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Ennio Morricone explica como sua fé se faz música: «Há uma espiritualidade em minha composição» É o compositor de "A Missão", "Os intocáveis"...
O célebre compositor italiano prepara um grande espectáculo musical sobre a figura de Karol Wojtyla e estréia estes dias um inédito sobre 'A Bíblia'.
M.V. / ReL - 1 octubre 2012 - religionenlibertad.com
A notícia saiu no mês de agosto: o maestro compositor italiano Ennio Morricone -conhecido pelas memoráveis trilhas sonoras dos “spaghetti western” dos anos sessenta, como “O bom, o feio e o mau”, “Por um punhado de dólares”,ou “Até que chegou sua hora”, mas sobretudo pelos filmes inesquecíveis como “A Missão”, “Os intocáveis”, “Cinema Paradiso”, ou “O clan dos sicilianos”- prepara a partitura de um grande musical internacional sobre a figura de João Paulo II que se estreará em 2013 e que conta com o apoio entusiasta do cardeal e arcebispo de Cracóvia, Stanislao Dziwisz.
“Minha fé contribui em minha música"
Morricone sempre reconheceu públicamente sua fé: “Quando tenho que escrever uma peça religiosa, certamente minha fé contribui para isso. Há uma espiritualidade que sempre permanece em minha composição», explica o compositor, diplomado no Conservatório romano de Santa Cecília com o professor Goffredo Petrassi: “A espiritualidade presente em suas partituras me marcou sempre, mesmo eu nunca me considerando somente um compositor místico-sacro”, sustenta.
Repassando sua trajetória musical, Morricone crê “ter tocado ao máximo o sagrado quando relatou a alma do homem nas séries de televisão sobre João XXIII e João Paulo II, mas também nas películas de Sergio Leone, onde além de violência, há sempre esperança. Uma esperança que sempre incluí implicitamente em todas minhas partituras”, reconhece. Um balanço artístico que parte de uma certeza, explica Morricone: “a de ter recebido a graça do talento e ter tido a sorte de estudar música”.
“Um intercâmbio de emoções”
Depois de ter escrito a partitura de quase 500 filmes e trabalhado com os principais diretores, (Leone, Bertolucci, Brian De Palma, Tornatore, Polanski, Tarantino…), nos seus 84 anos, Ennio Morricone segue em plena ebulição profissional e embarcou em um giro que celebra seus dez anos de concertos ao vivo por todo o mundo: “Sempre tinha dirigido minhas músicas, mas só no estúdio de gravação. Faz dez anos me pediram que as dirigisse em um concerto”, explica em uma entrevista ao diário italiano Avvenire. Desde então, o maestro levou suas trilhas sonoras ao Teatro de Scala, ao Royal Albert Hall, à Assembléia Geral da ONU em Nova York ou à Praça de Tiananmen em Pequim.
“Cada vez que me subi ao estrado não pude deixar de levar a suite da música para o filme de Sergio Leone, “A Missão”, explica Morricone, que com a memória volta ao 28 de setembro de 2002, quando, na Arena de Verona começou sua aventura de concertos ao vivo: “Dirigir no teatro minhas músicas me produziu um estranho efeito: acostumado a escutar as notas pelos fones, ao vivo me encontrei rápido ouvindo-as junto ao público que respirava atrás de mim, em um intercâmbio de emoções continua”, relata.
Um inédito sobre o Antigo Testamento
Como motivo deste giro decidiu recuperar uma partitura que leva numa caixa há 48 anos. Se intitula “A Bíblia”: “São quinze minutos de música inédita. Faz muitos anos me pediram um modelo para um filme sobre o Antigo Testamento: a música gostei muito, mas, por escolha do produtor, o filme nunca chegou a rodar”.
O compositor a recuperou e a converteu em um afresco em dois quadros: “A criação e a Torre de Babel para orquestra e côro: se na primeira parte, o relato é confiado aos instrumentos, na segunda as vozes cantam um texto em hebreu”, explica o galardoado compositor, que, entre outros, conta com o Prêmio Honorífico da Academia, cinco nomeações ao Oscar, cinco Baftas e um Grammy.
Na terra de João Paulo II
Satisfações profissionais teve muitas, começando pelo Oscar, mas, “nunca teve tempo de desfrutá-las porque sempre trabalhou olhando para diante. Teve também momentos de profunda crise superados graças à confiança nas capacidades e no talento que me foram dados”.
E também hoje, no umbral dos 84 anos, -os cumprirá no próximo 10 de novembro com um concerto em Milão- , seu rítmo de vida não mudou: “Levanto-me muito cedo, pelas quatro e meia da madrugada. Faço ginástica, leio os jornais, e pelas oito e meia já estou trabalhando”.
Sobre a mesa tem a trilha sonora para o próximo filme de Giuseppe Tornatore, 'A melhor oferta'. Mas me espera uma viajem à Polônia onde me darão um prêmio: na terra do beato João Paulo II levarei 'Depois do Céu e a Terra', uma página dedicada ao papa polonês».
A figura de Karol Wojtyla foi levada aos cenários com musicais anteriores, como o intitulado 'Não tenhais medo', visto por mais de 21.000 pessoas na Espanha e representado em 5 de agosto pp. na Polônia, e o roqueiro Wojtyla Generation, centrado em histórias de jovens que viveeram debaixo de seu pontificado e o seguiram durante as Jornadas Mundiais da Juventude, dirigido por Raffaele Avallone, estreado na Polônia no ano de 2009 e representado na passada 'JMJ Madri 2011'.
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