos a todas as almas que estão no Céu com o Senhor!
E a maravilha é que assim vemos unidos a nós não só os santos que conhecemos, mas também a todos os familiares e amigos nossos que tenham a Graça de já estar na Presença de nosso Deus. Pessoas simples, esquecidas talvez pelo mundo, mas que gozam a companhia de nosso Deus tão amado. É um dia de Graça porque o Céu quer que elevemos nosso olhar e vejamos a Glória que nos chama, que nos convida, que é a Santidade a que Deus espera que nos elevemos.
A Misericórdia de Deus é a que estende a ponte para a nossa glorificação, pelos méritos ganhados na Cruz naquele dia no Gólgota. Jesus comprou essa Misericórdia do Pai, e hoje Ele é o Senhor da Misericórdia e nos chama, nos espera.
E no dia seguinte, uma formosa festa que também nos emociona até as lágrimas, a festa de nossos fiéis defuntos, aqueles que ainda estão no Purgatório, purificando-se para entrar no Reino prometido. São almas benditas, porque já estão salvas, e o sabem. Só que primeiro devem terminar de purificar-se para poder enfrentar a visão Beatífica daquele diante do qual até os anjos se ajoelham em Sua Presença. Elas necessitam mais que nunca de nossa ajuda com orações e Missas, para encurtar essa purificação.
Com esta imensa alegria na alma, compartilhamos com vocês este texto que explica em palavras simples, as realidades do Céu e Purgatório, as realidades de nosso destino de Glória. Também aqui explicamos a realidade do inferno tão temido, realidade que não se oculta porque é parte de nossa fé como membros da Igreja.
As Benditas Almas do Purgatório
Muita gente se pergunta sobre o sentido que tem a existência do Purgatório, dentro do Plano de Deus. Na realidade, a existência do Purgatório é a consequência natural de vários fatores que Deus introduziu quando, fazendo uso de Sua Onipotência Criadora, deu forma final ao homem como ponto máximo de Sua Obra.
Em primeiro lugar, Deus fez o homem à Sua imagem e semelhança em muitos aspectos, um dos quais e talvez i central, é ter-lhe dado uma vontade própria. A Vontade de Deus, Seu Fiat Criador, fez o mundo, e assim Deus quis que também o homem tivesse sua própria vontade, como Ele a tem. Naturalmente que isto dá origem ao livre arbítrio que todos temos, porta aberta de nossa liberdade de optar entre o bem e o mal.
Como consequência desta liberdade que Deus nos dá, surgem a Misericórdia e a Justiça Divinas, as quais não podem ser vistas separadamente, nunca, porque se complementam e unem. Deus é infinitamente Misericordioso, mas também é infinitamente Justo.
A Misericórdia de Deus se reflete, deste modo, em Sua infinita capacidade de perdoar-nos, se nos arrependemos, e também no Amor que Ele derrama sobre o mundo todo o tempo, tratando de salvar-nos. A Cruz é o ponto máximo da Misericórdia de Deus Pai para Nós, através da qual entregou a Vida de Seu Filho Amado, por nossa salvação. E também é um ato de infinita Misericórdia o Pentecostes, através do qual Deus nos enviou Seu Santo Espírito para que nos guie e inspire, como membros de Sua Santa Igreja.
Mas, sem a Justiça Divina, a Misericórdia estaria incompleta. Deus deve diferenciar aos justos, aqueles que lhe são fiéis, daqueles que fazendo uso de seu livre arbítrio, optaram pelo caminho da escuridão. Exercer a Justiça Divina é motivo de tremenda dor para Deus, porque Ele prefere que os homens se salvem todos, e não ter que exercer a Sua Justiça. Mas, não é Ele que nos condena, mas somos nós que nos afastamos d'Ele e de Sua promessa do Reino, o rechaçamos. Se entregamos nossa vontade a Deus, fazendo o que Ele deseja e não o que nós desejamos, nos unimos a Ele e Seu Amor.
Em troca, se tomamos o caminho da soberba, e acreditando-nos um deus rechaçamos o que Deus espera de nós, fazendo nossa própria vontade, nos afastamos do Amor e nos sujeitamos à Justiça do Criador. A Justiça Divina, deste modo, é necessária para poder diferenciar o distinto uso que as almas fazem do livre arbítrio que Deus dá como Dom supremo.
O Céu e o inferno
Postas assim as coisas, temos nosso livre arbítrio, reflexo de poder exercer nossa própria vontade, e também temos a Misericórdia e a Justiça de Deus, em um balanço perfeito. Deus fez então um lugar de infinito e eterno prêmio para aqueles que, fazendo uso de sua vontade, são fiéis e amam a Deus, amando os semelhantes como a si mesmos. Quem completa o círculo do amor e a entrega da própria vontade aos desejos de Deus, chega depois desta vida passageira ao Reino Eterno, a gozar das delícias de Deus junto aos santos e os anjos, e claro junto à Virgem Santíssima.(continua)
Autor Oscar Schmidt - www.reinadelcielo.org
http://www.benditasalmas.org/interna_contenido.php?id=16

ACIPRENSA.com
A fé nasce na Igreja Católica, disse o Papa Bento XVI
VATICANO, 31 Out. 12 / 10:18 am (ACI/EWTN Notícias).- Continuando com suas catequeses pelo Ano da Fé na Praça de São Pedro no Vaticano, o Papa Bento XVI ressaltou que a fé nasce na Igreja Católica, "conduz a ela e vive nela".
Diante de milhares de fiéis reunidos para a audiência geral de hoje, o Papa prosseguiu suas reflexões a partir de algumas perguntas: "a fé tem um caráter só pessoal e individual? Interessa só à minha pessoa? Vivo minha fé por minha conta?".
Sendo "o ato de fé um ato eminentemente pessoal, que tem lugar no mais profundo de meu ser e que marca uma mudança de direção, uma conversão pessoal: é minha vida que recebe uma mudança de rota", o Papa disse que "a fé nasce na Igreja, conduz à ela e vive nela. Isto é importante recordar".
"Na liturgia do Batismo, no momento das promessas, o celebrante pede para manifestar a fé católica e formula três perguntas: Credes em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra?; Credes em Jesus Cristo? e, por último, Credes no Espírito Santo? Antigamente, estas perguntas se dirigiam pessoalmente ao que ia receber o Batismo, antes de submergir três vezes na água. E ainda hoje, a resposta é no singular: ‘Creio’".
Porém isto, precisou o Santo Padre, "não é o resultado de minha reflexão solitária, não é produto de meu pensamento, mas é o resultado de uma relação, de um diálogo em que há um ouvir, um receber e uma resposta, é a ação de comunicar com Jesus o que me faz sair de meu ‘eu’, encerrado em mim mesmo, para abrir-me ao amor de Deus Pai".
"É como um renascer, em que me encontro unido não só a Jesus, mas também a todos aqueles que tem caminhado e caminham pelo mesmo caminho, e este novo nascimento, que começa com o Batismo, continua ao longo de toda a vida".
O Papa explicou que o crente não pode construir sua "fé pessoal em um diálogo privado com Jesus, porque Deus me doa a fé através de uma comunidade crente, que é a Igreja e me insere em uma multidão de crentes, em uma comunhão, que não é só sociológica, mas que tem suas raízes no amor eterno de Deus, que em Si mesmo é comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, é Amor trinitário".
"Nossa fé é verdadeiramente pessoal, só é comunitária: pode ser minha fé, só se vive e se move no ‘nós’ da Igreja, só é nossa fé, a fé da única Igreja", precisou.
"Nos domingos, na Santa Missa, rezando o Credo, nos expressamos na primeira pessoa, mas confessamos comunitariamente a única fé da Igreja. Esse ‘creio"’ pronunciado de forma individual, nos une a um imenso coro no tempo e no espaço, em que cada um contribui, por dizer assm, a uma polifonia harmoniosa na fé".
O Catecismo da Igreja Católica, prosseguiu o Papa, "o resume claramente assim: ‘Crer’ é um ato eclesial. A fé da Igreja precede, engendra, conduz e alimenta nossa fé. A Igreja é a Mãe de todos os crentes. ‘Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tem a Igreja por Mãe’".
Após recordar os inícios da Igreja com os Apóstolos que anunciaram o Reino de Deus superando o medo, o Papa sublinhou que "a Igreja, portanto, desde o princípio, é o lugar da fé, o lugar da transmissão da fé, o lugar em que, mediante o Batismo, estamos imersos no Mistério Pascal da Morte e Ressurreição de Cristo, que nos liberta da escravidão do pecado, nos dá a liberdade de filhos e nos leva à comunhão com o Deus Trinitário".
Bento XVI se referiu depois à Tradição, que é "uma corrente sem interrupção da vida da Igreja, do anúncio da Palavra de Deus, do celebrar dos Sacramentos, que chega até nós".
A Tradição, disse, "nos dá a segurança de que o que cremos é a mensagem original de Cristo, pregada pelos Apóstolos. O núcleo primordial do anúncio é o acontecimento da Morte e Ressurreição do Senhor, de onde mana todo o patrimônio da fé".
Recordando algumas pasagens do Concílio Vaticano II, o Papa explicou que "se as Sagradas Escrituras contém a Palavra de Deus, a Tradição da Igreja a conserva e a transmite fielmente, para que os homens de todas as épocas tenham acesso aos seus vastos recursos e possam enriquecer-se com seus tesouros de graça".
O Santo Padre destacou depois que é "na comunidade eclesial que a fé pessoal cresce e amadurece". "Isto vale também para nós: um cristão que se deixa guiar e pouco a pouco configurar pela fé da Igreja, apesar de suas debilidades, suas limitações e suas dificuldades, se converte em uma janela aberta à luz do Deus vivo, que recebe esta luz e a transmite ao mundo", acrescentou.
"A tendência, hoje generalizada, de relegar a fé ao âmbito privado contradiz sua própria natureza. Temos necessidade da Igreja para confirmar nossa fé e experimentar juntos os dons de Deus: sua Palavra, os Sacramentos, a sustentação da graça e o testemunho do amor. Assim nosso ‘eu’ no 'nós' da Igreja poderá perceber-se, ao mesmo tempo, destinatário e protagonista de um acontecimento que o sobrepassa: a experiência da comunhão com Deus, que estabelece a comunhão entre os homens".
Para concluir o Papa Bento XVI disse que "num mundo onde o individualismo parece regular as relações entre as pessoas, fazendo-as cada vez mais frágeis, a fé nos chama a ser Igreja, portadores do amor e da comunhão de Deus para toda a humanidade".
Fonte: http://www.aciprensa.com/noticias/la-fe-nace-en-la-iglesia-
catolica-dice-el-papa-benedicto-xvi-68756/#.UJKvcLHBHcg