O TESOURO ESCONDIDO DA A SANTA MISSA
São Leonardo de Porto Maurício (1676-1751)
7. (continuação) A Santa Missa proporciona um grande alívio às almas do purgatório
Oh, bendita Missa, que tão útil é aos vivos e aos mortos no tempo e na eternidade! Com efeito, estas almas santas são tão agradecidas aos seus bem feitores, que, estando no céu, se constituem ali suas advogadas, e não cessam de interceder por eles até vê-los na posse da glória. Como prova disto vou contar o que aconteceu a uma mulher perversa que vivia em Roma. Esta desgraçada, tendo esquecido inteiramente do importantíssimo negócio de sua salvação, não tratava mais que de satisfazer suas paixões sozinha, servia-se de auxiliar do demônio para corromper a juventude.
Em meio de suas desordens ainda praticava uma boa obra, que era mandar celebrar em certos dias a Santa Missa pelo eterno descanso das almas benditas do purgatório.
Pelo efeito das orações destas almas santas, como se crê piedosamente, sentiu-se um dia aquela infeliz mulher surprendida por uma dor tão amarga por seus pecados, que de repente, e abandonando o infame lugar onde se encontrava, foi prostrar-se aos pés de um zeloso sacerdote para fazer sua confissão geral.
Em pouco tempo morreu com as melhores disposições e dando sinais dos mais certos de sua predestinação. E a que poderemos atribuir esta graça prodigiosa, senão ao mérito das Missas que ela fazia celebrar em alívio das almas do purgatório?
Despertemos, pois, da letargia de nossa falta de devoção, e não permitamos que os publicanos e as mulheres perdidas nos precedam em conseguir o reino de Deus (Mt 21,31).
Se fossem do número daqueles avarentos, que não somente quebram as leis da caridade descuidando da oração por seus defuntos e não ouvindo, ao menos de tempo em tempo, uma Missa por estas pobres almas, mas, profanando os sagrados foros da justiça, recusam satisfazer os legados piedosos e fazer celebrar as Missas apoiadas por seus antepassados ou que, sendo sacerdotes, acumulam um considerável número de esmolas, sem pensar na obrigação de cumpri-las a tempo, ah! avivado então pelo fogo de um santo zelo, te direi cara a cara: Retira-te, porque és pior que um demônio; porque os demônios no final só atormentam os réprobos, mas tu atormentas os predestinados; os demônios empregam seu furor com os condenados, mas tu descarregas o teu sobre os escolhidos e amigos de Deus.
Não, certamente: não há para ti confissão que valha, nem confessor que possa absolver-te, enquanto não faças penitência de tal iniquidade e não preencha obedientemente tuas obrigações com os mortos. Mas, meu Pai, dirá alguém, eu não tenho meios para isso... não me é possível... Como não podes? Como não tens meios? E te faltam por ventura para brilhar nas festas e espetáculos do mundo? Faltam recursos para um luxo excessivo e outras superficialidades? Ah! Tens meios para ser pródigo em tua comida, em tuas diversões e prazeres e... talvez em tuas desordens escandalosos?
Em uma palavra, tens recursos para satisfazer tuas paixões, e quando se trata de pagar tuas dívidas aos vivos, e o que ainda é mais justo, aos defuntos, não tens com que satisfazê-las? Não podes dispor de nada em seu favor?
Ah! compreendo: é que não há no mundo quem examine essas contas, e te esqueces neste assunto de que precisa se aproximar de Deus. Continua, pois, consumindo a propriedade dos mortos, os legados piedosos, as rendas destinadas ao Santo Sacrifício; mas tem presente que existe nas Santas Escrituras uma ameaça profética registrada contra ti; ameaça de terríveis desgraças, de enfermidades, de reveses de fortuna, de males irreparáveis em tua pessoa e em tua reputação.
É palavra de Deus, e antes que ela deixe de cumprir-se faltarão os céus e a terra. A ruína, a desgraça e males irremediáveis descarregarão sobre as casas daqueles que não satisfazem suas obrigações para com os mortos. Percorre o mundo, e sobretudo os povos cristãos, e verás muitas faílias dispersas, muitos estabelecimentos arruinados, muitos armazéns fechados, muitas empresas e companhias com suspensão de pagamentos, muitos negócios frustrados, quebras sem número, imensos trastornos e desgraças sem conta. Diante deste quadro tristíssimo exclamarás sem dúvida: Pobre mundo, infeliz sociedade! Bem, se buscas a origem de todos estes desastres, acharás que uma das causas principais é a crueldade com que se trata os defuntos, descuidando em socorrê-los como é devido, e não cumprindo os legados piedosos: além disso, se cometem uma infinidade de sacrilégios, é profanado o Santo Sacrifício, e a casa de Deus, segundo a enérgica expressão do Salvador, é convertida em cova de ladrões.
E depois disto, quem se admirará de que o céu envie seus açoites, o raio, a guerra, a peste, a fome, os tremores de terra e todo gênero de castigos?
E por que assim? Ah! Devoraram os bens dos defuntos, e o Senhor descarregou sobre eles seu pesado braço: "Lingua eorum et adinventiones eorum contra Dominum. (...) Vae animae eorum, quoniam reddita sunt eis mala". (A língua e as suas obras são contra o SENHOR. (...) Ai de sua alma! Por que eles fazem mal a si mesmos ".)
Com razão, pois, o quarto Concílio de Cartago declarou excomungados estes ingratos, como verdadeiros homicidas de seus próximos; e o Concílio de Valência ordenou que a Igreja lançasse fora, como infiéis.
Ainda no é este o maior dos castigos que Deus tem reservado aos homens sem piedade para com seus defuntos: os males mais terríveis lhes esperam na outra vida.
O Apóstolo Tiago nos assegura que o Senhor julgará sem misericórdia, e com todo o rigor de sua justiça, aos que não foram misericordiosos com seus próximos vivos e mortos: "Iucicium enim sine misericordia illi qui non fecit misericordiam". ("Juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia".)
Ele permitirá que seus herdeiros lhes paguem na mesma moeda, ou, que não se cumpram suas últimas disposições, que não se celebrem por suas almas as Missas que necessitavam, e, no caso de que se celebrem, Deus Nosso Senhor, em lugar de tomá-las em conta, aplicará seu fruto para outras almas necessitadas que durante sua vida tiveram compaixão pelos fiéis defuntos.
Escuta o seguinte admirável sucesso que se lê em nossas crônicas, e que tem uma íntima conexão com o ponto da doutrina que vimos explicando.
Apareceu um religioso depois de morto para um de seus companheiros, e lhe manifestou as agudíssimas dores que sofria no purgatório por ter descuidado da oração em favor dos outros religiosos defuntos, e acrescentou que até então nenhum socorro tinha recebido, nem das boas obras praticadas, nem das Missas que se tinham celebrado para seu alívio; porque Deus, com justo castigo de sua negligência, tinha aplicado seu mérito para outras almas que durante sua vida tinham sido muito devotas das do purgatório.
Antes de concluir a presente instrução, permite-me que ajoelhado e com as mãos juntas te suplique encarecidamente, que não feches este pequeno livro sem ter tomado antes a firme resolução de fazer todas as diligências possíveis para participar e mandar celebrar a Santa Missa, com tanta frequência como teu estado e ocupações o permitam. Eu te suplico, não somente pelo interesse das almas dos defuntos, mas também pelo teu, e isto por duas razões: a primera, a fim de que alcances a graça de uma boa e santa morte, pois dizem constantemente os teólogos que não existe meio tão eficaz como a Santa Missa para conseguir este ditoso fim.
Nosso Senhor Jesus Cristo revelou a Santa Matilde, que quem tivesse o piedoso costume de participar devotamente da Santa Missa, seria consolado no instante da morte com a presença dos Anjos e Santos, seus advogados, que lhe protegeriam contra os artifícios do inferno. Ah! Que doce será tua morte se durante a vida participastes das Missas com devoção e com a maior frequência possível!
São Leonardo de Porto Maurício (1676-1751)
7. (continuação) A Santa Missa proporciona um grande alívio às almas do purgatório
Em meio de suas desordens ainda praticava uma boa obra, que era mandar celebrar em certos dias a Santa Missa pelo eterno descanso das almas benditas do purgatório.
Pelo efeito das orações destas almas santas, como se crê piedosamente, sentiu-se um dia aquela infeliz mulher surprendida por uma dor tão amarga por seus pecados, que de repente, e abandonando o infame lugar onde se encontrava, foi prostrar-se aos pés de um zeloso sacerdote para fazer sua confissão geral.
Em pouco tempo morreu com as melhores disposições e dando sinais dos mais certos de sua predestinação. E a que poderemos atribuir esta graça prodigiosa, senão ao mérito das Missas que ela fazia celebrar em alívio das almas do purgatório?
Despertemos, pois, da letargia de nossa falta de devoção, e não permitamos que os publicanos e as mulheres perdidas nos precedam em conseguir o reino de Deus (Mt 21,31).
Se fossem do número daqueles avarentos, que não somente quebram as leis da caridade descuidando da oração por seus defuntos e não ouvindo, ao menos de tempo em tempo, uma Missa por estas pobres almas, mas, profanando os sagrados foros da justiça, recusam satisfazer os legados piedosos e fazer celebrar as Missas apoiadas por seus antepassados ou que, sendo sacerdotes, acumulam um considerável número de esmolas, sem pensar na obrigação de cumpri-las a tempo, ah! avivado então pelo fogo de um santo zelo, te direi cara a cara: Retira-te, porque és pior que um demônio; porque os demônios no final só atormentam os réprobos, mas tu atormentas os predestinados; os demônios empregam seu furor com os condenados, mas tu descarregas o teu sobre os escolhidos e amigos de Deus.
Não, certamente: não há para ti confissão que valha, nem confessor que possa absolver-te, enquanto não faças penitência de tal iniquidade e não preencha obedientemente tuas obrigações com os mortos. Mas, meu Pai, dirá alguém, eu não tenho meios para isso... não me é possível... Como não podes? Como não tens meios? E te faltam por ventura para brilhar nas festas e espetáculos do mundo? Faltam recursos para um luxo excessivo e outras superficialidades? Ah! Tens meios para ser pródigo em tua comida, em tuas diversões e prazeres e... talvez em tuas desordens escandalosos?
Em uma palavra, tens recursos para satisfazer tuas paixões, e quando se trata de pagar tuas dívidas aos vivos, e o que ainda é mais justo, aos defuntos, não tens com que satisfazê-las? Não podes dispor de nada em seu favor?
Ah! compreendo: é que não há no mundo quem examine essas contas, e te esqueces neste assunto de que precisa se aproximar de Deus. Continua, pois, consumindo a propriedade dos mortos, os legados piedosos, as rendas destinadas ao Santo Sacrifício; mas tem presente que existe nas Santas Escrituras uma ameaça profética registrada contra ti; ameaça de terríveis desgraças, de enfermidades, de reveses de fortuna, de males irreparáveis em tua pessoa e em tua reputação.
É palavra de Deus, e antes que ela deixe de cumprir-se faltarão os céus e a terra. A ruína, a desgraça e males irremediáveis descarregarão sobre as casas daqueles que não satisfazem suas obrigações para com os mortos. Percorre o mundo, e sobretudo os povos cristãos, e verás muitas faílias dispersas, muitos estabelecimentos arruinados, muitos armazéns fechados, muitas empresas e companhias com suspensão de pagamentos, muitos negócios frustrados, quebras sem número, imensos trastornos e desgraças sem conta. Diante deste quadro tristíssimo exclamarás sem dúvida: Pobre mundo, infeliz sociedade! Bem, se buscas a origem de todos estes desastres, acharás que uma das causas principais é a crueldade com que se trata os defuntos, descuidando em socorrê-los como é devido, e não cumprindo os legados piedosos: além disso, se cometem uma infinidade de sacrilégios, é profanado o Santo Sacrifício, e a casa de Deus, segundo a enérgica expressão do Salvador, é convertida em cova de ladrões.
E depois disto, quem se admirará de que o céu envie seus açoites, o raio, a guerra, a peste, a fome, os tremores de terra e todo gênero de castigos?
E por que assim? Ah! Devoraram os bens dos defuntos, e o Senhor descarregou sobre eles seu pesado braço: "Lingua eorum et adinventiones eorum contra Dominum. (...) Vae animae eorum, quoniam reddita sunt eis mala". (A língua e as suas obras são contra o SENHOR. (...) Ai de sua alma! Por que eles fazem mal a si mesmos ".)
Com razão, pois, o quarto Concílio de Cartago declarou excomungados estes ingratos, como verdadeiros homicidas de seus próximos; e o Concílio de Valência ordenou que a Igreja lançasse fora, como infiéis.
Ainda no é este o maior dos castigos que Deus tem reservado aos homens sem piedade para com seus defuntos: os males mais terríveis lhes esperam na outra vida.
O Apóstolo Tiago nos assegura que o Senhor julgará sem misericórdia, e com todo o rigor de sua justiça, aos que não foram misericordiosos com seus próximos vivos e mortos: "Iucicium enim sine misericordia illi qui non fecit misericordiam". ("Juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia".)
Ele permitirá que seus herdeiros lhes paguem na mesma moeda, ou, que não se cumpram suas últimas disposições, que não se celebrem por suas almas as Missas que necessitavam, e, no caso de que se celebrem, Deus Nosso Senhor, em lugar de tomá-las em conta, aplicará seu fruto para outras almas necessitadas que durante sua vida tiveram compaixão pelos fiéis defuntos.
Escuta o seguinte admirável sucesso que se lê em nossas crônicas, e que tem uma íntima conexão com o ponto da doutrina que vimos explicando.
Apareceu um religioso depois de morto para um de seus companheiros, e lhe manifestou as agudíssimas dores que sofria no purgatório por ter descuidado da oração em favor dos outros religiosos defuntos, e acrescentou que até então nenhum socorro tinha recebido, nem das boas obras praticadas, nem das Missas que se tinham celebrado para seu alívio; porque Deus, com justo castigo de sua negligência, tinha aplicado seu mérito para outras almas que durante sua vida tinham sido muito devotas das do purgatório.
Antes de concluir a presente instrução, permite-me que ajoelhado e com as mãos juntas te suplique encarecidamente, que não feches este pequeno livro sem ter tomado antes a firme resolução de fazer todas as diligências possíveis para participar e mandar celebrar a Santa Missa, com tanta frequência como teu estado e ocupações o permitam. Eu te suplico, não somente pelo interesse das almas dos defuntos, mas também pelo teu, e isto por duas razões: a primera, a fim de que alcances a graça de uma boa e santa morte, pois dizem constantemente os teólogos que não existe meio tão eficaz como a Santa Missa para conseguir este ditoso fim.
Nosso Senhor Jesus Cristo revelou a Santa Matilde, que quem tivesse o piedoso costume de participar devotamente da Santa Missa, seria consolado no instante da morte com a presença dos Anjos e Santos, seus advogados, que lhe protegeriam contra os artifícios do inferno. Ah! Que doce será tua morte se durante a vida participastes das Missas com devoção e com a maior frequência possível!



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