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Do termo "judeu", diferente de semita, hebreu, israelita, israelense, sionista, etc.
Luis Antequera- 1 julho 2013-religionenlibertad.com
Um montão de palavras, como temos dito várias vezes, que na maioria das vezes soará o mesmo e que, no entanto, têm, todas e cada uma, seu significado muito preciso e diferenciado das demais. Então há uns dias víamos tudo relativo a primeira, “semita”, algo menos tudo relativo a segunda, “hebreu” e algo menos ainda tudo relacionado com a terceira, “israelita”, vamos hoje ver tudo o que concerne a quarta, “judeu”.
O grande patriarca dos judeus, Jacó, teve doze filhos, como nos explica o livro do Gênesis:
Judá conforme retrata Horace Vernet (1840)
“Os filhos de Jacó foram doze. Filhos de Lia: o primogênito de Jacó, Ruben; depois Simeão, Levi, Judá, Isacar e Zabulon. Filhos de Raquel: José e Benjamin. Filhos de Bilá, a escrava de Raquel: Dan e Neftali. Filhos de Zilpa, a escrava de Lia: Gad e Aser. Estes foram os filhos de Jacó, que nasceram em Padan Aram”. (Gn. 35, 22-26)
Depois de emigrar ao Egito, quando graças a Moisés os israelitas foram guiados por Deus à Terra Prometida em Canaã, seu território se repartiu entre as Doze Tribos, fazendo dele onze pedaços, e repartindo a duodécima tribo, a dos levitas, escolhidos por Deus para o sacerdócio, no território das outras onze.
Reinos de Israel e da Judeia
Na morte do Rei Salomão, estes onze territórios se veem divididos em duas grandes unidades: o Reino de Israel ao norte, em que moram a maioria dos membros de dez das doze tribos e onde reina Jeroboão, um funcionário da corte de Salomão; e do Reino da Judeia ao sul, que ocupam principalmente os descendentes de Judá, onde reina Roboão (930-913 a.C.), filho e herdeiro de Salomão, que recebe de seu pai o reino completo mas perde a parte setentrional diante de Jeroboão acima citado. Pois, é desde este momento que, com toda propriedade, se pode falar de “judeus”, ou seja, aqueles descendentes de Abraão e de Jacó pertencentes a tribo de Judá, que formam seu próprio reino “judeu”, sobre o território não por casualidade chamado de Judeia.
Sobrevêem os tempos da idolatria e dos sonoros discursos proféticos que anunciam o desastre. E o desastre não se faz esperar. No ano de 733 a.C., os assírios submetem o reino do norte, Israel, e deportam e escravizam todos seus habitantes, colonizando seus territórios.
O destino da Judeia, não mais tarde, vai ser muito diferente: o bíblico Nabucodonosor II (604-562 a.C.), rei dos caldeus, sucessores de todos os efeitos dos assírios, conquista a Judeia e devasta sua capital Jerusalém, reduzindo o Templo de Salomão a cinzas. Alguns de seus habitantes são deportados para a Babilônia, ou seja a terra do grande Patriarca Abraão; uns poucos fogem para o Egito, iniciando a primeira das muitas diásporas (do grego, diásporas=dispersão) que dali em diante vai ser familiar para os judeus; e um terceiro grupo permanece no país.
Na Babilônia, os que já conhecem com toda propriedade como “judeus” procedentes do reino de Judá ou Judeia, como se conhece dos tempos de Jesus, em sua grande maioria da tribo de Judá mas que também conviveram nele alguns membros de outras tribos, e como o já fizeram antes no Egito, longe de desaparecer, em um processo admirável digno de estudo que converte o povo hebreu em um caso singular na história, se afirmam como nação, e aperfeiçoam sua religião nas primeiras sinagogas que, ante a desaparição do Templo, se constroem. Os judeus que menos tempo permaneceram na Babilônia, ficaram cinquenta anos, isto é, duas gerações, e os que mais ficaram, por volta dos cem anos, isto é, quatro gerações.
A caída do reino babilônio em 538 a.C. diante da invasão dos persas, faz que os judeus consigam do rei Ciro de Pérsia a permissão para voltar à terra de origem. Sob o comando de Sesbazar, uma primeira onda de judeus inicia o caminho de volta para casa. Sob o de Zorobabel, se levanta de novo o Templo, fato com que se inicia o que se chamou o “Período do Segundo Templo”. E surge, como tantas outras vezes, o homem providente: se trata desta vez de Esdras (s. V a.C.), que regressa da Babilônia com a segunda onda de exilados em 428 a.C., recompõe a Aliança de Deus com seu povo, cria o Sinédrio ou conselho supremo, e proclama a Torah ou Lei de Deus como lei fundamental dos judeus, coisa que ocorre provavelmente em 398 a.C., sendo rei da Pérsia Artaxerxes II.
Com todos estes antecedentes, vimos que “semitas” seriam os descendentes de Sem e o termo se reserva para a grande raça que engloba todos os povos do Oriente Médio, ainda que “anti-semitismo” só se refira à fobia contra os judeus; “hebreus” seriam os descendentes de Heber e o termo se reserva para a língua que falam os judeus; e “israelitas” são os descendentes de Jacó (ou Israel) e o termo se refere à nacionalidade; “judeus” são os descendentes de Judá e o termo se reserva hoje em dia ao povo judeu (vale a redundância) e para a religião que o dito povo professa.
©L.A.
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Luis Antequera
De formação jurídico-econômica, profissionalmente falando Luis Antequera tem trabalhado tanto no mundo bancário como no do ensino. As três paixões que dedica seu tempo são a literatura, a história das religiões e a atualidade sócio-política. Já publicou três livros, “Jesus no Corão”, “O cristianismo desvendado” e “Direito de nascer”. Tem colaborado em diversos programas de rádio e televisão. Atualmente é diretor do programa de rádio “Igreja perseguida”, quinzenalmente aos sábados às 15:00 hs., e colaborador do programa “Diálogos com a Ciência”, nas sextas-feiras às 00:00 hs., realizados ambos na Rádio Maria. 'Em corpo e alma' oferece cada dia seu ponto de vista sobre o mundo convulso que vivemos.
Luis Antequera, encuerpoyalma@movistar.es, é autor, editor e responsável pelo Blog 'En cuerpo y alma', alojado no espaço da web de www.religionenlibertad.com
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