Eis que venho, Senhor!

Eis que venho, Senhor!
Com alegria, Senhor, faço a Vossa Vontade.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

As sete palavras de Cristo Crucificado hoje.


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As sete palavras de Cristo Crucificado hoje

São Paulo disse na carta aos romanos: «nós, sendo muitos, não formamos mais que um só corpo em Cristo, sendo cada um por sua parte   uns membros dos outros» (Rom 12, 5). E este corpo está, hoje também, crucificado… e nos fala suas sete palavras.

Juan Antonio Ruiz Sacerdote, LC -27/03/13- infocatolica.com

 «Quando for elevado, atrairei todos  a mim» (Jo 12, 32). Hoje nos encontramos aos pés de Cristo na cruz, aos pés de um moribundo. E estamos aqui para acompanhar-lhe, para demostrar-lhe nosso amor profundo. Mas também para escutar-lhe.

Geralmente dizem que as últimas palavras de uma pessoa são sagradas, pois nos marcam com fogo a última recordação da pessoa amada. Mas o agonizante que acompanhamos não é um a mais: é o Filho de Deus. E sua morte não é uma a mais: através dela está redimindo a Humanidade. Estamos assistindo, sem lugar à dúvidas, a morte mais impressionante que o Universo poderá jamais presenciar.

E ainda assim alguém levanta uma objeção: «na realidade estamos diante de um simples quadro. Cristo está desenhado aí e, sim, sentimos tristeza e amargura… mas de um fato passado, algo que eu não vivi na primeira pessoa. Por isso não me impressiona tanto».

São Paulo disse na carta aos romanos: «nós, sendo muitos, não formamos mais que um só corpo em Cristo, sendo cada um por sua parte   uns membros dos outros» (Rom 12, 5). E este corpo está, hoje também, crucificado… e nos fala suas sete palavras. Escutemo-las!
***
Primeira Palavra:

«Faz nove meses que uma parte de mim morreu. Esta é a história de como abortei, e agora, cada dia, me arrependo. Eu sempre beijava por onde pisava meu noivo. Já sabeis, a ilusão, o carinho, nos metemos a comprar nosso piso…, e então ocorreu. Fui ao médico, e qual foi minha surpresa quando me disse que estava grávida! Quase me dá um infarto quando vi a ultra-sonografia. Estava de mais de um mês.

«O caso é que nem meu noivo nem eu nos sentíamos preparados. Então marcamos hora numa clínica privada onde se praticam abortos. E demoraram duas semanas para receber-nos. Nesse tempo, eu cada dia queria um pouco mais a criança que levava dentro. Não sabia explicar a sensação. Percebia seu coração em meu ventre e me sentia cada vez mais feliz, deixava de pensar no dinheiro, em como íamos pagar tudo. Meu pequeno me fazia sentir-me feliz. Mas meu noivo afastava a mão de meu ventre. Sempre se referia a ele como a um estorvo.

«No dia em que fomos à clínica eu me sentia muito mal, queria chorar. Mas ele me dizia que, quanto antes nos livrássemos do problema, tudo voltaria à normalidade. Na clínica demoraram mais de um mês em marcar a data. Disseram-me que tomasse três pastilhas seguidas e que não aconteceria nada. Mas como podia eu seguir só adiante com minha gravidez? O que ia   fazer? Reconheço, me assustei.

No final, acabei suplicando-lhe. Implorei como jamais o fiz com ninguém. Chorei de joelhos,  disse que queria tê-lo. Que se não o tivesse, eu morreria.
«Querem saber o que aconteceu, no final, com meu bebê?   Tomei só  duas pastilhas, já que começaram as contrações antes de tomar  a terceira. Ninguém queria nos atender  no hospital, porque justamente naquela hora era mudança de    guarda. E estive quase três horas sentada em uma cadeira de rodas, pois não podia nem andar. Então, um médico jovem saiu da ginecologia e me viu. Perguntou-me se tinha urinado em cima. Deus, era sangue! Fiquei quase hora e meia sangrando.

O sangue havia manchado meus jeans e tinha jorrado até minhas calcinhas. Pararam a hemorragia. E me drogaram pela  dor. Com cólicas, tão drogada como estava, fui ao banheiro, e sem poder evitar  me pus  contra a parede e com os joelhos tocando-me o peito e comecei a empurrar sem saber como. E saiu.

«Eu  queria ficar com ele. Era meu. E o abracei e me pus a dormir com ele sobre o chão do banheiro do hospital. Queria morrer  com ele. Era um bebê, mas bem pequeno, como um  desses gatinhos de um mês e meio que te cabem na palma da mão. Com seus olhinhos. Suas perfeitas mãozinhas. Seus vinte dedinhos. Seus pezinhos… Ainda não posso falar disso sem por-me  a chorar. Ele chegou e o atirou na privada. Só  podia pensar em meu bebê. Onde estava? Por que  não o tinha mais comigo? Eu sentia como se tivesse  dado a luz, e me tivessem roubado  meu nenê. Deus bendito! Tinha jogado  mi filho na privada! Odiei meu noivo por tudo o que tinha passado. Agora já não busco culpados. Só  sei que ele não me quer. E que é um covarde. Mas  não me provoca mais asco ou ódio. Só  tristeza. Beijos, e espero que os outros vos anime. Uma mãe» (Testemunho aparecido em Alfa e Omega, junho de 2005).

São palavras que suplicam perdão, que desejam o perdão. Elas nos dizem: Dá-te conta, cristão! Necessito o perdão, necessito o consolo. Não me negues tu… aproxima-me de Deus. Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.

Segunda Palavra:

Sandro Pertini, presidente da República da Itália, era socialista e ateu. Mas depois do primeiro encontro com o Papa João Paulo II, algo tocou os cimentos de sua alma. Após essa data, iniciou uma profunda amizade com o Santo Padre,   que chamava continuamente por telefone. Não duvidava em considerar o Papa «seu amigo».

Anos depois, em seu leito de morte, Pertini chamou o Vaticano: queria falar com João Paulo II. O Papa não duvidou nem um momento: cancelou todas suas audiências e se dirigiu ao hospital. Mas ao chegar à porta do quarto,  encontrou com um problema insuspeito: a esposa de Pertini o impe­diu de entrar; nem sequer lhe dirigiu o olhar.

O Papa, ao ver a firmeza da mulher, tranquilamente   disse: «Posso trazer uma cadeira? Assim, pelo menos, posso ficar perto mesmo que seja aqui fora». Quando se sentou, pegou de seu bolso a coroa do rosário. De novo, se dirigiu, com serenidade, à senhora: «Olhe, não há nenhuma necessidade que entre no quarto. Meu amigo me  chamou e eu   vim, nada mais». Dito isto, começou a rezar no corredor. Passados uns momentos,  depois de terminar seu breviário, o Santo Padre afirmou: «Agora ele está em paz». E se foi.

Esta é talvez uma das palavras mais importantes: «Hoje estarás comigo no  paraíso». O paraíso! A eternidade com Deus. O que há de mais importante que isso? Para uma pessoa, nada. Se joga toda a eternidade no momento de sua morte. Cristo, faz 2000 anos, o soube e por isso   brindou ao ladrão a possibilidade… estando Ele crucificado. Como católicos somos chamados a dizer também à muitas almas, a este mundo que vive crucificado. Ânimo, hoje estarás na eternidade com Deus, no paraíso!

Terceira Palavra:

«Eu amo muito a dor e a Cruz. Não   me dou bem fazendo grandes penitências, mas se acolho com alegria as dores e sofrimentos com os que meu Senhor me abençoa. Quanto bem se pode fazer abraçando nossa cruz com amor! A dor é um meio para conhecer e consolar o doce Coração de nosso Jesus, é também um meio poderosíssimo para resgatar almas, para aproximá-las de nosso amado Senhor.

Como não acolhê-la com alegria, amor e agradecimento!
«Há tempos, nosso Senhor se serviu de mim para ajudar a um irmão teu  de sacerdócio cuja alma estava em gravíssimo perigo de se perder. Independentemente de orar muito por ele nesse momento concreto de sua vida em que devia escolher que caminho seguir (permanecer em seu sacerdócio ou caminhar para sua perdição), creio que o que mais força teve foi o grande sofrimento que experimentei. Foi nesse momento tão intenso, em que pude perceber em minha alma esse combate mortal do Maligno por um alma, que aprendi a amar a dor. Que sede de padecer! Daria minha vida para resgatar esta alma, eu   pedia a nosso Senhor mais sofrimento, porque de algum modo entendia que essa dor intensa era o meio mais eficaz para trazer de volta esta alma. Por fim, terminou o combate e a alma escolheu o caminho de sua salvação que agora percorre, com sofrimento ainda, mas ternamente abraçado ao seu sacerdócio» (Mensagem que recebi em 2010).

Quem é minha mãe e meus irmãos? Aqueles que cumprem a vontade de meu Pai são minha mãe, minha irmã e meu irmão (cf. Lc. 8, 21). E nós vemos com imensa gratidão esta parte do Corpo Crucificado que se mantém fiel, que luta cada dia. Que, como Maria, está ao pé da Cruz e nos consola e estimula. E podemos dizer: Eis aí teu Filho! Eis aí tua Mãe! Os fiéis, os que acompanham o Cristo sofredor.

Quarta Palavra:

«Para Boddah:
«Falando como o estúpido com grande experiência que preferiria ser um charlatão infantil castrado. Esta nota deveria  ser muito fácil de entender. Tudo o que me ensinaram nos cursos de punk-rock que eu segui  ao longo destes anos, desde meu primeiro contato com a, digamos, ética da independência e o vínculo com meu entorno  resultou certo.

Já faz demasiado tempo que não me emociono nem escutando nem criando música, nem tampouco escrevendo-a, nem sequer fazendo Rock'n'Roll. Sinto-me incrivelmente culpado. Por exemplo, quando se apagam as luzes antes do concerto e se ouvem os gritos do público, a mim não me afetam tal como afetavam  Freddy Mercury, a quem parecia encantar  que o público o amasse e adorasse. O qual admiro e invejo muitíssimo.

De fato não vos posso enganar, a nenhum de vós. Simplesmente não seria justo nem para vós nem para mim. Simular que estou passando  100% bem seria o pior crime  que eu pudesse imaginar. Às vezes tenho a sensação de que teria que assinar antes de subir ao palco. Tentei tudo para que isso não ocorresse. (E sigo tentando, creia-me Senhor, mas não é suficiente). Sou consciente de que eu, nós, temos feito  muita gente gostar de nós. Devo ser um daqueles narcisistas que só  apreciam as coisas quando já  ocorreram. Sou demasiado sensível. Necessito estar um pouco anestesiado para recuperar o entusiasmo que tinha quando era um menino.

Nestas três últimas tournês  apreciei muito mais toda as pessoas que conheci  pessoalmente que são fans nossos, mas  apesar disso não posso superar a frustração, a culpa e a hiper-sensibilidade com as pessoas. Só  existe bem em mim, e penso que simplesmente amo demasiado as pessoas. Tanto, que isso me faz sentir desagradavelmente triste. O típico peixe triste, sensível, insatisfeito, Deus meu! Por que não posso desfrutar? Não o sei! Tenho uma mulher divina, cheia de ambição e compreensão, e uma filha que me recorda muito como eu era. Cheia de amor E alegria, confia em todo o mundo porque para ela todo o mundo é bom e crê que não lhe farão mal. Isso me assusta tanto que quase me imobiliza.

Não posso suportar a ideia de que Frances se converta em uma rockeira sinistra, miserável e auto-destrutiva como no que me converti  eu. Eu tenho tudo, tudo. E   aprecio, mas desde os sete anos odeio as pessoas no geral... Só porque para as pessoas  fácil se relacionar  e serem compreensivas. Compreensiva! Só  porque amo e me compadeço demasiado das pessoas.

«Obrigado a todos desde o mais profundo de meu estômago nauseabundo por vossas cartas e vosso interesse durante os últimos anos. Sou uma criatura volúvel e lunática. Acabou a minha paixão. E recordem que é melhor queimar-se que apagar-se lentamente.

«Paz, amor e compreensão. Kurt Cobain

«Frances e Courtney, estarei em vosso altar. Por favor Courtney, siga adiante, por Frances, por sua vida que será muito mais feliz sem mim. Eu vos quero. Eu vos quero!» (Carta do vocalista do Nirvana, Kurt Cobain, antes de suicidar-se).
Tenho sede: tenho sede de carinho, tenho sede de felicidade… tenho sede de um sentido em minha vida. Sede… sede.

Quinta Palavra:

«Agora Pai -desde os anos de 49 ou 50 tenho este terrível sentido de perda- esta escuridão indizível -esta solidão- este contínuo desejo de Deus -que me proporciona essa dor no  fundo de meu coração-. A escuridão é tal que realmente não vejo -nem com minha mente nem com minha razão-. O lugar de Deus em minha alma está vazio. Não há Deus em mim. Quando a dor do desejo é tão grande -eu só  penso uma ou outra vez em Deus- e então é que sinto -que Ele não me quer- que Ele não está ali... Deus não me quer. Às vezes -só  escuto   meu coração gritar-

«Meu Deus» e não vem nada mais. Não posso explicar a tortura e a dor» (Madre Teresa de Calcutá, no livro «Vem, seja minha luz»).
Meu Deus, meu Deus!, por que me  abandonaste? Duvido de ti, não vejo por onde, estou já cansado de lutar. Não és um Pai bom? Não velas por minha felicidade? Por que me  abandonaste?

Sexta Palavra:

As estatísticas falam de mais 10.000 os mortos no Japão pelo tsunami do mês de março do ano 2011, o redor de 316.000 no terremoto de Haiti de 2010, 10.000 mortos e 55.000 feridos na guerra de Líbia, por volta de 40.000 pessoas as mortas no México pela insegurança na guerra contra o narcotráfico, 1.033.000  na guerra de Iraque, um milhão de mortos no mês que durou o masacre em Ruanda em 1994.

Em nossa sociedade, fora dos âmbitos das guerras e catástrofes, 1,2 milhões de pessoas morrem por acidentes de tráfico por ano, 3.421 pessoas se suicidaram  durante 2008 na Espanha, 41.000 mulheres morrem por câncer de pulmão por ano nos Estados Unidos… 10.000, por outros cânceres. 2.863.649 abortos na Europa em 2008, 1,21 milhões só  nos Estados Unidos.

Pai, em tuas mãos encomendo meu espírito! Morte, abandono desta terra. Tantos homens que se vão do nosso lado e viajam à  eternidade. Como fazem? Qual será o juízo misericordioso de Deus sobre eles?

Sétima Palavra:

«Todo está consumado». Cristo na cruz cumpriu sua missão e abriu as portas do paraíso à humanidade. Por isso, esta palavra é uma palavra de esperança: ânimo! Eu cumpri. Poderás passar deste lar temporal à Casa do Pai.

Mas algo acontece com esta palavra. Porque os homens querem HOJE escutar esta palavra e a quem olham? À  cruz? Sim, mas sobretudo, olham o Cristo Crucificado que é cada um de seus filhos católicos (especialmente de seus sacerdotes, de seus homens consagrados). E nos interrogam: Cristo cumpre em ti sua missão? De teus lábios me vem palavras de perdão para meus pecados, de salvação para minha alma, de ânimo em minha fidelidade, de carinho e compreensão em minha sede, de sentido em minha dúvida, de companhia em minha morte? És Cristo para mim?

Esta palavra é a que mais deve chegar-nos: é uma palavra que toca o mais fundo de nossa vida. Todo está consumado! Isto se realiza de modo particular na vida do sacerdote, pois deve configurar-se com Cristo Crucificado. Vão nos crucificar, não o duvidemos. Mas desta cruz, de nossos sofrimentos e dores, muitas almas receberão estas sete palavras de eternidade.

Peçamos hoje a este Moribundo, que nos permita ser fiel reflexo de seu amor à humanidade. Que também a nós uma lança nos atravesse o costado, mas que não só  nos traspasse o coração, mas que nos mude para que nossas pulsações sejam as de Cristo, que nosso pensar seja o d'Ele, que nosso amor ame com Ele. Que nossa vida seja um viver com Cristo, inclusive indo até a morte e uma morte de Cruz mas sabendo que, ao terceiro dia, ressuscitaremos com Ele.

P. Juan Antonio Ruiz, LC
http://infocatolica.com/?t=opinion&cod=16887

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