Eis que venho, Senhor!

Eis que venho, Senhor!
Com alegria, Senhor, faço a Vossa Vontade.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Interpretou um padre exorcista em «O rito» - Anthony Hopkins «Deixei de ser ateu»



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Interpretou um padre exorcista em «O rito» - Anthony Hopkins «Deixei de ser ateu»

O jornal francês 'Le Figaro' entrevistou o conhecido ator que  explica sua experiência religiosa.

Luis Antequera/ReL - 10 marzo 2011 -  religionenlibertad.com


Na ocasião de sua interpretação no filme “O rito”, no qual encarna um sacerdote exorcista ao qual assaltam as dúvidas sobre sua própria fé, o diário francês 'Le Figaro' entrevistou o grande ator britânico protagonista de “O silêncio dos cordeiros”.

“Às vezes não sei se creio em Deus ou em Papai Noel” responde com piada, enquanto se recorda de um padre que conheceu na Inglaterra há vinte cinco anos, de quem se fez amigo, o qual lhe confessava ter perdido a fé. Tanto, que abandonou o sacerdócio e se converteu em um afamado psiquiatra com consulta em uma das melhores ruas de Londres.

No entanto, perguntado sobre sua própria fé, Hopkins adota um tom grave e responde: “Eu guerreei muito. Minha luta contra o álcool me  deixou marcas. Um dia recebi algo assim como um golpe na cabeça proveniente de alguém que tentava sacudir-me. Foi uma revelação. Isso mudou o curso de minha vida. Deixei de ser ateu. Olhe, tampouco me  converti em um santo! Em todo caso, como resposta à sua questão, sim, eu creio em Deus. Creio em algo mais poderoso, muito mais vasto que nossas pobres pessoas”.

Perguntado também sobre o diabo contra o qual tem que lutar na película em sua qualidade de exorcista, Hopkins responde: “Para mim o diabo, o mal, se encarna em todos os dogmatismos. De Hitler a Ceaucescu passando por Stalin, o paizinho dos povos... Todos aqueles que dizem que não existe mais que uma verdade, a sua, são uma porta aberta ao mal”.


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terça-feira, 19 de junho de 2012

De pai mussulmano, se batizou em 2001 e já é sacerdote.


ReligionenLibertad.com

Ordenado neste sábado

De pai mussulmano, se batizou em 2001 e já é sacerdote

Nur Nassar disse hoje sua primeira missa no povoado que lhe viu crescer em circunstâncias pouco frequentes.


 Rel - 17 junio 2012 -  religionenlibertad.com


Neste sábado foi ordenado sacerdote na catedral de Novara o jovem italiano Nur Nassar, de 31 anos, que dirá hoje sua primeira missa no povoado onde nasceu, Domodossola, uma pequena localidade de 18.000 habitantes próxima à fronteira suíça onde vivem seus pais e seus dois irmãos.

E o fará na paróquia onde se batizou há onze anos, em 2001, quando tinha vinte e poucos anos. Seu caso é um pouco particular, e daí que o tenham recolhido diversos diários transalpinos.

Os pais de Nur se conheceram em 1976 durante um encontro juvenil para fomentar a interculturalidade. Ele, Adel Nassar, era egípcio e mussulmano; ela, Inês Rovereti, italiana e católica. Casaram-se na Igreja, mas não educaram seus filhos em nenhuma das duas religiões, para que eles escolhessem quando fossem maiores. Tiveram três filhos: Nur é o primogênito, e depois vieram Karim e Nadir.

Nur frequentava o centro de animação do oratório de Domodossola, aonde também ia sua mãe e que era dirigido por um sacerdote. "Assim começou meu itinerário de fé", recorda, "mesmo que para o fato mais importante, o da vocação, teve que passar mais tempo". Foi através de outro sacerdote que chegou ao povoado, e do tratamento com um missionário, como se decidiu  batizar primeiro, em 2001, e a ingressar imediatamente no seminário.

No colégio do povoado dirá este domingo às 10.30 horas sua primeira missa, no mesmo lugar onde recebeu a água batismal: "Foi um dos momentos mais formosos, porque selava minha adesão ao cristianismo como escolha amadurecida, não só como repetição de uma tradição", conclui Nur.

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sábado, 16 de junho de 2012

Gilbert K. Chesterton, o magnífico escritor inglês, explica «porque me converti ao catolicismo»


ReligionenLibertad.com

Gilbert K. Chesterton, o magnífico escritor inglês, explica «porque me converti ao catolicismo»

Em 30 de julho de 1922 foi acolhido no seio da Igreja Católica. O Padre John O Connor e Hilaire Belloc foram decisivos em sua conversão.


 ReL - 15 junho 2012- religionenlibertad.com


Gilbert K. Chesterton foi um famoso jornalista, novelista, poeta e crítico literário (1874-1935), autor das novelas do Padre Brown, Ortodoxia (escrito muitos anos antes de converter-se) e outros ensaios que tiveram grande sucesso em sua época e que já podem ser considerados clássicos.

Chesterton disse que "a dificuldade de explicar «porque sou católico» encontra-se no fato de que existem dez mil razões para isso, mesmo que todas acabem resumindo-se em uma só: que a religião católica é verdadeira”. Eis aqui a causa pela qual em 30 de julho de 1922, G. K. Chesterton desejou ser acolhido no seio da Igreja Católica

Este é o escrito no qual o extraordinário escritor inglês explica sua conversão ao catolicismo:

«Mesmo só fazendo alguns anos que sou católico, sei no entanto que o problema `porque sou católico´ é muito distinto do problema `porque me converti ao catolicismo´. Tantas coisas  motivaram minha conversão e tantas outras seguem surgindo depois... Todas elas se põem em evidência somente quando a primeira nos dá o empurrão que conduz à conversão. Todas são também tão numerosas e tão distintas  umas das outras, que, no final, o motivo originário e primordial pode chegar a parecer-nos quase insignificante e secundário.

»A «confirmação» da fé, vale dizer, seu fortalecimento e afirmação, pode vir, tanto no sentido real como no sentido ritual, depois da conversão. O convertido não só recorda mais tarde de que modo aquelas razões se sucediam umas às outras. Pois rápido, muito rápido, este sem número de motivos chega a fundir-se para ele em uma só e única razão.

Existe entre os homens uma curiosa espécie de agnósticos, ávidos pesquisadores de arte, que averiguam com sumo cuidado tudo o que numa catedral é antigo e tudo o que nela é novo. Os católicos, pelo contrário, outorgam mais importância ao fato de se a catedral foi reconstruída é para voltar a servir como o que é, ou como catedral.

»Uma catedral! À ela se parece todo o edifício de minha fé; desta minha fé que é demasiado grande para uma descrição detalhada; e da qual, só com grande esforço, posso determinar as idades de suas pedras diferentes.

»Apesar de tudo, estou seguro de que o que me atraiu primeiro ao catolicismo, era algo que, no fundo, deveria melhor ter-me separado dela. Estou convencido também de que vários católicos devem seus primeiros passos à  Roma pela amabilidade do defunto senhor Kensit.

»O senhor Kensit, um pequeno livreiro da City, conhecido como protestante fanático, organizou em 1898 uma banda que, sistematicamente, assaltava as igrejas ritualistas e perturbava seriamente os ofícios. O senhor Kensit morreu em 1902 por causa de feridas recebidas durante um desses assaltos. Logo a opinião pública se voltou contra ele, classificando como «Kensitite Press» aos piores panfletos anti-religiosos publicados na Inglaterra contra Roma, panfletos carentes de todo juízo sadio e de toda boa vontade.

»Recordo especialmente agora estes dois casos: uns autores sérios lançavam graves acusações contra o catolicismo, e, coisa curiosa, o que eles condenavam me pareceu algo precioso e desejável.

»No primeiro caso —creio que se tratava de Horton e Hocking— se mencionava com estremecido pavor, uma terrível blasfêmia sobre a Santíssima Virgem de um místico católico que escrevia: «Todas as criaturas devem tudo a Deus; mas a Ela, até Deus mesmo lhe deve algum agradecimento». Isto me sobressaltou como um som de trombeta e me disse quase em alta voz: «Como  disse maravilhosamente!» Parecia-me como se o inimaginável fato da Encarnação pudesse com dificuldade achar expressão melhor e mais clara que a sugerida por aquele místico, sempre que se saiba entender.

»No segundo caso, alguém do diário Daily News (enquanto eu mesmo era ainda alguém do «Daily News»), como exemplo típico do `formalismo morto´ dos ofícios católicos, citou o seguinte: um bispo francês tinha se dirigido a uns soldados e operários cujo cansaço físico lhes tornava dura a assistência à Missa, dizendo-lhes que Deus se contentaria com só sua  presença, e que lhes perdoaria sem dúvida seu cansaço e sua distração.

Então eu disse outra vez a mim mesmo: `Que sensata é essa gente! Se alguém correr dez léguas para fazer-me um gosto, eu lhe agradeceria muitíssimo, também, que se durmisse em seguida em minha presença´.

Publicações anti-católicas
»Junto com estes dois exemplos, poderia citar ainda muitos outros procedentes daquela primeira época em que os incertos dissimuladores de minha fé católica se nutriram quase com exclusividade de publicações anti-católicas. Tenho uma clara recordação do que seguiu à estes primeiros dissimulados. É algo do qual me dou tanto mais conta quanto mais desejaria que não tivesse sucedido.

»Comecei a marchar para o catolicismo muito antes de conhecer aquelas duas pessoas excelentíssimas a quem, a este respeito, devo e agradeço tanto: ao reverendo Padre John O Connor de Bradford e ao senhor Hilaire Belloc; mas o fiz debaixo da influência de meu acostumado liberalismo político; o fiz até na toca do «Daily News».

»Este primeiro empurrão, depois de dever a Deus,  o devo à história e à atitude do povo irlandês, apesar de que não há em mim nem uma só gota de sangue irlandês. Estive somente duas vezes na Irlanda e não tenho nem interesse ali nem sei grande coisa do país. Porém isso não me impediu de reconhecer que a união existente entre os diferentes partidos de Irlanda se deve no fundo à uma realidade religiosa; e que é por esta realidade que todo meu interesse se concentrava nesse aspecto da política liberal. Fui descobrindo cada vez com maior nitidez, inteirando-me pela história e por minhas próprias experiências, como, durante longo tempo se perseguiu por motivos inexplicáveis a um povo cristão, e ainda segue odiando-o. Reconheci depois que não podia ser de outra maneira, porque esses cristãos eram profundos e incômodos como aqueles que Nero fez fechar com os leões.

»Creio que estas minhas revelações pessoais evidenciam com claridade a razão de meu catolicismo, razão que logo foi fortificando-se. Poderia acrescentar agora como segui reconhecendo depois, que todos os grandes impérios, uma vez que se separavam de Roma, lhes sucedia precisamente o mesmo a todos aqueles seres que desprezam as leis ou a natureza: tinham um leve êxito momentâneo, mas depois experimentavam a sensação de estar enlaçados por um nó corrediço, em uma situação da qual eles não podiam livrar-se. Na Prússia há tão pouca perspectiva para o prussianismo, como em Manchester para o individualismo manchesteriano.

»Todo o mundo sabe que um velho povo agrário, arraigado na fé e nas tradições de seus antepassados,  espera um futuro maior ou pelo menos mais simples e mais direto que os povos que não têm por base a tradição e a fé. Se este conceito se aplicasse a uma autobiografia, resultaria muito mais fácil escrevê-la que se se examinassem suas diferentes evoluções; mas o sistema seria egoísta. Eu prefiro escolher outro método para explicar em resumo breve, porém completo, o conteúdo essencial de minha convicção: não é por falta de material que atuo assim, senão pela dificuldade de escolher o mais apropriado entre todo esse material numeroso. No entanto tratarei de insinuar um ou dois pontos que me causaram uma especial impressão.

»Há no mundo milhares de modos de misticismo capazes de enlouquecer o homem. Mas há uma só maneira entre todas de por o homem em um estado normal. É certo que a humanidade jamais pôde viver um longo tempo sem misticismo. Até os primeiros sons agudos da voz gelada de Voltaire encontraram eco em Cagliostro. Agora a superstição e a credulidade voltaram a expandir-se com tão vertiginosa rapidez, que dentro em pouco o católico e o agnóstico se encontrarão lado a lado. Os católicos serão os únicos que, com razão, poderão chamar-se racionalistas. O  culto idolátrico pelo mistério começou com a decadência da Roma pagã apesar dos «intermezzos» de um Lucrécio ou de um Lucano.

»Não é natural ser materialista nem tampouco  sê-lo, dá uma impressão de naturalidade. Tampouco é natural contentar-se unicamente com a natureza. O homem, pelo contrário, é místico. Nascido como místico, morre também como místico, sobretudo se em vida foi um agnóstico. Enquanto todas as sociedades humanas consideram a inclinação ao misticismo como algo extraordinário, eu tenho que objetar, no entanto, que só uma sociedade entre elas, o catolicismo, tem em conta as coisas cotidianas. Todas as outras as deixam de lado e as menosprezam.

»Um célebre autor publicou uma vez uma novela sobre a contraposição que existe entre o convento e a família (The Cloister and the hearth). Naquele tempo, há 50 anos, era realmente possível na Inglaterra imaginar uma contradição entre essas duas coisas. Hoje em dia, a assim chamada contradição, chega a ser quase um estreito parentesco. Aqueles que noutro tempo exigiam aos gritos a anulação dos conventos, destróem hoje sem dissimular a família. Este é um dos tantos fatos que testemunham a verdade seguinte: que na religião católica, os votos e as profissões mais altas e «menos razoáveis» —por assim dizê-lo— são, no entanto, as que protegem as coisas melhores da vida diária.

»Muitos sinais místicos  sacudiram o mundo. Mas só uma revolução mística conservou: o santo está ao lado do superior, é o melhor amigo do bem. Toda outra aparente revelação se desvia no final para uma ou outra filosofia indigna da humanidade; para simplificações destruidoras; ao pessimismo, ao otimismo, ao fatalismo, ao nada e outra vez ao nada; ao «nonsense», à insensatez.

»É certo que todas as religiões contém algo bom. Mas o bom, a quinta essência do bom, a humildade, o amor e o fervoroso agradecimento «realmente existente»  a Deus, não se acham nelas. Por mais que as penetremos, por mais respeito que lhes demostremos, com maior claridade ainda reconheceremos também isto: no mais profundo delas há algo distinto do puramente bom; há às vezes dúvidas metafísicas sobre a matéria, às vezes fala nelas a voz forte da natureza; outras, e isto no melhor dos casos, existe um medo à  Lei e ao Senhor.

»Se se exagera tudo isto, nasce nas religiões uma deformação que chega até o satanismo. Só podem suportar-se enquanto se mantenham razoáveis e comedidas. Enquanto estejam tranquilas, podem chegar a ser estimadas, como sucedeu com o protestantismo vitoriano. Pelo contrário, a mais alta exaltação pela Santíssima Virgem ou a mais estranha imitação de São Francisco de Assis, seguiriam sendo, em sua quintessência, uma coisa sadia e sólida. Ninguém negará por isso seu humanismo, nem desprezará ao seu próximo. O que é bom, jamais poderá chegar a ser DEMASIADO bom. Esta é uma das características do catolicismo que me parece singular e universal por sua vez. Esta outra a segue: Só a Igreja Católica pode salvar ao homem diante da destruidora e humilhante escravidão de ser filho de seu tempo. Em outro dia, Bernard Shaw expressou o nostálgico desejo de que todos os homens vivessem trezentos anos em civilizações mais felizes. Tal frase nos demonstra como os hipócritas só desejam —como eles dizem— reformas práticas e objetivas.

»Bem, agora: isto se diz com facilidade; mas estou absolutamente convencido do seguinte: se Bernard Shaw tivesse vivido durante os últimos trezentos anos,  teria se convertido há já muito tempo ao catolicismo. Teria compreendido que o mundo gira sempre na mesma órbita e que pouco se pode confiar em seu assim chamado progresso. Teria visto também como a Igreja foi sacrificada por uma superstição bíblica, e a Bíblia por uma superstição darwinista. E um dos primeiros em combater estes fatos teria sido ele. Seja como for, Bernard Shaw desejava para cada um uma experiência de trezentos anos. E os católicos, muito ao contrário de todos os outros homens, têm uma experiência de dezenove séculos. Uma pessoa que se converte ao catolicismo, chega, pois, a ter de repente dois mil anos.

»Isto significa, que constatamos ainda mais, que uma pessoa, ao converter-se, cresce e se eleva para o pleno humanismo. Julga as coisas do modo como elas comovem a humanidade, e a todos os países e em todos os tempos; e não só segundo as últimas notícias dos jornais diários. Se um homem moderno diz que sua religião é o espiritismo ou o socialismo, esse homem vive inteiramente no mundo mais moderno possível, ou no mundo dos partidos. O socialismo é a reação contra o capitalismo, contra a insana acumulação de riquezas na própria nação. Sua política resultaria de tudo distinta se se vivesse em Esparta ou no Tibet. O espiritismo não atrairia tampouco tanto a atenção se não estivesse em contradição deslumbrante com o materialismo estendido em todas as partes. Tampouco teria tanto poder se se reconhecessem mais os valores sobrenaturais. Jamais a superstição  revolucionou tanto o mundo como agora. Só depois que toda uma geração declarou dogmaticamente e uma vez por todas, a IMPOSSIBILIDADE de que exista espíritos, a mesma geração se deixou assustar por um pobre, pequeno espírito. Estas superstições são invenções de seu tempo —poderia dizer-se em sua desculpa—. Faz já muito, no entanto, que a Igreja Católica provou não ser ela uma invenção de seu tempo: é a obra de seu Criador, e segue sendo capaz de viver o mesmo em sua velhice que em sua primeira juventude: e seus inimigos, no mais profundo de suas almas, perderam já a esperança de vê-la morrer algum dia».

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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Jesus: "As almas são Minha Casa!" “O corpo do homem é o Templo do Espírito Santo”.




Meditação da semana - www.reinadelcielo.org

As almas são Minha Casa

 
As águas estavam calmas, não havia homem nem besta selvagem no mundo ainda, tudo isso estava na palheta do Pintor Celestial. Era de manhã cedo, e uma tênue bruma flutuava sobre o mundo deserto, na expectativa do que estava por ocorrer. Olhava do Seu lugar, do alto, e pensava quantas coisas ocorreriam com o passar dos séculos nessa esfera azulada que acabava de criar.

Um dia, um dia longínquo, Ele mesmo ia a cobrir as Carnes e os Ossos do Homem e ia  caminhar por esse mundo. Sabia-o bem, Carne e Sangue que iam  derramar sobre a terra estéril a essência do que Ele mesmo era, Palavra, Verbo, Mensagem, Salvação. Que dia extraordinário seria esse! O que mais Lhe atraia desse pensamento era a idéia de quem ia ser Sua Mãe terrena. Esse sonho só, sonho de Deus, consolava Seu Coração machucado por aqueles sofrimentos que sabia ia suportar.

E depois, o mundo começou sua louca corrida, e  nunca mais se deteve, até hoje. Nós vivemos ainda nessa esfera azulada que Ele criou aquele dia, quando também criou o tempo. O tempo tem passado, e temos visto sucederem-se coisas maravilhosas, e muitas tragédias também, enquanto nós nos olhamos para o umbigo sem sequer pensar onde estamos parados.

Esta esfera azulada que se chama terra, e que ainda segue girando, já recebeu a visita da Palavra Criadora, do Verbo de Deus. O vinho, nos falou, nos fez compreender Quem era na realidade, deixou que o matemos como a um Cordeiro Inocente, e Ressuscitando dentre os mortos passou uma boa quantidade de dias conosco. Muitas coisas nos deixou antes de ir-se, mas sem dúvidas que o principal legado é Sua própria Presença na forma de Pão e Vinho.

Por que fez isto? Não alcançam todos os livros e os teólogos do mundo para explicar a profundidade e o pleno alcance do Milagre Eucarístico, Milagre que ainda hoje segue ocorrendo cada dia em todos os altares da terra, de forma gratuita, sem mais requisito que o de um Sacerdote celebrando a Santa Missa. Mas talvez devamos meditar no aspecto mais simples desse Pedacinho de Pão no qual, por nossa fé, sabemos que se encontra realmente Presente o mesmo Deus, Jesus Cristo Rei do Universo.

O Rei da Criação se quis esconder em uma insignificante peça de trigo transformada em Pão, para que nós o comamos convencidos de que ao fazê-lo incorporamos o mesmo Deus em nosso corpo. Por que faz Deus isto? Eu creio que Deus, com este gesto de Amor extraordinário, nos grita em cada Missa com uma Voz que ressoa em todo o universo:

As almas são Minha Casa!

Este grito de amor incondicional se redobra no momento em que, com extrema devoção, nos apresentamos diante do Sacerdote para receber o Pão da Vida. Tua alma é Minha Casa! nos diz Deus nesse momento, redobrando a mensagem de Paulo que proclamava com língua de fogo que “O corpo do homem é o Templo do Espírito Santo”. E se Jesus  entra em nossa casa através da Eucaristia, onde habita o Espírito Santo como Templo Sagrado que nós devemos honrar, pois é que então somos Casa do Pai também. É a mesma Casa maravilhosa que nos prepara Jesus, Casa que tem muitas habitações, para que vivamos ali a plena felicidade.

Deus Único, em Sua Santíssima Trindade, se regozija em nossas almas, que são o Jardim Sagrado onde Ele deseja descansar e gozar, porque somos o centro do fruto de Sau Criação. O Senhor do Universo criou tudo, céus, estrelas, mares e montanhas, mas a maravilha mais extraordinária que Ele criou é este pequeno espelho de Si Mesmo, nosso corpo e nossa alma.

Olha-te irmão por um momento, porque és a menina de Seus Olhos, Sua debilidade e Seus desvelos também, és o motivo pelo qual trilharam esta louca carreira que é a história do mundo. Olha-te, agora mesmo, no espelho da eternidade, espelho no qual os séculos correm como segundos, e os minutos demoram milênios. Ali estás tu, parado e em silêncio contemplando este ato único e irrepetível de teu Criador, que é tua própria existência. Ele te diz com Voz clara: “Tua alma é Minha Casa”. Ele quer habitar em ti, e ser feliz ali, contigo. Faz-lhe um lugar santo e bom, como só Ele  merece. Um lugar limpo e pleno de paz, se maldades, sem estridências. Um lugar no qua os Anjos cantem

“Hosana ao Senhor, Hosana nas alturas, Bendito aquele que vem em Nome do Senhor”


Fonte: http://www.reinadelcielo.org/estructura.asp?intSec=8&intId=218

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Uma insuficência renal, um irmão que se converte, a gozação de um pastor... e Vivien se fez católica


ReligionenLibertad.com


Recebeu a Primeira Comunhão nesta Páscoa


Há conversões repentinas e conversões evolutivas: esta jovem de Minnesota necessitou tempo e muita reflexão para dar o passo.

C.L. / ReL -  27 mayo 2012 - religionenlibertad.com

Os caminhos de Deus são inescrutáveis. Em alguns casos, como o de São Paulo, a chamada atira do cavalo  seu destinatário. Em outros o caminho percorrido é muito mais sutil.

O caminho de uma jovem enfermeira

Assim sucedeu com Vivien Betland, estudante de enfermagem na Universidade de Minnesota, que acaba de incorporar-se à Iglesia católica nesta última Páscoa, quando foi batizada sob condição (é de origem batista) e crismada, e fez a Primeira Comunhão.

Em seu blog, que ilustra uma imagem de Santa Gianna Beretta Molla (1922-1962),  contou como foi o proceso que lhe levou até esse ponto.

Cresceu em uma família pouco religiosa. Tinham Bíblias, mas nunca a liam. Celebravam o Natal e a Páscoa, mas mais pelos feriados do que por seu significado religioso, e nunca iam à igreja, salvo quando seu irmão mais novo ia cantar  no coral.

"Não diria que era atéia, e meus pais sem dúvida não o eram, mas não compartilhavam sua fé comigo nem me ensinaram nada sobre Deus. Tinha ouvido falar de Jesus e sabia que tinha morrido na cruz, mas realmente não entendia porque nem tinha nem idéia da importância desse fato. Minha mãe tinha crescido como batista, assim que dessa forma me identificava  quando me perguntavam", recorda  o aspecto espiritual de sua infância que foi feliz e com seus pais voltados para seus filhos.

Primeira aproximação

O primeiro sinal  veio quando, durante o ensino secundário no colégio, em pouco tempo morreu sua única avó viva e diagnosticaram  em sua mãe  uma insuficiência renal grave. A adaptação de sua dieta provocava contínuas discussões e a perda de energias que começaram a padecer e mudaram a vida no lar. Afamília começou a ter dívidas como resultado da situação e seu pai estava cada vez mais estressado em casa, até que descubriram que estavam na bancarrota.

Todas estas dificuldades passaram sem referência alguma a Deus nem lhe pedindo ajuda. O caráter de Vivien começou a retrair-se: "Sentia-me sem ninguém com quem falar, muito só. Nem sequer me via falando com meus pais para contar-lhes meus problemas adolescentes, porque eles já tinham seus próprios problemas. O Único que  sabía tudo era o Único a quem eu não conhecia. Eu não sabia que meu melhor Amigo estava me esperando para que fosse ter com Ele".

Seu irmão, cristão porém anti-católico

Quando ela estava em seu segundo ano de bacharelato, seu irmão começou a ir com um amigo a um acampamento cristão, e quando voltou para casa no inverno  propôs à sua irmã ir à igreja. Vivien  gostou da idéia: "Estava de certo modo entusiasmada. Algumas vezes  tinha pedido aos meus pais que fôssemos à igreja, mas sempre tinham alguma desculpa para não ir".

E ela começou a pensar em si mesma também quando a convidavam para o grupo dominical do templo... até que foi. "Todo o mundo era tão acolhedor! Senti que queriam que estivesse ali mesmo ainda não me conhecendo", recorda. E começou a confiar neles e a contar seus problemas familiares: "Sempre se ofereciam para rezar por mim, e me sentia muito querida. Assim aprendi sobre Deus e seu amor por suas criaturas, e que Jesus tinha morrido na Cruz, Ele, um homem  perfeito, para que meus pecados fossem perdoados e pudesse recobrar a relação con Ele".

Vivien entra então no miolo teológico da mudança que estava dando no caminho de uma comunidade protestante. "Considerava-me salva porque rezava pedindo a Jesus que viesse ao meu coração e perdoasse meus pecados, mas não permiti que isso realmente me mudasse. Não é que eu fosse uma garota má, mas era egoísta e pretensiosa. Era animadora da equipe do instituto e vivia para ser muito popular. Seria sempre eu", conta.

Seguiu indo à igreja e ao grupo juvenil, mas confessa que não vivia muito sua fé fora desse âmbito, e inclusive era algo "cruel"  ao separar-se das pessoas que não lhe interessavam para seus objetivos: "Tinha algumas linhas vermelhas que não traspassava, mas nunca por Deus, mas sim para não desagradar os meus pais ou estresar-lhes ainda mais".

Seu irmão... católico ahora

No verão antes de graduar-se, foi em uma missão no México com seu grupo da igreja, para visitar um orfanato. Ali  encontrou crianças que nunca poderiam conhecer  seus pais, ou outros que lhes tinham conhecido e lhes tinham perdoado. "Pude ver que Deus estava atuando em suas vidas e que elas tinham se rendido a Ele. Tinha tanta alegria em suas vidas em vez de dor, que eu queria ter isso. Foi então quando decidi viver a vida segundo a vontade de Deus, e não segundo a minha", explica.

A surpresa seguinte   chegou nesse Natal, quando seu irmão falou em casa que queria convertrr-se ao catolicismo: "Todos nós ficamos esmagados! Ele tinha sido uma das pessoas mais anti-católicas que eu tinha conhecido. Eu não sabia muito do catolicismo, mas em minha igreja batista se ensinava que era um erro, e eu assim acreditava. Acreditei que meu irmão estava louco, mas se era o que queria fazer, tampouco me importava. Depois fui sabendo mais do catolicismo, mas chocava tanto com o que lhe escutava de meu pastor, que não podia ser algo bom".

Os grandes obstáculos para Vivien eram a Eucaristia e a Virgem Maria. E ainda que seu irmão  argumentasse à respeito, não lhe fez muito caso: "Tampouco me importava: ele amava a Deus e em minha opinião isso era o que contava".

No verão de 2010, Vivien foi batizada no rio Mississippi por seu pastor batista: "Meu irmão se alegrou, porque mesmo não sendo católica, o batismo apagava meus pecados. De novo pensei que estava louco: o batismo era só um símbolo de nossa obediência e nossa fé em Cristo, mas  não operava realmente nada enem  nós", conta, assinalando a grande diferença entre a idéia desse sacramento na Igreja católica e nas comunidades evangélicas.

Depois de seu batismo, Vivien começou a tomar sua fé mais a sério, e a mudar a forma com a qual se relacionava com os demais, a rezar mais a miúdo e a meditar na palavra de Deus, e inclusive se tornou catequista de um grupo de crianças.

A gozação de um pastor

No inverno de 2010 foi com seu irmão a uma adoração eucarística: "Disse-me que lesse João, 6 e que rezasse enquanto estava ali. Li e comecei a compreender porque os católicos crêem que o pão e o vinho se convertam no corpo e  sangue de Cristo. Porém eu seguia achando inaceitáveis o batismo infantil e o culto à Maria. Porém meus olhos se estavam abrindo".

Finalmente, no verão de 2011 decidiu que não podia seguir parada nessas questões e devia estudiá-las a fundo: "Devia estudar com a mente aberta o que realmente ensina a Igreja".

E -os caminhos inescrutáveis de Deus- o passo final o deu graças a um pastor batista. Num domingo, ao chegar o momento da comunhão, disse em tom de gozação com a crença católica: "Damos-te graças por este pão, que não se converte magicamente em teu corpo, mas que segue sendo pão, símbolo de teu sacrifício".

"O tom com que disse claramente se ria da fé católica, e mesmo eu  negando que o pão fosse o corpo de Cristo, me molestou que se risse abertamente da fé católica durante um culto. E me senti ofendida porque isso significava que estava rindo de meu irmão", afirma Vivien.

Todos estes fatos lhe fizeram aprofundar cada vez mais no estudo da doutrina: o caráter puramente simbólico que para os batistas tinha o batismo lhe chocava, até que compreendeu que tinha que "significar algo" objetivo.

Amarrando os fios

Também lhe chocava a mentalidade de "uma vez salvo, já estás salvo para sempre", característica do protestantismo, porque quando havia nela uma luta entre o bem e o mal,  ficavam dúvidas sobre sua salvação. Tampouco entendia a oposição entre a fé e as obras que pleiteava sua comunidade: "A Bíblia deixava claro que ambos são necessários. A fé católica parecia ser o único lugar onde podia encontrar algo que desse sentido à unidade entre a fé e as obras. Quando mais o estudava, mais compreendia que o católico é realmente bíblico".

Também viu como o capítulo 1 de São Lucas ("bem-aventurada te chamarão todas as gerações") justificava nas Sagradas Escrituras o culto à Virgem que tanto rechaçava antes.

Quando compreendeu que o capítulo 6 de São João implicava a presença física de Cristo debaixo das aparências de pão, a mudança se aproximou um pouco mais: "Se Cristo me oferece todos os dias seu Corpo e seu Sangue, como podia ignorar esse fato?".

E por último, a necessidade da autoridade para interpretar a Bíblia, e a evidência de que a Igreja católica era a única que se remontava aos tempos apostólicos, fizeram o resto.

Fidelidade nas dificuldades

Em setembro passado se uniu a um catecumenato, e no Páscoa de 2012 foi crismada e recebeu a Primeira Comunhão.

"Naturalmente, minha transição não foi fácil", conclui seu testemunho: "Encontrei muita resistência em meus amigos protestantes e meu antigo pastor. No princípio me custou, porém logo compreendi que também Jesus perdeu amigos e  passou por coisas muito pior que eu. E tampouco tenho direito de queixar-me. Sigo tendo amigos, e claro que  meu irmão me ajudou muito. Agora sou muito feliz de fazer parte da Esposa de Cristo".



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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Uma mãe de família se cura de forma inexplicável de um câncer pelo qual lhe davam 10 meses de vida.


ReligionenLibertad.com - Avan - 18 mayo 2012


Por intercessão de Vicente Garrido Pastor

Milagre em Valencia?


A delegação para as causas dos santos do Arcebispado de Valencia iniciou o estudo de um “possível milagre” atribuído à intercessão do fundador do Instituto Secular ds Obreiras da Cruz, o sacerdote valenciano Vicente Garrido Pastor (Benaguacil, 1896- Moncada, 1975), cujo processo de beatificação se instrui atualmente em Roma.

A “possível graça” operada pelo Servo de Deus Vicente Garrido Pastor corresponde à uma cura “inexplicável” de uma mãe de família, de Albacete,  que  foi diagnosticada em 2003 com um “adenocarcinoma de endométrio, estado IVB, por afetação metastática no quadril direito” com uma esperança de vida de 10 meses, segundo indicou hoje a agência AVAN fontes da delegação.

No entanto, transcorridos oito anos, “e depois de numerosos controles e avaliações médicas por parte de especialistas oncológicos de vários hospitais”, em 2011, os últimos informes e provas realizadas constataram a “remissão completa” do tumor e a “ausência atual” da enfermidade, segundo as mesmas fontes.

A mulher na qual se operou o “provável milagre”, que conta com uma irmã pertencente precisamente ao Instituto Secular das Obreiras da Cruz, “se encomendava ao seu fundador”, o Servo de Deus Vicente Garrido, “a quem rezavam e rezam e lhe guardam enorme devoção”.

O arcebispo de Valencia, monsenhor Carlos Osoro, presidiu esta tarde, no Palácio Episcopal, a constituição do Tribunal que se encarregará de recolher a documentação, provas médicas e testemunhais para “examinar e provar a existência deste fato milagroso”. segundo fontes da delegação que leva vários anos investigando esta causa.

Uma vez transcorrido o período de estudo do “presumível milagre” na fase diocesana, oTribunal agora criado, formado por sacerdotes, médicos e peritos, remetirá a documentação à Santa Sé para “que continui ali o processo” .

Nesse caso seria avaliado pelo congresso de médicos da congregação vaticana para as Causas dos Santos, posteriormente pela comissão de teólogos e, finalmente, pela dos  Bispos e Cardeais, que remeteriam e apresentariam a documentação ao Papa, que promulgaria o “decreto de milagre”.

Ao tratar-se de uma "causa de virtudes", “para chegar à beatificação se requer a aprovação de um milagre”, segundo as mesmas fontes, que adicionaram  “se este chegasse ao seu fim veriam de imediato sua declaração como beato”.

O processo de beatificação de Vicente Garrido Pastor foi aberto em 12 de junho de 1990 em Valencia e fechado em 14 de setembro de 1999, em Moncada (Valencia), onde faleceu. Mais tarde, em 20 de outubro de 2000, a Congregação para as Causas dos Santos concedeu o “decreto de validez de dito Processo instruído na Cúria Eclesiástica Valentina” passando nesse momento a ser instruído em Roma.

O Instituto Secular das Obreiras da Cruz

Em 13 de fevereiro de 1934, “o então jovem sacerdote valenciano Vicente Garrido, que vinha trabalhando incansavelmente no apostolado secular feminino, reuniou em Burjassot  um grupo de mulheres para dirigir-lhes um retiro espiritual”.

Quatro meses depois, “conseguiu a aprovação dos estatutos de uma sociedade civil, denominada «Sociedade de Amor Cristão», que viria a ser o gérmem do atual Instituto”, acrescentou.

Desde então, tem trabalhado na promoção, formação e evangelização das mulheres, e em numerosos povoados e cidades criaram oficinas para sua formação e promoção laboral.

Agora, segundo  indicaram hoje a agência AVAN fontes deste Instituto Secular,  adaptaram seu serviço às necessidades do momento presente e na arquidiocese de Valencia dirigem três centros para mulheres em risco de exclusão social, e imigrantes, transeúntes ou com problemas familiares, em Sagunto, Museros e em Valencia.

Além disso, as Obreiras da Cruz tem  impulsionado outros projectos solidários np Chile e Bolívia, e estão presentes também em Ruanda. Igualmente, o Instituto assume outras ações, como a dinâmica de  exercícios espirituais, a colaboração paroquial e o apostolado social obreiro.

As Obreiras da Cruz “vivem o carisma da consagração secular no âmbito da sociedade” e exercem seu apostolado “desde as profissões, tarefas e obras apostólicas”, acrescentaram.


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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza e de ternura, me desarmar, me desnudar de alma, sem medo de ser criticado ou censurado: que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.




CANÇÃO DOS HOMENS

Que quando chego do trabalho ela largue por um instante o que estiver fazendo
- filho, panela ou computador - e venha me dar um beijo como os de antigamente.

Que quando nos sentarmos à mesa para jantar
ela não desfie a ladainha dos seus dissabores domésticos.

E se for uma profissional, que divida comigo o tempo de comentarmos nosso dia.

Que se estou cansado demais para fazer amor,
ela não ironize nem diga que "até que durou muito" o meu desejo ou potência.

Que quando quero fazer amor ela não se recuse demasiadas vezes, nem fique impaciente ou rígida, mas cálida como foi anos atrás.

Que não tire nosso bebê dos meus braços dizendo que homem não tem jeito pra isso, ou que não sei segurar a cabecinha dele, mas me ensine docemente se eu não souber.

Que ela nunca se interponha entre mim e as crianças, mas sirva de ponte entre nós quando me distancio ou me distraio demais.

Que ela não me humilhe porque estou ficando calvo ou barrigudo, nem comente nossas intimidades com as amigas, como tantas mulheres fazem.

Que quando conto uma piada para ela ou na frente de outros, ela não faça um gesto de enfado dizendo "Essa você já me contou umas mil vezes".

Que ela consiga perceber quando estou preocupado com trabalho, e seja calmamente carinhosa, sem me pressionar para relatar tudo, nem suspeitar de que já não gosto dela.

Que quando preciso ficar um pouco quieto ela não insista o tempo todo para que eu fale ou a escute, como se silêncio fosse falta de amor.

Que quando estou com pouco dinheiro ela não me acuse de ter desperdiçado com bobagens em lugar de prover minha família.

Que quando eu saio para o trabalho de manhã ela se despeça com alegria, sabendo que mesmo de longe eu continuo pensando nela.

Que quando estou trabalhando ela não telefone a toda hora para cobrar alguma coisa que esqueci de fazer ou não tive tempo.

Que não se insinue com minha secretária ou colega para descobrir se tenho amante.

Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza e de ternura, me desarmar, me desnudar de alma, sem medo de ser criticado ou censurado: que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.

Que cuide um pouco de mim como minha mulher, mas não como se eu fosse uma criança tola e ela a mãe, a mãe onipotente, que não me transforme em filho.

Que mesmo com o tempo, os trabalhos, os sofrimentos e o peso do cotidiano, ela não perca o jeito terno e divertido que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.

Que eu não sinta que me tornei desinteressante ou banal para ela, como se só os filhos e as vizinhas merecessem sua atenção e alegria.

E que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente,

Ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz, menos solitário, e muito mais humano.
Lya Luft