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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A propósito de um monge tibetano. É justo imolar-se por uma boa causa? Respondem Vittório Messori e o cardeal Martino.


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A propósito de um monge tibetano. É justo imolar-se por uma boa causa? Respondem Vittório Messori e o cardeal Martino

Andrea Tornielli / Vatican Insider- 17 dezembro 2012-religionenlibertad.com  

É justo imolar-se por uma boa causa? Suicidar-se para denunciar a opressão que sofre o próprio povo, tal como fazem os monges tibetanos? A reflexão que propôs Enzo Bianchi em alguns jornais italianos, sobretudo no “La Stampa”, provocou discussões. Por isso pedimos ao cardeal Renato Raffaele Martino e ao escritor Vittório Messori que comentassem as palavras do prior da Comunidade de Bosé. 

«Vale a pena deixar-se interrogar por estes monges dispostos a consumar suas vidas entre as chamas como incenso», escreveu Bianchi, recordando que os monges suicidas, «com suas vidas e com sua morte, querem afirmar a grandeza de uma religião e de uma cultura que não aceita pregar diante do mal». 

«Para nós, os cristãos –explica o cardeal Martino, ex-presidente do Pontifício Conselho de Justiça e Paz, e, durante muitos anos foi Núncio em países asiáticos e representante da Santa Sé  na ONU–, é inconcebível o suicídio. Mesmo que este tirar-se a vida possa ter fins nobres. 

O Catecismo da Igreja católica ensina que o suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano para conservar a própria vida e que vai contra o amor do Deus vivo. Se se comete para servir como exemplo, se enche também de gravidade de escândalo. Ainda que a angústia ou o temor grande da provação, do sofrimento ou da tortura possam atenuar a responsabilidade dos que o cometem». 

«Fica claro –sublinha o cardeal– que o gesto dos monges tibetanos se inscrevem em um determinado âmbito religioso. Mas não se pode comparar com o martírio cristão. Muitos cristãos sofreram perseguições pelo ódio contra da fé que professam, mas não levaram a cabo gestos deste tipo e suportaram até o final as consequências da perseguição». 

Vittorio Messori, um dos escritores católicos italianos mais conhecidos, convida, sobretudo, recordar a história do Tibet: «Não podem esquecer que até 1950 esse país era a mais dura das teocracias sacras. O Dalai Lama tinha seus feudatários, que eram os Lama: possuíam todas as terras, tinham poder para decidir sobre a vida e a morte. Cada família devia enviar pelo menos um filho ao monastério, com consequências desagradáveis em caso de desobediência. A saber, o Tibet antes do domínio chinês não era um modelo para os direitos humanos». 

Segundo Messori, a reflexão de Enzo Bianchi ées interessante, pois diz que «reconhece a diferença entre a perspectiva budista e a perspectiva cristã, explicando desta forma que seria impróprio traçar uma comparação entre os monges que se ateiam fogo e a atitude de Jesus diante de seus perseguidores e os mártires cristãos». 

Para o cristianismo, explica o escritor, «a vida é um dom de Deus e só Ele pode tirá-la. O mártir cristão, assassinado pelo ódio, é reconhecido como santo, mas o martírio não se pode buscar nunca. Na Idade Média houve alguns franciscanos que morreram na Argélia porque se foram pregar o Evangelho e a denegrir Maomé em um mercado público. Não foram reconhecidos como mártires por sua imprudência». 

Messori cita a respeito alguns exemplos do passado e do presente. «Santa Apolônia de Alexandria, que viveu no século III e se converteu na protetora dos que tem dor de dente  porque seus perseguidores lhe arrancaram os dentes com um cinzel, foi levada à um forno. Disseram-lhe: ou blasfemas e renegas tua fé ou te lançamos às chamas. Apolônia conseguiu libertar-se de seus perseguidores e se lançou nas chamas. O reconhecimento de sua santidade causou debates, porque havia antecipado o gesto de seus perseguidores». 

O escritor recorda, para terminar, dois casos do século passado: o do estudante Jan Palach que se imolou se ateando fogo durante a Primavera de Praga (em 1969) e o do irlandês Bobby Sands, que em 1981  morreu de fome em um cárcere na Irlanda do Norte como protesto porque não se reconhecia o status de preso político. «Em ambos casos –explicou– a Igreja católica expressou respeito por seus gestos, mas não a aprovação».

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