Eis que venho, Senhor!

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Com alegria, Senhor, faço a Vossa Vontade.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Descobrindo a felicidade, o amor ao próximo! (Oscar Wilde)


Descobrindo a felicidade, o amor ao próximo!


Historias Urbanas - O príncipe Feliz
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Descobrindo a felicidade
A estátua do príncipe feliz dominava a cidade. Toda ela estava revestida de lâminas de ouro, por olhos tinha dois diamantes e um grande rubi resplandecia na empunhadura de sua espada.

Numa noite chegou à cidade uma andorinha. Suas companheiras  tinham voado ao sul seis semanas antes. Ela  tinha se atrasado e devia voar antes  que chegasse o frio. Viu a estátua encima de uma coluna e decidiu passar a noite ali. Pousou aos seus pés, protegeu a cabeça debaixo das asas e  dormiu até que sentiu que lhe caía uma gota de água.

Estará chovendo? - perguntou-se a andorinha, e caiu outra gota. Segura de que chovia decidiu buscar melhor lugar para dormir.

Porém antes de que pudesse abrir suas asas, a andorinha viu algo assombroso: da estátua do príncipe feliz  brotavam lágrimas dos olhos. Eram as gotas que lhe  tinham molhado.

Por que choras? - perguntou a andorinha intrigada.

-Choro porque, quando estava vivo, tinha um coração como o teu e  passava as horas brincando nos jardins de meu palácio. Tudo me alegrava e por isso me chamavam príncipe feliz. Mas, desde que me puseram neste lugar tão alto, posso contemplar  todas as pessoas tristes do povo e, mesmo tendo agora um coração de chumbo, a tristeza dos demais me faz chorar. Olha, não longe daqui vive a senhora mais pobre deste povoado. Seu filho está enfermo e tem muita sede. O menino  pede laranjas à sua mãe, mas ela não tem com que comprá-las e só pode dar-lhe água do rio. Toma um de meus olhos de diamante e leva para ela.

Mesmo sabendo a andorinha que devia fugir daquele frio mortal, fez o que lhe pediu o príncipe feliz. Colheu com seu bico um dos olhos de diamante e o levou à mãe. Quando a andorinha regressou à praça onde estava a estátua, disse ao príncipe.

-Que estranho! Com todo o frio que faz, sinto um calorzinho que me cresce no peito.

-Sentes assim? - comentou o príncipe - porque fizeste o bem. Toma agora meu outro olho e entrega-o à aquella menina que busca pão para a família e não o encontra.

-Mas não poderás ver mais- disse a andorinha.

-Não me importa. O que mais desejo é que essa menina e sua família possam ter a comida que necessitam.

Outra vez fez a andorinha o que o príncipe lhe pedia. Quando regressou, começou a nevar novamente.

-Vai-te  reunir com tuas companheiras - lhe aconselhou o príncipe -, que o frio se acerca.

-Não - respondeu a andorinha - agora que não podes ver, eu ficarei contigo e te acompanharei sempre. Mesmo tendo muito frio, te contarei o que vejo.

-Diga-me que coisas tristes vês no povoado.

-Vejo muitas crianças com fome percorrendo as ruas.

- Toma o ouro que cobre meu corpo - pediu o príncipe e reparte-o entre essas crianças.

Nevava e nevava e, mesmo sentindo muito frio nada a detinha e repartiu as peças de ouro às crianças que gritavam: até que enfim podemos comer! Mas a andorinha sofria cada vez mais pelo frio até que finalmente adoeceu. Para espantar o frio, não deixava de mover as asas, enquanto contava ao príncipe tudo o que viam seus olhos. Não lhe restavam muitas forças e compreendeu que não poderia resistir  muito mais.

-Adeus meu querido príncipe feliz - disse a andorinha.

Deu-lhe um beijo e caiu aos seus pés. No  mesmo instante, o coração de chumbo da estátua se rompeu em pedaços.

E no dia em que Deus disse a um de seus anjos "traga-me as duas coisas mais belas desse povoado", o anjo levou diante d'Ele a boa andorinha e o coração de chumbo da estátua do príncipe feliz, que tinham sido tirados pela gente importante da cidade.

Desde esse dia a andorinha canta para Deus e o príncipe feliz lhe fala dos pobres que ainda restam no mundo.

Por Oscar Wilde
Fonte: www.aciprensa.com

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