Eis que venho, Senhor!

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Com alegria, Senhor, faço a Vossa Vontade.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Era missionário anglicano; sua viagem ao catolicismo começou com um sinal da cruz diante de uns budistas. Em um funeral japonês cada convidado queima incenso, porém os cristãos evitam este gesto...

ReligionenLibertad.com

Em um funeral japonês, redescobriu o valor dos sinais
Era misionero anglicano; su viaje al catolicismo empezó con una señal de la cruz ante unos budistas
Era missionário anglicano; sua viagem ao catolicismo começou com um sinal da cruz diante de uns budistas.
Em um funeral japonês cada convidado queima incenso, porém os cristãos evitam este gesto...

Pablo J. Ginés/ReL- 25 setembro 2013-religionenlibertad.com

Russ Stutler nasceu no Japão em 1956, filho de um norte-americano e uma japonesa. Seus pais se mudaram para os Estados Unidos quando ainda era  bebê, e ali o educaram como um protestante norte-americano a mais.

Como tantas outras famílias protestantes, sendo menino e jovem ia com sua família a diversas igrejas: recorda uma luterana, várias evangélicas, uma metodista, outra presbiteriana...   Batizou-se sendo adolescente com os metodistas e sempre foi entusiasmado por Cristo e o Evangelho.

Estudou carreiras de arte, desenho e projetos, e também um curso pastoral evangélico na Malone University, com vontade de ser missionário.

Enamorado do Japão
Em 1983 visitou o Japão, sua terra natal que nunca tinha visto...e a sentiu como seu lar. De volta aos Estados Unidos, por razões práticas começou a ir a uma igreja episcopaliana (anglicana).   Gostava do estilo carismático, bíblico e musical em  que se tinha formado com os evangélicos, mas também do estilo litúrgico dos episcopalianos.

"Senti que Deus me chamava para voltar ao Japão. Era um convicção esmagadora que não me deixava descansar. Então me uni a uma pequena agência evangélica-episcopaliana, não oficial, para ir como missionário", explica Russ. Recorda que percorreu várias paróquias episcopalianas "boas", ou seja, das que querem evangelizar e enviar missionários a países distantes, para conseguir  financiar seu ministério.

Missionário solitário... com seus marionetes
Assim chegou em 1987, com 31 anos, como um missionário solitário, disposto a pregar  Cristo para os japoneses. A Igreja Anglicana do Japão o saudou cordialmente mas não  encomendou nenhuma tarefa. Não estavam interessados em evangelizar.

Então começou a trabalhar em associação com evangélicos. Russ utilizava ao máximo suas capacidades artísticas. Criou um divertido espetáculo de marionetes projetadas por ele, que representavam  cenas bíblicas para crianças e jovens. O espetáculo acabava sempre animando  todos a pronunciar uma oração de entrega a Jesus, aceitando-o como Senhor e Salvador. Então conheceu  sua esposa, uma jovem japonesa protestante, que o ajudou com os marionetes (as da foto embaixo) e a evangelização.



Era um serviço eficaz para anunciar  Cristo, mas Russ tinha problemas econômicos porque no final de um tempo sua pequena agência patrocinadora dos Estados Unidos não podia mantê-lo, nem sequer parcialmente. Teve que concentrar-se mais e mais em seu trabalho civil, como projetista e desenhista, para manter-se e manter sua família e deixou a evangelização ativa.

A igreja com os evangélicos
Russ e sua família começaram a ir a uma igreja evangélica, onde ele participava tocando o baixo eléctrico ou a guitarra. "Mas eu notava que faltava algo. A ênfase na Bíblia estava ali, mas faltava a adoração profunda.  Não podia ter ambas as coisas?" A pregação era boa, ligada à Bíblia, mas "depois de uma hora de canções de louvor contemporâneas e de um longo sermão cada domingo, poucas vezes sentia que tivesse realmente adorado a Deus".



Foram 18 anos de vida cristã entre os evangélicos japoneses. E Russ disse que "minha vida espiritual parecia secar. Ia à Igreja no domingo por um sentido de obrigação, e minha vida pessoal devocional se reduzia a um mínimo de oração e leitura bíblica diária".

Para muitos cristãos, isso pareceria muito, mas ele tinha sido um missionário e um cristão entusiasta e enamorado de Cristo.

O funeral budista que o mudou
Tudo começou a mudar em 2009, quando Russ e sua esposa tiveram que  ir a um funeral budista de um defunto vizinho. Era tradição dos assistentes oferecer incenso ao morto, diante de sua foto. Mas os cristãos nestes casos  tentam não fazer, porque pode parecer um gesto de adoração ou ao menos de conciliação com um defunto, um espírito, ou com os espíritos que estão na outra vida.  Como ser respeitosos em um caso assim, diante de tantas pessoas?

A esposa japonesa de Russ tinha uma solução e sussurrou: "façamos o sinal da cruz e oremos em silêncio alguns instantes, e todos entenderão sem palavras porque não podemos oferecer incenso". Assim o fizeram, e os parentes do defunto   agradeceram com um sorriso.

Mas para Russ aquilo foi um ponto de reflexão. Os evangélicos não tem costume de fazer o sinal da cruz, nem tampouco os anglicanos. Russ de fato se surpreendeu de que sua esposa soubesse fazê-lo. Pareceu-lhe um gesto poderoso, muito comunicativo e mais ainda em uma cultura não cristã. Como nasceu, de onde veio?

Um gesto dos primeiros cristãos
Russ começou a fazer o que tantos outros protestantes que se converteram ao catolicismo fizeram: estudar a história da igreja e os primeiros cristãos. Descobriu que já no século II os Padres da Igreja parece que faziam o sinal da cruz na fronte. Alguns textos sugerem que inclusive os Apóstolos o faziam, uma cruz grande sobre a fronte e no peito, como uma declaração visível e pública.

Aquilo o levou a pensar em sua época de anglicano, em seus sinais litúrgicos. Mas sabia que os anglicanos agora ensinavam doutrinas incompatíveis com a Bíblia: clero feminino, aceitação das práticas homossexuais e do sexo fora do matrimônio... Por outro lado, um sermão anglicano era curto (10 minutos) e pensou que não dava tempo para dar muito ensinamento errado nele. E um serviço anglicano contava sempre com 3 leituras bíblicas, enquanto que um evangélico se limitava a um sermão sobre um só texto.

Então encontrou uma pequena comunidade anglicana, de uns 20 fiéis dominicais, e desde 2009 voltou a participar de suas liturgias, com seus hinários, seu coro e suas tradições, enquanto sua esposa e filhos continuavam participando da igreja evangélica de estilo carismático.

O desvio do anglicanismo
O problema, explica, é que "quando olhava mais além dos muros de minha diminuta paróquia, me sentia como uma rã que foi sensata  para sair da água a medida que se esquentava, para voltar para ela quando estava fervendo!"  Russ via que em todo o mundo o anglicanismo estava adotando doutrinas duvidosas incompatíveis com o ensinamento bíblico e a tradição cristã: bispos que praticavam abertamente a homossexualidade, sacerdotisas neo-pagãs que dirigiam serviços anglicanos, bispos anglicanos negando que Jesus fosse Deus...

Quando o pastor da paróquia de Russ foi substituído por uma sacerdotisa anglicana, Russ se esforçou a buscar "filtros" na Bíblia, tentando aceitar ... e não  encontrou. Ele tinha estado saltando de igreja em igreja toda sua vida... e o barco anglicano parecia afundar.

Então ouviu falar da oferta de Bento XVI aos anglicanos que queriam fazer-se católicos conservando aspectos de sua herança e tradições. Russ não sabia quase nada da Igreja Católica, exceto que o anglicanismo tinha se separado dela séculos atrás.

"Também, tinha ouvido também que a Igreja Católica não tolerava esses sem sentidos heréticos que os anglicanos estavam aceitando em anos recentes; isso era um ponto ao seu favor", recorda.

Falando com um padre, ex-pastor
Pensou em seu amigo, o padre Lawrence Wheeler. Quando o conheceu em 1987 era um pastor anglicano de estilo evangélico. Mas agora era católico, e sua antiga paróquia estava considerando tornar-se católica, em um ordinariato anglo-católico. Contatou com ele, e o padre Wheeler o convidou a considerar a proposta católica. E começou a estudar o Catecismo, livros de convertidos, e começou a seguir a cadeia de TV da Madre Angélica, a EWTN, os programas com testemunhos de ex-pastores convertidos ao catolicismo...

"Fiquei convencido de que a Igreja Católica é a igreja verdadeira e original que Jesus estabeleceu na terra, que uma cidade em uma colina não pode se ocultar, e que todas as igrejas protestantes    que tinha  ido ao longo de minha vida cristã eram na realidade ´comunidades eclesiais´, como acampamentos de tendas colocados ao lado dessa mesma colina, mas fora dos muros da cidade".



Russ ficou convencido de que efetivamente os bispos de Roma tinham herdado o papel único que Jesus encarregou  Pedro quando lhe entregou as chaves do Reino dos Céus. E que efetivamente o pão e o vinho, na consagração da missa católica se convertiam de verdade no Corpo e  Sangue de Jesus. Era, disse, o que buscava, "fidelidade bíblica e adoração profunda".

E Leão XIII tinha razão
Houve um momento em que se indignou com a postura católica, quando leu que em 1896 Leão XIII havia estabelecido que as ordenações episcopais e sacerdotais anglicanas eram "absolutamente nulas e completamente vazias". "Como se atreve?", reclamou Russ. Mas em maio de 2010, quando a Igreja Episcopaliana (anglicanos dos Estados Unidos) ordenou a primeira bispa abertamente lésbica, e quando nesse mesmo verão uma sacerdotisa anglicana deu uma hóstia consagrada -anglicana- ao cachorro que um fiel trazia nos braços, Russ entendeu, disse, "a sabedoria do decreto do Papa Leão".

Deixou de fugir meramente do anglicanismo, e desejou profundamente abraçar a plenitude da fé cristã na Igreja Católica.

Durante um tempo foi ao serviço anglicano às 8 da manhã para, imediatamente depois, ir à missa católica das 10.30. Tomava a comunhão na igreja anglicana, e se sentava na paróquia católica, vendo como os paroquianos comungavam. Sim, o coro e a música eram melhores na paróquia anglicana, mas na comunhão católica estava Cristo de verdade.

Quando finalmente se apresentou ao pároco católico e explicou seu desejo de tornar-se católico, descobriu que  seria fácil. O pároco viu que era uma pessoa devota, enamorada de Cristo, que conhecia bem a Bíblia e agora também o Catecismo (que tinha lido inteiro 3 vezes). Só   pediu para ler a Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II, o documento sobre a Igreja no mundo moderno.



Porque a Igreja católica aceita como válido o batismo protestante realizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (não assim com os mórmons ou testemunhas de Jeová), só  necessitava celebrar a confirmação (crisma).

Antes teve lugar sua primeira confissão, enumerando todos seus pecados graves do passado. "Não me deu vergonha porque sabia que não era nada que o padre não tivesse escutado antes", comenta. "Todos meus pecados ficaram perdoados de verdade como Jesus prometeu em João 20,23 e me senti genial". Semanas depois celebrava sua confirmação e sua primeira comunhão, e sua plena incorporação à Igreja católica.

Uma presença irresistível
"Quando tomou a comunhão na Igreja Católica, o sentido da presença de Jesus foi tão irresistível que sempre me comove até as lágrimas. Mas é mais que um ponto emocional na igreja: reconheço os efeitos da graça e me vejo mais capaz de resistir ao pecado que antes. Meus pensamentos voltam mais até Deus", disse hoje Russ.

"Um protestante que se incorpora na Igreja Católica descobrirá que tem muito que ganhar e absolutamente nada  que renunciar. Pode trazer todas as riquezas de seu estudo bíblico e seu zelo evangelizador e enriquecer com eles a igreja local", anima agora este antigo missionário anglicano.

Russ explica mais sobre suas descobertas teológicas e históricas (por exemplo, sobre os antigos cristãos japoneses, que eram católicos evangelizados pelos espanhóis e portugueses, uma época que lhe fascina) em sua web em inglês: www.stutler.cc

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