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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sequestraram-lhe no Sudão, lhe ofereceram mulheres para converter-se ao islam e um «anjo» lhe salvou.


ReligionenLibertad.com 


Patrick Noonan, um ex-soldado britânico

Sequestraram-lhe no Sudão, lhe ofereceram mulheres para converter-se ao islam e um «anjo» lhe salvou.

"Minha fé me ajudou a ir adiante naquele calvário", disse Noonan, que se declara católico devoto e que não parou de rezar até que o libertassem.


 M. V. / ReL - 4 dezembro 2012 - religionenlibertad.com

Patrick Noonan, um ex-soldado britânico de 48 anos, foi sequestrado no mês de março passado por soldados rebeldes ao Governo no sul de Darfur (Sudão), quando trabalhava para o Programa Mundial de Alimentos da ONU. 

Seu sequestro durou três longos meses, um tempo em que foi provado em sua fé quando tentaram que se convertesse ao islam.  Acorrentado e nu em uma cela isolada de cerca de dois metros metros, Patrick sobreviveu alimentando-se das laranjas e do leite de camelo que lhe ofereciam. 

“Sou um  católico devoto  e antes de ser sequestrado rezava pelas manhãs e pela noite. Fui a Darfur com o objetivo de ajudar os mais vulneráveis e quando me sequestraram só pensava em minha família, não fazia mais que rezar. Foi sem dúvida minha fé que me ajudou ir adiante”, assegura este irlandês do norte, casado e pai de duas crianças pequenas.

“Ofereceram-me duas mulheres e tentaram que me convertesse”
Durante seu cativeiro Patrick viu quando um de seus captores mussulmanos rezava junto a ele. “Falava um inglês perfeito, era um devoto mussulmano. Punha-se a rezar ao meu lado e um dia tentou me converter ao islam: me ofereceu duas mulheres e tentou convencer-me para que os ajudasse a combater os rebeldes. Tentou várias vezes, mas eu lhe disse que acreditava em Jesus, que só podia ter uma mulher e que não podia lutar porque trabalho para as Nações Unidas e sou neutro”, explica. 

Os rebeldes de Darfur pegaram em armas contra o governo central em 2003, queixando-se de que Cartum havia descuidado por completo a região. Cartum mobilizou tropas e milícias em sua maioria árabes para sufocar os distúrbios. Os combates foram diminuindo com os anos, mas o conflito tribal e os enfrentamentos entre as tropas governamentais e os rebeldes seguem afetando a região. 

Gravemente enfermo
Apesar de sua experiência como soldado (Noonan havia trabalhado 23 anos como soldado no regimento Príncipe de Gales e desde 2005 trabalhava para a ONU no Iraque) depois de dois meses de viver à base de laranjas, sem apenas poder beber água, caiu gravemente enfermo. 

Assegura que sobreviveu graças a “uma experiência que me convenceu de que temos um anjo da guarda”. 

Assim relata: "Por volta da terceira semana de abril me sentia muito fraco. Nesse dia em particular me sentia especialmente fraco, tinha dores no peito e estávamos numa temperatura de aproximadamente 45 graus embaixo de um refúgio de lona. Pensei que ia a morrer e fiquei dormindo, não sei quanto tempo. Despertei de repente com uma voz em minha cabeça que me dizia ‘esta gente não é suficientemente forte para vencer-me’. Na semana antes que me sequestrassem, eu tinha falado com minha tia em Dublin dizendo-lhe que voltaria a vê-la no fim de semana de São Patrício. Quando fui libertado e cheguei na Inglaterra, me inteirei por minha mãe de que minha tia tinha morrido em 4 de abril. Eu estou convencido de que ela foi a pessoa que me manteve vivo, meu anjo da guarda durante aqueles dias de calvário”, relata. 

Desde 2009, quarenta trabalhadores humanitários foram sequestrados em Darfur, incluindo Noonan.

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