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Seitas
uma vocação religiosa reprimida, torcida ou desviada acaba degenerando, tarde ou cedo, em crenças nebulosas ou turvas, em idolatrias e superstições de diversos sinais, em cultos mais ou menos esotéricos em que, com frequência, Deus foi suplantado por um sucedâneo de natureza diabólica.
Juan Manuel de Prada - 23 dezembro 2014 - religionenlibertad.com
O paulatino desvelamento dos acontecimentos dessa seita chamada muito pomposamente 'Orden y Mandato de San Miguel Arcángel (Envia ovos com esse nome e tem hábito vistosos para seu "proselitismo" que é gasto para obter aprovação eclesiástica!) me pega lendo vários livros sobre as seitas de iluminados que floresceram durante o século XVI.
Resultou muito instrutivo comprovar como os iluminados de antanho e os «miguelianos» de hoje repetem mimeticamente vicissitudes escabrosas e delirantes, arrematadas pelo que os antigos teólogos chamavam delectatio (prazer) delinquente, essa aberração que trata de infundir espiritualidade e porcaria.

Se algo nos ensina o estudo da natureza humana em todas as épocas e circunstâncias é que a vocação religiosa do homem é irrefreável; e que, lá onde essa vocação é reprimida por falta de transmissão da fé ou exaltada com turvas mistificações, não tardam em florescer as putrescências religiosas mais complicadas e abracadabrantes. E é natural que assim ocorra: uma vocação religiosa reprimida, torcida ou desviada acaba degenerando, tarde ou cedo, em crenças nebulosas ou turvas, em idolatrias e superstições de diversos sinais, em cultos mais ou menos esotéricos em que, com frequência, Deus foi suplantado por um sucedâneo de natureza diabólica. Ocorre isto, sobretudo, em sociedades que, por debilitar até a deterioração a transmissão da fé, tropeçam os seus membros em uma incerteza na qual se extravia o sentido de sua vida.
E assim, órfão de apoios para poder firmar sua vocação sobrenatural, o homem de nossa época acaba nas garras das seitas mais extravagantes, em que a falsificação dos mistérios da fé se desenvolve dos modos mais variados: às vezes tais mistérios são expostos fragmentariamente, entremesclados com quinquilharias ruborizantes; outras vezes são parodiados sacrilegamente; outras, diretamente substituídos por mistérios de naturaleza infernal.
O sincretismo religioso, a contaminação gnóstica, o panteísmo e a bruxaria, a exaltação do apetite sexual ou, pelo contrário, a repressão fanática do mesmo, são algumas das estratégias seguidas pelas seitas em sua captação de novos adeptos, aos que prometem uma falsa salvação e acabam destruindo, com frequência depois de ter-lhes esvaziado os bolsos e tê-los empregado nas atividades mais sórdidas.
O proselitismo das seitas alcança, além disso, seu melhor caldo de cultivo em sociedades onde a ruptura dos vínculos naturais criados pela tradição converte as famílias em campos de Agromante e faz de toda aspiração comunitária uma quimera. Em sociedades assim, parece inevitável que se multipliquem as pessoas imaturas, instáveis, infelizes e sonhadoras, também as pessoas desarraigadas e solitárias, que diante da falta de horizonte laboral ou afetivo buscam consolo espiritual em uma espécie de viveiro ou lugar privado fechado religioso, onde se prometem «mudanças maravilhosas» em suas vidas.
Mais alucinante é que este tipo de seitas possam chegar a gozar de autorização eclesiástica; prova evidente da proliferação de «carismas» que temos padecido nas últimas décadas, mais que um sintoma de riqueza espiritual, é uma prova evidente do grau de desconcerto e palhaçada alcançada, sob a desculpa «carismática». Diria-se que qualquer insensato ou falso, dando-se de devoto e enchendo um pouco a bola do bispo de sua diocese, pudesse montar um conventinho à parte. Pobre Espírito Santo, quantos disparates se cometem em seu nome!

© Abc
http://www.religionenlibertad.com/sectas-39507.htm

Seitas
uma vocação religiosa reprimida, torcida ou desviada acaba degenerando, tarde ou cedo, em crenças nebulosas ou turvas, em idolatrias e superstições de diversos sinais, em cultos mais ou menos esotéricos em que, com frequência, Deus foi suplantado por um sucedâneo de natureza diabólica.
Juan Manuel de Prada - 23 dezembro 2014 - religionenlibertad.com
O paulatino desvelamento dos acontecimentos dessa seita chamada muito pomposamente 'Orden y Mandato de San Miguel Arcángel (Envia ovos com esse nome e tem hábito vistosos para seu "proselitismo" que é gasto para obter aprovação eclesiástica!) me pega lendo vários livros sobre as seitas de iluminados que floresceram durante o século XVI.
Resultou muito instrutivo comprovar como os iluminados de antanho e os «miguelianos» de hoje repetem mimeticamente vicissitudes escabrosas e delirantes, arrematadas pelo que os antigos teólogos chamavam delectatio (prazer) delinquente, essa aberração que trata de infundir espiritualidade e porcaria.

Se algo nos ensina o estudo da natureza humana em todas as épocas e circunstâncias é que a vocação religiosa do homem é irrefreável; e que, lá onde essa vocação é reprimida por falta de transmissão da fé ou exaltada com turvas mistificações, não tardam em florescer as putrescências religiosas mais complicadas e abracadabrantes. E é natural que assim ocorra: uma vocação religiosa reprimida, torcida ou desviada acaba degenerando, tarde ou cedo, em crenças nebulosas ou turvas, em idolatrias e superstições de diversos sinais, em cultos mais ou menos esotéricos em que, com frequência, Deus foi suplantado por um sucedâneo de natureza diabólica. Ocorre isto, sobretudo, em sociedades que, por debilitar até a deterioração a transmissão da fé, tropeçam os seus membros em uma incerteza na qual se extravia o sentido de sua vida.
E assim, órfão de apoios para poder firmar sua vocação sobrenatural, o homem de nossa época acaba nas garras das seitas mais extravagantes, em que a falsificação dos mistérios da fé se desenvolve dos modos mais variados: às vezes tais mistérios são expostos fragmentariamente, entremesclados com quinquilharias ruborizantes; outras vezes são parodiados sacrilegamente; outras, diretamente substituídos por mistérios de naturaleza infernal.
O sincretismo religioso, a contaminação gnóstica, o panteísmo e a bruxaria, a exaltação do apetite sexual ou, pelo contrário, a repressão fanática do mesmo, são algumas das estratégias seguidas pelas seitas em sua captação de novos adeptos, aos que prometem uma falsa salvação e acabam destruindo, com frequência depois de ter-lhes esvaziado os bolsos e tê-los empregado nas atividades mais sórdidas.
O proselitismo das seitas alcança, além disso, seu melhor caldo de cultivo em sociedades onde a ruptura dos vínculos naturais criados pela tradição converte as famílias em campos de Agromante e faz de toda aspiração comunitária uma quimera. Em sociedades assim, parece inevitável que se multipliquem as pessoas imaturas, instáveis, infelizes e sonhadoras, também as pessoas desarraigadas e solitárias, que diante da falta de horizonte laboral ou afetivo buscam consolo espiritual em uma espécie de viveiro ou lugar privado fechado religioso, onde se prometem «mudanças maravilhosas» em suas vidas.
Mais alucinante é que este tipo de seitas possam chegar a gozar de autorização eclesiástica; prova evidente da proliferação de «carismas» que temos padecido nas últimas décadas, mais que um sintoma de riqueza espiritual, é uma prova evidente do grau de desconcerto e palhaçada alcançada, sob a desculpa «carismática». Diria-se que qualquer insensato ou falso, dando-se de devoto e enchendo um pouco a bola do bispo de sua diocese, pudesse montar um conventinho à parte. Pobre Espírito Santo, quantos disparates se cometem em seu nome!

© Abc
http://www.religionenlibertad.com/sectas-39507.htm
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