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PADRE ALDO TRENTO
Trabalha há mais de 20 anos no Paraguai
Da extrema esquerda, às missões, o sacerdócio e o trabalho com doentes crônicos
Aldo Trento desenvolveu uma fecunda obra caritativa na América Latina. Também estudou a história das missões jesuítas com os índios guaranis e pediu à Espanha que fique orgulhosa de sua atuação no continente americano.
Pablo J. Ginés/ ReL - 12 agosto 2012 - religionenlibertad.com
Recebeu numerosos galardões no Paraguai por seu trabalho humanitário. Também em sua Itália natal, porém estes os devolveu em protesto pela decisão do Governo de retirar a alimentação da jovem Eluana Englaro. "A garota foi vítima do ataque de uma cultura materialista", explica.
Com doentes incuráveis
"Em nossa casa de enfermos de São Ricardo Pampuri tenho um menino sem cérebro, mas vive, e vejo nele o rosto do Mistério. Se não existe Deus, a única coisa razoável é a anarquia, o poder do mais forte. Mas se existe um Deus Pai, cada um de seus filhos é divino, porque Ele os ama.
Por isso os índios guaranis chamavam ao deus criador de ´Tu-Pã´, ou seja, ´autor do maravilhoso´".
Espanha na América, sem vergonha
"Os espanhóis têm que estar orgulheosos de su papel na históoria da América", assegura com veemência este italiano.
"Se lemos o testamento da Rainha Isabel a Católica e outros documentos, se vê com claridade que a empresa da Espanha na América pretendia sobretudo evangelizar. Carlos V, depois de convocar o debate de Sepúlveda e As Casas em Valladolid, declarou que não lhe importava a quebra econômica ´para não perder uma só alma para Cristo´. Como em todo o humano, a cruz e a espada, a graça e o pecado, iam de mãos dadas.
O que eu digo é que os jesuítas eram uns enamorados de Cristo, do homem e dos guaranis. É incorreto e ideológico falar das reduções jesuítas dos siglos XVII e XVIII como ´utopia´, ´comunismo paraguaio´ ou ´república platônica´, porque em seus textos vemos que toda sua inspiração era o Evangelho, não os pensadores utópicos".
A beleza, não a força, conquistou os guaranis
"Durante dois anos os jesuitas só pregavam aos índios a beleza de Cristo e da salvação, nada de moralismo. Só depois educavam no matrimônio monógamo e na moral cristã.
Apenas havia dois ou três sacerdotes em comunidades de 2.000 o 3.000 índios: não se sustinha pela força de nenhuma maneira, era uma experiência de liberdade. A beleza, não a força, conquistou os guaranis".
A esquecida batalha de Mbororé
Recorda também um fato insólito que os manuais escolares quase nunca lembram nem na Espanha nem na América. "Durante décadas, os escravocratas portugueses atacaram as missões. O padre Montoya organizou um êxodo de 12.000 índios até a zona que hoje é a Argentina.
Como os ataques seguiam, pediram permissão ao rei para armar os guaranis, e o Papa emitiu uma bula condenando os ataques às missões. A milícia guarani treinada por jesuítas ex-militares venceu um exército de mais de 3.000 escravocratas na batalha de Mbororé em 1641 e as missões floresceam um século mais. Talvez o fato militar mais importante da América hispana, mas na América do Sul apenas se ensina porque aos massons não interessa".
Aldo Trento há muito abandonou o marxismo de sua juventude. Hoje, entre pobres e doentes, denuncia "um falso cristianismo indigenista, onde parece que Jesus só se interessa pelos índios".
Da depressão à fecundidade
Chegou ao Paraguai há mais de 20 anos, consumido em uma depressão interminável. Mas dessa vivência sairam suas obras: um centro para enfermos crônicos e terminais, um asilo, uma escola, uma granja para enfermos de aids, um serviço de doadores de sangue e um banco de alimentos.
Escreveu dois livros sobre as missões dos jesuítas com os índios guaranis nos séculos XVII e XVIII. É membro da fraternidade São Carlos Borromeu, sacerdotes missionários de Comunhão e Libertação.
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