Eis que venho, Senhor!

Eis que venho, Senhor!
Com alegria, Senhor, faço a Vossa Vontade.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Jesus é Deus, como Deus via: eis aqui a dor! Como Deus olhou também o amor: eis aqui a Redenção.






223. - Em Jerusalém vivi  a saudade, vivi horas intensas;  a Igreja crescia.

Minha casa em Nazaré estava sobre a colina. Agora, dividida em duas partes, está ainda em meu coração. Ali cresceu Deus! Quando contava a Lucas Sua história, percorria com o pensamento aquelas sendas, aquelas aldeas por onde Ele havia passado...

Para muitos sua história é fantasia... foi uma vida intensa e tecida de dor.
Jesus é Deus, como Deus via: eis aqui a dor! Como Deus olhou também o amor: eis aqui a Redenção. Em Jerusalém vivi a saudade, vivi horas intensas...

Crescia a Igreja. Esses homens faziam grandes coisas: Jesus operava neles. Da casa de Nazaré olhava o entardecer...

Quando Jesus estava longe, pensava onde dormiria essa noite. "Aonde o Pai me mande, eu irei... Pensará em Mim e eu n'Ele: somos uma só coisa e o Espírito nos une..."

Recordava estas palavras e no entanto meu humano amor maternal fazia tremer meu coração: "Acaso terá frio..." "Pensará n'Ele o Pai...". Sentia-me consolada.

E Jesus percorria aquela terra, fatiga, suor, frio... "Levarei o amor e a luz...". E me sentia ainda mais consolada pensando em suas palavras. E na cozinha, olhava da janela o pequeno jardim...

Tornava a ver e torno a ver agora sua infância, a sentir vozes e perfumes. São intensos os aromas de minha terra... O vento me trazia as lembranças. E Jesus ia para sua Paixão. Essa Paixão! Eu, debaixo da Cruz, tomava com Jesus para Mim a dor do mundo!

O pecado que tanto afligiu  meu Filho! Antes de regressar à Nazaré nós ficamos nessa casa que agora é uma Igreja.

Graças àqueles que vem para esta casa e pensam em nós com carinho! Graças para a alma e pelos dias passados conosco. Quando voltareis? Esperamo-vos sempre!

8 de maio de 1986

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

«A confissão não cura só a alma, também a mente» dizem alguns expecialistas sobre seus benefícios.


ReligionenLibertad.com


Arrependimento, perdão, cura física e espiritual: «A confissão não cura só a alma, também a mente» dizem alguns especialistas sobre seus benefícios

Segundo os psicólogos, o arrependimento atua como remédio e o perdão também pode estimular a cura corporal.

Mar Velasco/ ReL -  27 agosto 2012 - religionenlibertad.com

A forza ~curadora do perdão não é só uma questão espiritual. À esta conclusão chegaram numerosos expecialistas em litugia. Segundo suas conclusões, «há uma dimensão terapêutica» no sacramento da penitência que funda suas raízes no Antigo e no Novo Testamento e que conecta diretamente com o homem de hoje.

«É uma perspectiva interessante e em sintonia com a sensibilidade e a cultura de nosso tempo que vê na saúde integral do homem um valor para defender» afirma em declarações no rotativo italiano «Avvenire» o arcebispo de Palermo, monsenhor Paolo Romeo.

«A salvação que o Senhor nos oferece não deve ser confundida com a saúde psicossomática, mas, como ensina Jesus no Evangelho, não a exclui, mas a inclui» afirma o padre Pietro Solci.

«Trata-se de uma perspectiva tradicional na teologia e na liturgia das Igrejas orientais e sensibiliza as Igrejas protestantes, de grande impacto ecumênico» afirma Solci.

«Responde à cultura de nosso tempo, que busca recuperar la unidade da pessoa, que vê a saúde como realidade que implica todos os aspectos da vida humana, e o pecado como enfermidade, como incapacidade de relacionar-se consigo mesmo, com as coisas, com os demais e com Deus».

Arrepender-se para ganhar saúde
Em todo este processo o arrependimento serve também como remédio e a reconciliação como cura. «Nos últimos decênios já se tem falado de uma teologia terapêutica», sustém.

«O pecado-afirma Angelo Pasaro, expecialista na Sagrada Escritura na Faculdade Teológica de Sicília- é a distorsão da liberdade, revela a vontade de subtrair-se à condição de dependência de Deus. E a capacidade do homem de reconhecer o pecado é obra de Deus. Ele, como parte ofendida, dá sua misericórdia; a alegria do perdão consegue que o homem já não se encerre em si mesmo e seja criado novamente pela obra do Espírito», explica.

Mas as enquetes mais recentes mostram um certo afastamento do sacramento da Penitência. «O que resulta problemática hoje é a confissão e a concepção mesma do pecado», sustenta Giuseppe Sovernigo, psicólogo e professor do Instituto de Liturgia Pastoral de Pádua.

«São dificuldades que se devem ao nascimento de novos problemas morais e novos modos de confrontar-se com velhas questões morais, junto à  dificuldade de assumir a responabilidade das escolhas errôneas. No entanto, uma aproximação renovada ao sacramento pode ser fértil. Devemos tentar reconciliar os dois aspectos que antigamente encerrava o termo "salus", ou seja, saúde física e salvação», conclui.

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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Três irmãos se ordenam sacerdotes católicos nos Estados Unidos da América.


ACI Prensa.com


Três irmãos se ordenam sacerdotes católicos nos Estados Unidos da América
 

Familia Strand (Foto: AP/John E. Kimpel)

WASHINGTON D.C., 03 Ago. 12 / 07:22 am (ACI/EWTN Notícias).- Luke, Vincent e Jake Strand são três irmãos, formados no seio de uma família católica, que descobriram, para surpresa e alegria de seus familiares, que sua vocação era a de serem sacerdotes.

O pai dos três jovens, Jerry Strand, disse que quando a avó de seus filhos sonhava em ver a algum deles convertido em sacerdote, eles  tomavam como piada. “Iam à Missa aos domingos, se benziam à mesa antes de comer, mas não eram uns excêntricos”, disse.

Por sua parte, sua mãe, Bernadette, disse que não houve ânimo nem desânimo por parte de seu esposo e ela a respeito da vocação de seus filhos, e admitiu que “foi uma surpresa vê-los vir um após outro para contar-nos”.

Segundo relata um reportagem de Associated Press, Luke, planejava licenciar-se em marketing, fazer dinheiro, casar-se e ter filhos, no entanto, sentiu o chamado de Deus enquanto estudava na Universidade de Wisconsin-Oshkosh, onde conheceu  um grupo de jovens “comprometidos com a fé”.

Logo se encontrava ajudando um sacerdote num albergue, “servindo radicalmente os pobres e pedindo para ser admitido no seminário”.

Luke, agora é diretor de vocações da Arquidiocese de Milwakee, recorda que alguma vez pensou “como cheguei até aqui? O que é isto? Ia servir na Igreja”.

Para Jake, o mais novo dos irmãos, a idéia do sacerdócio lhe assustava. Ele queria servir a Deus mas através de uma família, no entanto decidiu entregar-se plenamente ao Senhor.

“Não influenciou o fato de Luke e Vince assumirem esse dever, porque não se tratava de um dever, mas de um presente”, disse Jake, que logo completará sua licenciatura em Teologia em Roma.

Vincent queria ser neurologista  e alcançar o êxito profissional e familiar, então estudou  na Universidade de Marquette, administrada pela Companhia de Jesus. Ali, os ensinamentos de um mestre lhe ajudaram a ver que “Deus era real de uma forma pela qual nunca antes me havia dado conta”.

Inicialmente, Vincent quis consagrar-se a Deus através da vida intelectual e considerou o matrimônio, mas eventualmente decidiu “esvaziar-se completamente” de si mesmo, e terminou com sua noiva para iniciar sua formação sacerdotal.

Para ele, o voto do celibato não era um obstáculo, mas “uma das coisas que realmente amo desta vida e uma das mais libertadoras”.

A mãe dos jovens assegura que quando lhes conhecem, as pessoas “dizem surprender-se de que somos normais”, e sublinhou que “é ridículo, claro que somos normais eclaro que os garotos cresceram normalmente!".

No ano passado, Luke teve a alegria de casar a sua irmã, Theresa.
http://www.aciprensa.com/noticia.php?n=37791

sábado, 18 de agosto de 2012

Da extrema esquerda, às missões, o sacerdócio e o trabalho com doentes crônicos.


ReligionenLibertad.com


PADRE ALDO TRENTO

Trabalha há mais de 20 anos no Paraguai

Da extrema esquerda, às missões, o sacerdócio e o trabalho com doentes crônicos

Aldo Trento desenvolveu uma fecunda obra caritativa na América Latina. Também  estudou a história das missões jesuítas com os índios guaranis e pediu à Espanha que fique orgulhosa de sua atuação no continente americano.

Pablo J. Ginés/ ReL - 12 agosto 2012 - religionenlibertad.com

Recebeu numerosos galardões no Paraguai por seu trabalho humanitário. Também em sua Itália natal, porém estes os devolveu em protesto pela decisão do Governo de retirar a alimentação da jovem Eluana Englaro. "A garota foi vítima do ataque de uma cultura materialista", explica.

Com doentes incuráveis
"Em nossa casa de enfermos de São Ricardo Pampuri tenho um menino sem cérebro, mas vive, e vejo nele o rosto do Mistério. Se não existe Deus, a única coisa razoável é a anarquia, o poder do mais forte. Mas se existe um Deus Pai, cada um de seus filhos é divino, porque Ele os ama.

Por isso os índios guaranis chamavam ao deus criador de ´Tu-Pã´, ou seja, ´autor do maravilhoso´".

Espanha na América, sem vergonha
"Os espanhóis têm que estar orgulheosos de su papel na históoria da América", assegura com veemência este italiano.

"Se lemos o testamento da Rainha Isabel a Católica e outros documentos, se vê com claridade que a empresa da Espanha na América pretendia sobretudo evangelizar. Carlos V, depois de convocar o debate de Sepúlveda e As Casas em Valladolid, declarou que não lhe importava a quebra econômica ´para não perder uma só alma para Cristo´. Como em todo o humano, a cruz e a espada, a graça e o pecado, iam de mãos dadas.

O que eu digo é que os jesuítas eram uns enamorados de Cristo, do homem e dos guaranis. É incorreto e ideológico falar das reduções jesuítas dos siglos XVII e XVIII como ´utopia´, ´comunismo paraguaio´ ou ´república platônica´, porque em seus textos vemos que toda sua inspiração era o Evangelho, não os pensadores utópicos".

A beleza, não a força, conquistou os guaranis
"Durante dois anos os jesuitas só pregavam aos índios a beleza de Cristo e da salvação, nada de moralismo. Só depois educavam no matrimônio monógamo e na moral cristã.

Apenas havia dois ou três sacerdotes em comunidades de 2.000 o 3.000 índios: não se sustinha pela força de nenhuma maneira, era uma experiência de liberdade. A beleza, não a força, conquistou os guaranis".

A esquecida batalha de Mbororé
Recorda também um fato insólito que os manuais escolares quase nunca lembram nem na Espanha nem na América. "Durante décadas, os escravocratas portugueses atacaram as missões. O padre Montoya organizou um êxodo de 12.000 índios até a zona que hoje é a Argentina.

Como os ataques seguiam, pediram permissão ao rei para armar os guaranis, e o Papa emitiu uma bula condenando os ataques às missões. A milícia guarani treinada por jesuítas ex-militares venceu um exército de mais de 3.000 escravocratas na batalha de Mbororé em 1641 e as missões floresceam um século mais. Talvez o fato militar mais importante da América hispana, mas na América do Sul apenas se ensina porque aos massons não interessa".

Aldo Trento há muito abandonou o marxismo de sua juventude. Hoje, entre pobres e doentes, denuncia "um falso cristianismo indigenista, onde parece que Jesus só se interessa pelos índios".

Da depressão à fecundidade
Chegou ao Paraguai há mais de 20 anos, consumido em uma depressão interminável. Mas dessa vivência sairam suas obras: um centro para enfermos crônicos e terminais, um asilo, uma escola, uma granja para enfermos de aids, um serviço de doadores de sangue e um banco de alimentos.

Escreveu dois livros sobre as missões dos jesuítas com os índios guaranis nos séculos XVII e XVIII. É membro da fraternidade São Carlos Borromeu, sacerdotes missionários de Comunhão e Libertação.

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sábado, 11 de agosto de 2012

O cristianismo está mudando a vida dos «Dalits», dos «intocáveiss» da Índia, sobretudo, as mulheres


ReligionenLibertad.com

Jeevaline Kumar

O cristianismo está mudando a vida dos «Dalits», dos «intocáveiss» da Índia, sobretudo, as mulheres

A idéia de que foram criados á imagem de Deus é a que necessitavam para inverter situações de marginalidade social.


 ReL - 13 julho 2012 - religionenlibertad.com

"Os Dalits [intocáveis] dizem que são piores que animais. Mas nós lhes dizemos que não é assim, mas que estão criados à imagem de Deus. Clamavam por uma mudança e agora sabem que a mudança é possível": assim declarou Jeevaline Kumar, diretora de uma organização cristã de direitos humanos que trabalha em Bangalore com vítimas da prostituição e tráfico de pessoas, a Catholic News Agency.

Os Dalits são aproximadamente 250 milhões de pessoas, quase uma quarta parte da população da Índia. São considerados impuros e sem valor, e mesmo o sistema de castas tendo sido formalmente abolido em 1950 depois da independência do Reino Unido, em boa medida segue vigente de fato.

O caso das mulheres é ainda mais duro: "São os Dalits dos Dalits", disse Jeevaline, ao enfrentar a possibilidade de serem abortadas antes de nascer ao conhecer seu sexo, ou estar muitas delas condenadas à prostituição se não conseguem um bom matrimônio. "Quando chegamos ao sexo, ninguém crê que sejam intocáveis", ironiza Kumar.

Atualmente, na Índia há três milhões de pessoas vítimas do tráfico sexual, das quais 1,2 milhões são meninas, das quais 250.000 são consagradas ao sexo ritual.

Segundo Kumar, "uma pequena ajuda pode mudar a vida destas meninas", como é transmitir-lhes que "todo ser humano tem valor segundo o mandato de Jesus de amar ao próximo".


O Instituto Tarika, onde trabalha Jeevaline, ensina inglês, informática ou costura à mulheres resgatadas da prostituição. "Nunca nos haviam tratado assim, antes de nos trrazer aqui só nos tratavam como lixo", comentam as garotas. "Algumas estão recuperando sua infancia", conclui.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Bóson de Higgs existe além de qualquer dúvida razoável e cumpre a função que supôs seu mentor. Claro que tal parcial descobrimento, na soma, nos leva ao momento no qual, segundo o Livro Sagrado, “disse Deus faça-se a luz e a luz se fez” (Gen 1, 3).


ReligionenLibertad.com

Antonio Fernandez Benayas


E Deus disse faça-se a  luz e houve luz

É assim como, desde o 'Faça-se a luz' e na razão do que vai descobrindo a Ciência, faltam argumentos para contradizer a crença de que o Supremo Criador projetou, criou e pôs em marcha um universo de realidades físicas segundo a ordem lógica de imensidades que se agrupam.



 Antonio Fernandez Benayas  - 16 julho 2012 -  religionenlibertad.com

Os sofisticados engenhos mecânicos nas funções de ver e analizar, seguidos de complicados e, não poucas vezes, complicados cálculos matemáticos, ajudaram a apresentar a hipótese de que o átomo é um complexo mundo de matéria e energia, no modo de minúsculo sistema planetário que também afeta as leis da gravitação universal.

Faz alguns anos, nos campos de investigação sobre a base física de todo material do que se supõe esteja composto o Universo, se fala dos quarks (mínimas porções de “algo”) como partículas constitutivas dos bárions e mésons, entendendo por bárion o denominador comum dos prótons, neutrons e hyperons e por méson um elemento a meio caminho entre a matéria e a pura energia (o que os cientistas chamam um bóson que facilita a interação entre as diversas partículas sub-atômicas).

Em certos apontamentos teóricos sobre o tema se sugeria a existência de partículas sem massa, algo assim como “porções de energia” com a “faculdade” de inventar ou emprestar massa às mais elementares entidades materiais. À respeito e então preocupados por não perder-nos em um labirinto de sugestivas formulações, podemos recordar a chamada “teoria das super-cordas” que sugere a existência de até onze dimensões que apontariam a viabilidade de todas as leis físicas que regem a existência e funcionalidade do Universo e, como muito sugestivo, um paralelismo absoluto entre as leis físicas do “infinitamente” pequeno e o “infinitamente” grande (ou seja o Universo ou Totalidade Física de imponderáveis dimensões). Leis que haveriam de reger o movimento e função de “algo” pendente de descobrir.

Foi em 1964 quando Peter Higgs, que hoje tem 83 anos, expôs ao mundo da ciência uma idéia que prometia levar ao descobrimento desse algo como ponto de partida da realidade material: as partículas elementares se movem não no vazio mas no que os antigos chamavam éter e que ele apresentou como um campo pleno de “bósons” ou elementos com a virtualidade de destruir e atribuir massa às outras já conhecidas ou imaginadas partículas sub-atômicas. Chamou-se “Campo de Higgs” a esse suposto mar de incomensurável atividade e “Bóson de Higgs” ao suposto sub-atõmico provedor das porções de massa necessárias para a viabilidade funcional do mundo das partículas elementares.

Para comprovar a concordãncia da teoria com a realidade havia que contar com elementos de observação experimental desconhecidos até a data; foi assim como nasceu o Grande Acelerador de Partículas (LHC do inglês Large Hadron Collider) a máquina que, depois de anos de paciente e escrupulosa investigação,  facilitaram o que, desde o dia quatro deste mês de julho, o mundo científico não duvida em qualificar como o “descobrimento do século”: o Bóson de Higgs existe além de qualquer dúvida razoável e cumpre a função que supôs seu mentor.

Segundo ponderados cientistas, isso significa que conhecemos  4% da estrutura do Universo, o que quer dizer que a Ciência se vê impotente para explicar  como e o porque do 96% restante, incluindo o mistério da vida além do que e o porque da alma humana com o consequente dom da liberdade. Claro que tal parcial descobrimento, na soma, nos leva ao momento no qual, segundo o Livro Sagrado, “disse Deus faça-se a luz e a luz se fez” (Gen 1, 3).

Depois de admitir que o redator sagrado não era nem podia ser um cientista do século XXI e sim uma pessoa de boa vontade que, para crer, admitia suas limitações e escutava a voz de Deus ou de sua conciência para depois apontar sua fé com uma razoada reflexão, os não materialistas vêem no fenómeno descrito por esse redator do Livro no momento inicial da necessária conexão do espaço, o movimento e o tempo para dar passo à materialidade universal.

Desde a perspectiva da ciência moderna esteve na luz o germem ou princípio físico de todo o material que havia de vir a posteriori? O próprio Einstein não se atreveu a pronunciar-se categoricamente sobre isso: o mais longe que chegou a respeito foi aceitar a luz como formada por “grãos” de energia-matéria chamados fótons, espécie de quantos ou partículas elementares sem massa apreciável... com uma origem absolutamente misteriosa. Mas, o que nos fótons não se pode apreciar ou medir a massa é prova de que realmente não exista, especialmente quando se admite o caráter corpuscular de um facho de luz?

Na ordem dos princípios físicos é razoável admitir que a luz, composta por fótons, em razão de um plano ou projeto, “urdido na eternidade” e com milhões de séculos por diante, pode facilitar a formação do que os físicos chamam prótons, os mesmos elementos que, em complexíssimas associações, formam os átomos, os quais, em novos planos da também muito complexa associação, formarão as moléculas, que seguirão a progressiva escala das realidades materiais sempre na ordem que evidencia essa fantástica conexão entre espaço, movimento e tempo.

Pode desenvolver-se assim o processo ou de outra forma: pelo momento, à Ciência  resulta impossível tanto adentrar-se no mistério da raíz essencial das coisas (a mesma que deu ou pode dar passo a esse “Bóson de Higgs”) como apresentar aceitáveis explicações do papel que nós mesmos desempenhamos no que, a todas luzes, temos de qualificar como uma fantástica ordem universal. É o mesmo Einstein que deixou dito: “a experiência mais formosa que temos ao nosso alcance é o mistério... a certeza de que existe algo que não podemos alcançar”.

É assim como, desde o 'Faça-se a luz' e em razão do que vai descobrindo a Ciência, faltam argumentos para contradizer a crença de que o Supremo Criador projetou, criou e pôs em marcha um universo de realidades físicas segundo a lógica ordem de imensidades que se agrupam e complementam num todo regido por leis de interrelação e destino até chegar ao Homem, elevado sobre todas as realidades físico-materiais pelo “sopro divino” que lhe faculta para amar em liberdade e assim corresponder na medida de suas forças ao infinito Amor de seu Criador. Essa correspondência não pode expressar-se de melhor maneira que no desenvolvimento de nosss pessoais capacidades ao serviço do próximo.

Antonio Fernandez Benayas

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Afirmar que o perdão de Deus é incondicional é uma grave tergiversação do Evangelho.


Os Blogs de ReligionenLibertad.com


Tergiversações



Afirmar que o perdão de Deus é incondicional é uma grave tergiversação do Evangelho.


Juan Manuel de Prada - 9 julho 2012 -  religionenlibertad.com


Publicou o ABC um artigo de Dom Nicolás de Arespacochaga no qual me acusava caluniosamente de «tergiversar» a «mensagem» de Jesus. Dom Nicolás,  se declara partidário de uma «flexível e tolerante» forma de entender tal «mensagem», segundo as «distintas formas de pensar, distintas educações e circunstâncias pessoais» (confissão da parte da qual o Verbo de Deus fica reduzido a uma «mensagem» que admite pluralidade de interpretações, segundo a conjuntura), considerou afirmar que o mandato evangélico de amar o inimigo é «imposível sem uma ajuda sobrenatural», constitui uma «tergiversação», porque não crê que «Jesus nos dê mandatos que não sejamos capazes de cumprir».

Naturalmente! Jesus o que faz é dar-nos a grça para que cumprir tal mandato não nos resulte imposível. Mas amar o inimigo sem a ajuda da graça resulta imposível, porque não se acha entre as tendências naturais do ser humano, que é a conservação própria, a propagação da espécie e a vida comunitária.

Amar o inimigo atenta contra tais tendências naturais; e só pode conseguir-se mediante a ajuda sobrenatural da graça, que não é -claro!- uma espécie de máquina de deus  que opere à margem de nossa natureza humana, mas um dom que atua sobre ela, curando nossa condição pecadora.

Também considera Dom Nicolás que tergiverso a «mensagem» de Jesus quando afirmo que «não pode haver perdão sem arrependimento». Para Dom Nicolás -como para Renan-, a «mensagem» de Jesus é «a maravilhosa, sublime, perfeita idéia» do «perdão incondicional, sem requisitos prévios para cumprir pela outra parte», que acharia sua expressão máxima na frase que Cristo pronuncia na Cruz: «Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem».

No entanto, nesta frase Cristo não perdoa quem o está matando, mas  intercede diante do Pai para que o faça; e essa intercesão sem dúvida rendeu seus frutos, como se percebe na exclamação arrependida do centurião.

Cristo não pediu perdão incondicional para todos os que participaram no crime do Calvário, pois isto seria inconsequente com a justiça de Deus e com a liberdade do homem. Cristo morreu para que a justiça e a misericórdia de Deus, juntas, oferecessem perdão ao homem que livremente o busque. Deus só perdoa quem se aproxima d'Ele com fá; não a uma multidão amorfa que não deseja ser perdoada.

Afirmar o contrário é portanto como sustentar que os atos humanos resultam indiferentes diante de Deus; e, portanto, que o sacrifício redentor de Cristo foi supérfluo ou estéril. Uma coisa é o amor incondicional de Deus, que se oferece no madeiro para salvação dos homens; e outra muito diferente que esse amor seja acolhido ou rechaçado por cada um de nós.

Se esse amor é rechaçado (isto é, se não há arrependimento), o homem não pode obter o perdão de Deus. Como nos recuerda José Ignacio Munilla, «a apresentação do amor incondicional de Deus no modo de um indulto geral indiscriminado não somente choca com as abundantes passagens evangélicas que falam da possibilidade real da perdição do homem, mas  tampouco combina com a imagem de um Deus que respeita a liberdade e a dignidade do homem. Sendo certo que a vontade de Deus é que todos os homens se salvem, no entanto, para isso é necessário que cada um coopere livremente, abrindo-se à graça da conversão».

Afirmar que 'o perdão de Deus é incondicional' é una grave tergiversação do Evangelho; claro que, quando o Verbo de Deus (isto é, uma pregação virtuosa) seja reduzida em uma mera «mensagem», todas as tergiversações são possíveis.

www.juanmanueldeprada.com

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