A pandemia pornográfica – estamos inundados de pornografia
Patrick A. Trueman - www.lifesitenews.com - (Notifam)
Nota: Este artigo apareceu originalmente na revista Colúmbia, publicada pelos Cavaleiros de Colón nos Estados Unidos da América, o qual é reproduzido aqui com permissão.
2 de dezembro 2011 – Numa conversa com um sacerdote em minha diocese, eu compartilhei a informação de meu diretor espiritual, que toda confissão que escuta dos homens, incluem o pecado da pornografia.
A resposta do pastor foi surpreendente: “Oh, é muito pior do que isso!”. Desde então, esta triste realidade foi confirmada por muitos outros: o pecado da pornografia está esmagadoramente presente entre os homens católicos.
A pornografia é agora mais popular que o futebol. De fato, se converteu em passatempo nos Estados Unidos, e estamos inundados por ela.
A pornografia está em nossos computadores, em nossos telefones inteligentes e em nossa televisão a cabo ou por satélite. É comum em nossos hotéis e inclusive em muitas lojas de varejo e em estações. Para muitos homens – e, cada vez mais para as mulheres – é parte de sua vida cotidiana.
No entanto, o ensinamento da Igreja católica sobre o tema é claro. O uso da pornografia é um “pecado grave”.
O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a pornografia… ofende a castidade porque desnaturaliza a finalidade do ato sexual.
Atenta gravemente à dignidade de quem se dedica a ela (atores, comerciantes, público), pois cada um vem a ser para o outro objeto de um prazer rudimentar e de uma ganho ilícito” (2354).
Em "A vida de Cristo", o Arcebispo Fulton J. Sheen dos Estados Unidos, escreveu: “O castigo dos que vivem demasiado perto da carne é não entender nunca o espiritual”.
A pornografia na Internet oferece um oceano de perversões. Leva a mente para onde nunca deveria ir, afrouxando suas amarras morais e deixando-a à deriva num traiçoeiro mar de pecados.
Esse é o destino dos que se entregam à pornografia: se encontram sós com suas imagens e um insaciável apetite por mais.
Ainda que surpreendente para muitos, os usuários da pornografia eventualmente põem em um segundo plano a religião, o matrimônio, a família, o trabalho e as amizades frente ao seu desejo de pornografia.
É possível que desejem mudar, para voltar à vida como era antes da pornografia, mas a maioria regressará e descerá ainda mais.
A doutora Mary Anne Layden, diretora do Programa de Trauma Sexual e Psicopatologia no Centro para Terapia Cognitiva, da Universidade de Pensylvania nos Estados Unidos, compara a pornografia com a cocaína.
Em um testemunho diante do Senado dos Estados Unidos em novembro de 2004, ela assinalou que “este material é potente, viciante e é implantado permanentemente no cérebro”.
Lamentavelmente, para o consumidor habitual de pornografia, a confissão e a contrição normalmente não são suficientes para romper com a pornografia, já que, como no abuso de drogas, a pornografia não é só um mal hábito, com frequência é viciante.
Um desejo que não satisfaz
O vício da pornografia é agora um lugar comum entre os adultos e é inclusive um problema crescente para as crianças e adolescentes. Poucos dos que são viciados buscam ajuda, e as consequências podem ser permanentes e graves.
A força viciante da pornografia é um resultado de mudanças neuro-plásticas a longo prazo, às vezes permanentes, no cérebro.
O psiquiatra Norman Doidge, autor do best-seller The Brain That Changes Itself (O cérebro que muda por si só) (Edições Penguin, 2007, nos Estados Unidos), escreve: “A pornografia, ao oferecer um harém infinito de objetos sexuais, hiperativa o sistema apetitivo.
Os espectadores de pornografia desenvolvem novos mapas em seus cérebros, sobre a base de fotos e vídeos que vêem. Devido ao fato de que é um cérebro que se usa-ou-se perde, quando desenvolvemos um mapa da área, desejamos mantê-lo ativado.
Igual quando nossos músculos se tornam impacientes para fazer exercício se temos estado sentados todo o dia, também nossos sentidos têm fome de ser estimulados” .
Em outras palavras, com a pornografia se excita nosso sistema de prazer do cérebro que estimula nossos desejos, mas não há nenhuma satisfação real. Isto explica porque os usuários podem passar horas e horas buscando pornografia na Internet.
O psiquiatra Norman Doidge diz ainda que os espectadores de pornografia desenvolvem tolerâncias, por isso necessitam níveis cada vez mais altos de estimulação. Por tanto, sempre se movem para a pornografia mais forte e aberrante.
Mais de uma década atrás, Margaret A. Healy, professora adjunta na Escola de Leis de Fordham University, e Muireann O’Brian, ex-chefe de Terminação da Pornografia Infantil, a Prostituição e o Trato de Pessoas, observaram uma relação entre a pornografia para adultos e a pornografia infantil.
Desde então, dezenas de atuais e anteriores autoridades de aplicação da lei tem dito que muitos consumidores de pornografia para adultos se trasladarão com o tempo à pornografia infantil, inclusive se não são pedófilos e no prinícipio não tinham nenhum interesse nesse tipo de material. Estes resultados explicam em parte, a prevalência da pornografia infantil no mundo de hoje.
Ver pornografia muda a atitude do usuário para o sexo, para seu cônjuge e para a sociedade. Ele ou ela utilizam as fantasias sexuais para excitar-se, tratam de conseguir companheiros para atuar em cenas pornográficas, é mais provável que participem em perseguições sexuais e em agressão sexual, e visualizam o sexo como um privilégio casual, não íntimo e recreativo.
Laydon e outros psicólogos clínicos tem informado que, ironicamente, a disfunção erétil está associada comumente com o uso constante de pornografia entre os homens.
Uma razão para isto é que a busca constante de imagens sexuais e da masturbação que a acompanha com frequência leva à insatisfação com o cônjuge.
Depois de tudo, a esposa de um homem não pode manter uma imagem que concorra com as mulheres no mundo de fantasia de vídeos e imagens pornográficas.
O consumo regular de pornografia se prepara para a decepção e a desintegração quase segura de seu matrimônio.
O amor conjugal está destinado a ser uma entrega total de si mesmo a um companheiro permanente e fiel. É uma entrega confiante e desinteressada.
Pelo contrário, o sexo pornográfico é egoísta, degradante e mecânico.
Em sua catequese sobre a teologia do corpo, o papa João Paulo II fez ênfase em que há uma “bondade moral” no matrimônio, que é a fidelidade. Essa bondade pode ser alcançada de maneira satisfatória só na relação exclusiva de ambas partes.
Demasiadas pessoas perdem essa bondade única do matrimônio e se conformam com a excitação temporária, pervertida e insuficiente da pornografia.
Protegendo nossas crianças
Um pai tem o dever de proteger seus filhos da pornografia e uma obrigação sagrada de dar exemplo de pureza para sua família.
Que maior autoridade pode ter um pai sobre os danos da pornografia do que as palavras de Cristo: “Mas eu vos digo que qualquer homem que olha uma mulher cobiçando-a, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5, 28).
Se te converteste em um consumidor de pornografia, pergunta-te isto: sou o mesmo homem que professou fidelidade à minha esposa no dia de meu casamento? A fidelidade não se pode manter se se consome pornografia. As esposas dos consumidores de pornografia sentem como se seus maridos estivessem cometendo adultério. Os assuntos da mente são totalmente tão destrutivos como os assuntos do coração.
Os advogados de divórcio informam que há um elevado paralelismo entre o consumo da pornografia e os divórcios. Um estudo realizado em 2004 e publicado no Social Science Quarterly (Revista das Ciências Sociais nos Estados Unidos), intitulado Adult Social Bonds and Use of Internet Pornography (Os vínculos sociais de adultos e o uso da pornografia pela rede cibernética), revelou que as pessoas que têm uma relação extra-marital estiveram mais de três vezes mais predispostas a ter acesso à pornografia na Internet que os que não têm esse tipo de relações. Além disso, os que alguma vez estiveram envolvidos em relações sexuais pagas estiveram 3,7 vezes mais predispostos a utilizar pornografia na Internet que os que não se envolvolveram nesse tipo de relações.
Se você consome habitualmente pornografia, seus filhos podem segui-lo. Muitos viciados na pornografia informam que sua primeira exposição à pornografía foi a descoberta da coleção de pornografia de seus pais, que os iniciou em uma vida de confusão sexual e exploração.
Uma enquete no ano de 2006 da National Association for Missing and Exploited Children (Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas), revelou que 79% da juventude teve acesso à pornografia, sem querer, no lar.
Para uma criança, a pornografia converte em normal o dano sexual, segundo a doutora Sharon Cooper, pediatra da Universidade de Carolina do Norte. “A investigação tem mostrado que o córtex pré-frontal – início do bom juízo, do sentido comum, do controle dos impulsos e das emoções – não está completamente maduro até que as crianças cheguem aos 20-22 anos de idade”, explicou ela.
Por tanto, a introdução da pornografia no córtex pré-frontal do cérebro é devastadora para as áreas chave do desenvolvimento de uma criança e pode alterar sua vida.
“Quando uma criança vê pornografia para adultos… seu cérebro a convencerá que estão experimentando realmente o que estão vendo”, acrescentou Cooper. Em outras palavras, o que uma criança vê na pornografia é que elas creem que é uma realidade.
Algumas crianças imitarão realmente o que vêem na pornografia e o experimentarão em irmãos, parentes e amigos.
Muitos estudos mostram que as crianças expostas à pornografia iniciam a atividade sexual numa idade mais cedo, têm mais pares sexuais e têm múltiplos pares num período curto de tempo.
Um estudo do ano 2001 na revista Pediatrics encontrou também que as adolescentes expostas à películas pornográficas têm relações sexuais com mais frequência e têm um forte desejo de ficarem grávidas.
Há ajuda e esperança
Afortunadamente, existem organizações, conselheiros e recursos que proporcionam esperança para os que sofrem os efeitos destrutivos da pornografia em crianças, matrimônios, relações e na sociedade.
Muitos dos que foram viciados– adultos e crianças por igual – tem sido ajudados através do aconselhamento ou exercícios on-line que oferecem os serviços de recuperação.
Mas é fundamental que cada pessoa e cada família façam uma verificação da realidade. Pergunta-te a ti mesmo se tu e tua família estão protegidos contra o flagelo da pornografia.
Têm um adequado controle paterno ou software que filtre o computador de casa? O computador está numa área aberta da casa? Se tem filhos, tens falado com eles acerca do custo espiritual e social da pornografia? Tens canais premium a cabo ou canais de satélites em teu televisor que oferecem pornografia com uma tarifa regular?
Se você está vendo pornografia ou material obsceno, você está danando sua alma e talvez as de seus filhos e de seu cônjuge. A advertência bíblica é grave: “Se teu olho te faz pecar, arranque-o” (Marcos 9, 47).
No mínimo, assegure-se que sua equipe, tanto em casa como no trabalho, tenha filtros e que você tenha “sócio com responsabilidade” – quem sabe sua esposa ou um bom amigo – que tenha acesso ao seu computador e aos lugares que visita.
Finalmente, envolva-se na guerra contra a pornografia. Vale a pena a luta para você, sua família e sua nação.
Patrick A. Trueman é o presidente e CEO da Morality in Media (A moral nos meios de comunicação). É um membro do Conselho de São Francisco Xavier 6608 na cidade de Buffalo, no Estado de Minnesota, nos Estados Unidos de América.
Trueman se desempenhou como chefe da Seção Exploração de Crianças e Obscenidade, Sala Penal, do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, nas presidências de Ronald Reagan e George HW Bush.
Versão original em inglês em http://www.lifesitenews.com/news/the-pornographic-plague
Nenhum comentário:
Postar um comentário