Eis que venho, Senhor!

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Com alegria, Senhor, faço a Vossa Vontade.

domingo, 13 de janeiro de 2013

O fim do cristianismo de esquerda? Algumas reflexões interessantes.


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O fim do cristianismo de esquerda?

Jorge Soley - 9 janeiro 2013 - religionenlibertad.com


Acaba de ser publicado na França um livro, intitulado "A  esquerda de Cristo", que revisa a história e faz um balanço do cristianismo de esquerda do nosso vizinho do norte. Ao mesmo tempo Temoignage Chretien, a publicação mais emblemática desse cristianismo esquerdista, pujante nos anos 70, acaba de fechar as portas.

Gerard Leclerc, em um artigo intitulado "O fim do cristianismo de esquerda?", se interroga pelo fracasso de uma corrente que, no pós-concílio, parecia ser muito forte. E aponta algumas reflexões interessantes.

Como que estes cristãos, ao terem apostado no projeto de secularização de esquerda, a vitória deste supôs a dissolução do próprio cristianismo de esquerda. Além disso, constata, o cristianismo de esquerda não encontrou eco político no fragmentado mundo da esquerda francesa. No máximo  conseguiu o papel decorativo de companheiro de viajem, útil de vez em quando para legitimar certos posicionamentos, mas sem nenhuma influência real.

Porém mais decisivo em seu fracasso foi a impossibilidade de por o cristianismo a serviço de um projeto político, algo que por sua própria natureza supõe uma aberração e que  fracassou repetidamente ao longo da história, desde os tempos do cesaropapismo. Cristãos pelo socialismo ontem, cristãos pelo nacionalismo agora, cristãos pelo que seja amanhã, todos estão condenados ao fracasso porque o único cristianismo com o futuro assegurado é o cristianismo por Cristo.
Jorge Soley
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Jorge Soley Climent é um barcelonês quarentão, felizmente casado e pai de seis filhos. Apaixonado pela leitura, a história e o futebol humilde e autêntico, sua profissão de economista lhe impõe o agradável dever de viajar com frequência à América hispânica. Está convencido de que ser católico significa ser universal, de que o razoável é a fé e de que a Igreja, apesar do empenho que pomos nos homens para enfeiar seu rosto, é Mãe e Tesouro de critério seguro.

Jorge Soley, jorgesoley@yahoo.com, é autor, editor e responsável pelo Blog 'Mientras el mundo gira', alojado no espaço da web de www.religionenlibertad.com

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ser cristãos de verdade é ser uma pessoa inteira, afirma Bispo Munilla.


 ACIPRENSA.COM

 


Ser cristãos de verdade é ser uma pessoa inteira, afirma Bispo Munilla.

O Bispo de São Sebastião (Espanha), Mons. José Ignacio Munilla, afirmou nesta sexta-feira que mais que o ateísmo, a maior dificuldade que enfrenta o catolicismo é a deformação da fé que leva as pessoas a "crerem em um deus fabricado à sua medida".

Durante a celebração da festa da Virgem de Aránzazu (O Santuário de Nossa Senhora de Aránzazu é um santuário mariano situado no município de Oñati, em Guipúzcoa, País Basco na Espanha) , o Prelado disse que a tendência do relativismo é empurrar a uma "espécie de ‘fé, à la carte’( à moda da casa - expressão popular), que parece caracterizar nosso tempo".

Indicou que esta deformação da fé é "levada a cabo desde as categorias ideológicas do momento, ou simplesmente, de nossos gostos pessoais".

Advertiu que isto traz "o risco de deixar de crer no  Deus que nos criou à sua imagem e semelhança, para passar a crer em um deus fabricado à medida de cada um de nós".

Mons. Munilla disse que para não cair nesta tentação se deve seguir o exemplo de Maria que acolheu com fidelidade a Revelação de Deus, pois a cultura relativista não tem dificuldade em admitir a existência de um ser superior, mas sim de aceitar "que Deus se tenha revelado por um caminho concreto (o povo de Israel e Jesus Cristo) para todos nós, e tenha deixado indicado o caminho que nos conduz até Ele".

A cultura do relativismo aceita sem problema a abertura a uma vaga espiritualidade subjetivista, que nos possibilita uma religiosidade 'à la carte'; mas rechaça como algo politicamente incorreto, a fé católica na Revelação, da qual se deriva a obediência ao caminho traçado por Deus", acrescentou.

Disse que em troca, "Maria nos educa na plena abertura da vontade de Deus, mais além inclusive de nossas próprias ideologias e expectativas", e ensina que não se deve chegar à Sagrada Escritura esperando que o Pai pense como os homens, mas para conhecer o que Ele quer dizer, "de forma que nosso pensamento e nossa sensibilidade sejam educados conforme o querer e o sentir de Deus".


Leia mais: http://www.ewtnnoticias.com/noticias-catolicas/noticia.php?id=23631#ixzz1YbegnmLw


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Descobrindo a felicidade, o amor ao próximo! (Oscar Wilde)


Descobrindo a felicidade, o amor ao próximo!


Historias Urbanas - O príncipe Feliz
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Descobrindo a felicidade
A estátua do príncipe feliz dominava a cidade. Toda ela estava revestida de lâminas de ouro, por olhos tinha dois diamantes e um grande rubi resplandecia na empunhadura de sua espada.

Numa noite chegou à cidade uma andorinha. Suas companheiras  tinham voado ao sul seis semanas antes. Ela  tinha se atrasado e devia voar antes  que chegasse o frio. Viu a estátua encima de uma coluna e decidiu passar a noite ali. Pousou aos seus pés, protegeu a cabeça debaixo das asas e  dormiu até que sentiu que lhe caía uma gota de água.

Estará chovendo? - perguntou-se a andorinha, e caiu outra gota. Segura de que chovia decidiu buscar melhor lugar para dormir.

Porém antes de que pudesse abrir suas asas, a andorinha viu algo assombroso: da estátua do príncipe feliz  brotavam lágrimas dos olhos. Eram as gotas que lhe  tinham molhado.

Por que choras? - perguntou a andorinha intrigada.

-Choro porque, quando estava vivo, tinha um coração como o teu e  passava as horas brincando nos jardins de meu palácio. Tudo me alegrava e por isso me chamavam príncipe feliz. Mas, desde que me puseram neste lugar tão alto, posso contemplar  todas as pessoas tristes do povo e, mesmo tendo agora um coração de chumbo, a tristeza dos demais me faz chorar. Olha, não longe daqui vive a senhora mais pobre deste povoado. Seu filho está enfermo e tem muita sede. O menino  pede laranjas à sua mãe, mas ela não tem com que comprá-las e só pode dar-lhe água do rio. Toma um de meus olhos de diamante e leva para ela.

Mesmo sabendo a andorinha que devia fugir daquele frio mortal, fez o que lhe pediu o príncipe feliz. Colheu com seu bico um dos olhos de diamante e o levou à mãe. Quando a andorinha regressou à praça onde estava a estátua, disse ao príncipe.

-Que estranho! Com todo o frio que faz, sinto um calorzinho que me cresce no peito.

-Sentes assim? - comentou o príncipe - porque fizeste o bem. Toma agora meu outro olho e entrega-o à aquella menina que busca pão para a família e não o encontra.

-Mas não poderás ver mais- disse a andorinha.

-Não me importa. O que mais desejo é que essa menina e sua família possam ter a comida que necessitam.

Outra vez fez a andorinha o que o príncipe lhe pedia. Quando regressou, começou a nevar novamente.

-Vai-te  reunir com tuas companheiras - lhe aconselhou o príncipe -, que o frio se acerca.

-Não - respondeu a andorinha - agora que não podes ver, eu ficarei contigo e te acompanharei sempre. Mesmo tendo muito frio, te contarei o que vejo.

-Diga-me que coisas tristes vês no povoado.

-Vejo muitas crianças com fome percorrendo as ruas.

- Toma o ouro que cobre meu corpo - pediu o príncipe e reparte-o entre essas crianças.

Nevava e nevava e, mesmo sentindo muito frio nada a detinha e repartiu as peças de ouro às crianças que gritavam: até que enfim podemos comer! Mas a andorinha sofria cada vez mais pelo frio até que finalmente adoeceu. Para espantar o frio, não deixava de mover as asas, enquanto contava ao príncipe tudo o que viam seus olhos. Não lhe restavam muitas forças e compreendeu que não poderia resistir  muito mais.

-Adeus meu querido príncipe feliz - disse a andorinha.

Deu-lhe um beijo e caiu aos seus pés. No  mesmo instante, o coração de chumbo da estátua se rompeu em pedaços.

E no dia em que Deus disse a um de seus anjos "traga-me as duas coisas mais belas desse povoado", o anjo levou diante d'Ele a boa andorinha e o coração de chumbo da estátua do príncipe feliz, que tinham sido tirados pela gente importante da cidade.

Desde esse dia a andorinha canta para Deus e o príncipe feliz lhe fala dos pobres que ainda restam no mundo.

Por Oscar Wilde
Fonte: www.aciprensa.com

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A propósito de um monge tibetano. É justo imolar-se por uma boa causa? Respondem Vittório Messori e o cardeal Martino.


ReligionenLibertad.com



A propósito de um monge tibetano. É justo imolar-se por uma boa causa? Respondem Vittório Messori e o cardeal Martino

Andrea Tornielli / Vatican Insider- 17 dezembro 2012-religionenlibertad.com  

É justo imolar-se por uma boa causa? Suicidar-se para denunciar a opressão que sofre o próprio povo, tal como fazem os monges tibetanos? A reflexão que propôs Enzo Bianchi em alguns jornais italianos, sobretudo no “La Stampa”, provocou discussões. Por isso pedimos ao cardeal Renato Raffaele Martino e ao escritor Vittório Messori que comentassem as palavras do prior da Comunidade de Bosé. 

«Vale a pena deixar-se interrogar por estes monges dispostos a consumar suas vidas entre as chamas como incenso», escreveu Bianchi, recordando que os monges suicidas, «com suas vidas e com sua morte, querem afirmar a grandeza de uma religião e de uma cultura que não aceita pregar diante do mal». 

«Para nós, os cristãos –explica o cardeal Martino, ex-presidente do Pontifício Conselho de Justiça e Paz, e, durante muitos anos foi Núncio em países asiáticos e representante da Santa Sé  na ONU–, é inconcebível o suicídio. Mesmo que este tirar-se a vida possa ter fins nobres. 

O Catecismo da Igreja católica ensina que o suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano para conservar a própria vida e que vai contra o amor do Deus vivo. Se se comete para servir como exemplo, se enche também de gravidade de escândalo. Ainda que a angústia ou o temor grande da provação, do sofrimento ou da tortura possam atenuar a responsabilidade dos que o cometem». 

«Fica claro –sublinha o cardeal– que o gesto dos monges tibetanos se inscrevem em um determinado âmbito religioso. Mas não se pode comparar com o martírio cristão. Muitos cristãos sofreram perseguições pelo ódio contra da fé que professam, mas não levaram a cabo gestos deste tipo e suportaram até o final as consequências da perseguição». 

Vittorio Messori, um dos escritores católicos italianos mais conhecidos, convida, sobretudo, recordar a história do Tibet: «Não podem esquecer que até 1950 esse país era a mais dura das teocracias sacras. O Dalai Lama tinha seus feudatários, que eram os Lama: possuíam todas as terras, tinham poder para decidir sobre a vida e a morte. Cada família devia enviar pelo menos um filho ao monastério, com consequências desagradáveis em caso de desobediência. A saber, o Tibet antes do domínio chinês não era um modelo para os direitos humanos». 

Segundo Messori, a reflexão de Enzo Bianchi ées interessante, pois diz que «reconhece a diferença entre a perspectiva budista e a perspectiva cristã, explicando desta forma que seria impróprio traçar uma comparação entre os monges que se ateiam fogo e a atitude de Jesus diante de seus perseguidores e os mártires cristãos». 

Para o cristianismo, explica o escritor, «a vida é um dom de Deus e só Ele pode tirá-la. O mártir cristão, assassinado pelo ódio, é reconhecido como santo, mas o martírio não se pode buscar nunca. Na Idade Média houve alguns franciscanos que morreram na Argélia porque se foram pregar o Evangelho e a denegrir Maomé em um mercado público. Não foram reconhecidos como mártires por sua imprudência». 

Messori cita a respeito alguns exemplos do passado e do presente. «Santa Apolônia de Alexandria, que viveu no século III e se converteu na protetora dos que tem dor de dente  porque seus perseguidores lhe arrancaram os dentes com um cinzel, foi levada à um forno. Disseram-lhe: ou blasfemas e renegas tua fé ou te lançamos às chamas. Apolônia conseguiu libertar-se de seus perseguidores e se lançou nas chamas. O reconhecimento de sua santidade causou debates, porque havia antecipado o gesto de seus perseguidores». 

O escritor recorda, para terminar, dois casos do século passado: o do estudante Jan Palach que se imolou se ateando fogo durante a Primavera de Praga (em 1969) e o do irlandês Bobby Sands, que em 1981  morreu de fome em um cárcere na Irlanda do Norte como protesto porque não se reconhecia o status de preso político. «Em ambos casos –explicou– a Igreja católica expressou respeito por seus gestos, mas não a aprovação».

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Cristina L. Schlichting conta como passou de não ter fé à contagiar toda a família


ReligionenLibertad.com 



Cristina L. Schlichting conta como passou de não ter fé à contagiar toda a família

A famosa jornalista da Cadeia COPE desnuda sua alma para dar a conhecer ao grande público como passou da descrença ao compromisso de fé.

Camino Católico- 29 novembro 2012-religionenlibertad.com  

Cristina Lopez Schlichting, nascida em Madri em 1965, é jornalista. Sua carreira profissional começou no diário ABC como repórter e daquele meio passou ao 'El Mundo'. 

Desde 2002 apresentou e dirigiu distintos espaços no Cope, mudando a imprensa escrita pelo rádio. Sua vida também foi transformada por Deus porque “em criança não tinha fé. A fé é uma graça que se recebe através de testemunhos e meus pais não eram praticantes. Então, tive que fazer um caminho para encontrar os testemunhos, aqueles que dão fé por ter se encontrado com Cristo. Em meu caso foram as religiosas Mercedárias da Caridade no colégio e pessoas do Comunhão e Libertação”. 

Sua conversão e testemunho de vida acabou atraindo à Igreja Católica os seus pais, irmãs e cunhados, que se deixaram configurar por Cristo. Contou seu encontro com o Senhor, em uma entrevista realizada por Gonzalo Altozano para “Não é bom que Deus esteja só” em Inter-economia TV, que pode visualizar-se no vídeo um pouco mais abaixo.

Problemas existenciais
Ela e suas três irmãs eram de pequenas muito pesadas colocando problemas existenciais aos seus pais. Nelas havia uma inquietude de busca sendo crianças. Cristina Lopez Schlichting conta que “minha irmã Patrícia se levantava de noite chorando perguntando que sentido tinha a vida. Nossa família sempre nos educou na verdade e no amor à beleza e nós perguntávamos aos meus pais sobre as razões da vida e eles não sabiam dá-las”.

Religiosas Mercedárias da Caridade e Comunhão e Libertação
O testemunho e a educação no colégio das religiosas Mercedárias da Caridade calaram no coração de Cristina.Depois conheceu  pessoas do movimento de Comunhão e Libertação que nasceu nos anos 1950 pela mão do sacerdote italiano Luigi Giussani, especialmente interessado pela vida dos estudantes, que tinham uma cultura católica, mas que não punham em prática a fé. Hoje Comunhão e Libertação aglutina 300.000 pessoas na Itália e grupos muito pequenos por países de todo o mundo. Na  Espanha há umas 3000 personas.

Um encontro de amizade
“A história de amizade com Cristo é uma história de amizade pessoal. Em meu caso concreto o Senhor me seduziu com a inteligência, com a proposta cultural de Comunhão e Libertação, mas em definitivo me seduziu para a Igreja. Um movimento não é mais que um caminho de educação na fé para te introduzir na Igreja Universal que é ao que pertences” explica Cristina Lopez Schlichting.

Arrastar os familiares com o testemunho
A importância do caminho de conversão de Cristina vivido pela mão da Comunhão e Libertação deu frutos familiares: “Quando eu me aproximei da Igreja o fizeram progressivamente todas minhas irmãs, todos meus cunhados e meus pais, que voltaram a praticar. Eles viram que eu tinha conhecido gente interessante, que podia dar razão de sua fé desde a inteligência e a cultura, que estava orgulhosa de sua tradição. E então lhe pusemos nome ao que buscava o desejo de nosso coração. O nome era Cristo e vivia em sua Igreja”.

Define-se como “jornalista católica" . Todos tem uma identidade e no meu caso uma identidade católica clara. Depois me desempenho no âmbito do jornalismo. Dizer o contrário seria como reduzir o jornalismo à uma modalidade específica. Jornalista protestante, jornalista católica, jornalista comunista… Isso é absurdo”, comenta.

Cristina explica suas experiências de relacionamento com Jesus com firme convicção comunicativa referindo-se à vários aspectos da vida da fé:

“O Senhor ama suas criaturas de uma maneira  cativante e a cada uma, como uma mãe a um filho, a abraça da maneira que necessita. A história com o Senhor é uma história de amor: Saber que alguém foi criado, que o outro tem contados os cabelos de sua cabeça, que Deus se preocupa por ti a cada instante e que o caminho que estás fazendo é o que tem que fazer teu coração. A fé precisa dos acontecimentos para verificar-se. Tu experimentas a presença de Cristo  tanto que muda a realidade em que vives. Se tu não vais até o fundo das coisas, da realidade, é impossível que te coloques o problema da fé, porque é o problema essencial do ser humano".

"O catolicismo é alegria enquanto um homem constata  ao vivê-lo que sua vida tem sentido, que se deita em paz, porque sabe que dorme nas mãos de Deus e que depende de Ele para amanhecer no dia seguinte. O catolicismo é a alegria máxima no homem que se sente querido e sabe que seus sofrimentos tem sentido". 

"A experiência do perdão no catolicismo, do qual carecem o judaísmo e o islã, é inclusive muito libertador desde o punto de vista terapêutico, psicológico, humano, ou seja que se que, em certo sentido, o Senhor alivia nossas cargas".

"A experiência da igreja demonstra que as épocas mais ameaçadoras foram sementes de algo grande. Há figuras que desde a história da Igreja se convertem em testemunho para todos. Por exemplo, a Madre Teresa em Calcutá onde começou uma obra extraordinária em meio de grande miséria. Francisco de Assis abandonou todas as riquezas. Catarina de Sena cuida das pessoas que têm câncer. Há um mistério através do qual em situações de sofrimento ou de extrema pobreza o Senhor se manifesta com muito esplendor". 

"A positividade da existência é constatar que tudo o que acontece é fruto do amor criador de Deus e que o caminho do homem por azarento que seja tem um sentido. E isto o compreendes quando te encontras com pessoas que vivem situações muito difíceis e que são para ti um ânimo. Eu tenho amigos que tiveram uma enfermidade grave como o câncer aos quais ia ver no hospital para que me fortalecessem. Isto não é deste mundo. Não é normal que quando uma pessoa enfrenta uma situação tão desagradável  cresça. Isso é testemunho do outro. Quando tu vês estes milagres patentes diante de ti, te dá conta que entrou na história um fator que a muda, que muda o ritmo ordinário ou natural das coisas”.

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sequestraram-lhe no Sudão, lhe ofereceram mulheres para converter-se ao islam e um «anjo» lhe salvou.


ReligionenLibertad.com 


Patrick Noonan, um ex-soldado britânico

Sequestraram-lhe no Sudão, lhe ofereceram mulheres para converter-se ao islam e um «anjo» lhe salvou.

"Minha fé me ajudou a ir adiante naquele calvário", disse Noonan, que se declara católico devoto e que não parou de rezar até que o libertassem.


 M. V. / ReL - 4 dezembro 2012 - religionenlibertad.com

Patrick Noonan, um ex-soldado britânico de 48 anos, foi sequestrado no mês de março passado por soldados rebeldes ao Governo no sul de Darfur (Sudão), quando trabalhava para o Programa Mundial de Alimentos da ONU. 

Seu sequestro durou três longos meses, um tempo em que foi provado em sua fé quando tentaram que se convertesse ao islam.  Acorrentado e nu em uma cela isolada de cerca de dois metros metros, Patrick sobreviveu alimentando-se das laranjas e do leite de camelo que lhe ofereciam. 

“Sou um  católico devoto  e antes de ser sequestrado rezava pelas manhãs e pela noite. Fui a Darfur com o objetivo de ajudar os mais vulneráveis e quando me sequestraram só pensava em minha família, não fazia mais que rezar. Foi sem dúvida minha fé que me ajudou ir adiante”, assegura este irlandês do norte, casado e pai de duas crianças pequenas.

“Ofereceram-me duas mulheres e tentaram que me convertesse”
Durante seu cativeiro Patrick viu quando um de seus captores mussulmanos rezava junto a ele. “Falava um inglês perfeito, era um devoto mussulmano. Punha-se a rezar ao meu lado e um dia tentou me converter ao islam: me ofereceu duas mulheres e tentou convencer-me para que os ajudasse a combater os rebeldes. Tentou várias vezes, mas eu lhe disse que acreditava em Jesus, que só podia ter uma mulher e que não podia lutar porque trabalho para as Nações Unidas e sou neutro”, explica. 

Os rebeldes de Darfur pegaram em armas contra o governo central em 2003, queixando-se de que Cartum havia descuidado por completo a região. Cartum mobilizou tropas e milícias em sua maioria árabes para sufocar os distúrbios. Os combates foram diminuindo com os anos, mas o conflito tribal e os enfrentamentos entre as tropas governamentais e os rebeldes seguem afetando a região. 

Gravemente enfermo
Apesar de sua experiência como soldado (Noonan havia trabalhado 23 anos como soldado no regimento Príncipe de Gales e desde 2005 trabalhava para a ONU no Iraque) depois de dois meses de viver à base de laranjas, sem apenas poder beber água, caiu gravemente enfermo. 

Assegura que sobreviveu graças a “uma experiência que me convenceu de que temos um anjo da guarda”. 

Assim relata: "Por volta da terceira semana de abril me sentia muito fraco. Nesse dia em particular me sentia especialmente fraco, tinha dores no peito e estávamos numa temperatura de aproximadamente 45 graus embaixo de um refúgio de lona. Pensei que ia a morrer e fiquei dormindo, não sei quanto tempo. Despertei de repente com uma voz em minha cabeça que me dizia ‘esta gente não é suficientemente forte para vencer-me’. Na semana antes que me sequestrassem, eu tinha falado com minha tia em Dublin dizendo-lhe que voltaria a vê-la no fim de semana de São Patrício. Quando fui libertado e cheguei na Inglaterra, me inteirei por minha mãe de que minha tia tinha morrido em 4 de abril. Eu estou convencido de que ela foi a pessoa que me manteve vivo, meu anjo da guarda durante aqueles dias de calvário”, relata. 

Desde 2009, quarenta trabalhadores humanitários foram sequestrados em Darfur, incluindo Noonan.

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Juan Manuel de Prada fala de «A morte me achará» «Uma Espanha que pode ter sido claramente católica se converteu em farisaicamente católica»


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Juan Manuel de Prada fala de «A morte me achará» «Uma Espanha que pode ter sido claramente católica se converteu em farisaicamente católica»

Sua última novela, ambientada na Divisão Azul e nos anos cinquenta, aborda a progressiva degradação moral quando se desvanecem os princípios.

Carmelo Lopez-Arias/ReL-26 novembro 2012-religionenlibertad.com  

Juan Manuel de Prada regressou à novela cinco anos depois com uma história poderosa. A meio caminho entre o gênero negro, o sub-gênero de representação de personalidades e o drama moral, "A morte me achará" (Destino) retrata a um homem que se alista em 1942 na Divisão Azul, é capturado e passa treze anos em um campo de concentração. Quando regressa em 1954 entre os repatriados de Semíramis, a Espanha está mudada, mudou as circunstâncias pessoais que esperava encontrar à sua volta e, sobretudo, ele mudou.

O protagonista de "A morte me achará" vai submergindo no mal quase sem perceber. É uma advertência ao leitor do que pode suceder a  ele também?

Quando escrevo minha intenção é moral, mas não moralizante. Então não é uma advertência nesse sentido. O escritor só mostra o que tem que dizer através de seus personagens, e estes são complexos. Mas sim eu quis chamar a atenção sobre a necessidade de que submetamos à juízo nossa conduta, e de que o guia de nossas ações seja um princípio moral.

Isso é o que falta a Antônio…
Antônio não é mal, mas sim considera que se pode contornar o problema do mal, e que em consequência pode se cometer más ações para obter algo proveitoso.

O curioso é que essa vis amoral não explode na guerra, cenário teoricamente ótimo para o mal, mas na vida cotidiana do regresso...
É que antes de se alistar  na Divisão Azul ele é simplesmente um velhaco que busca a sobrevivência. No seu regresso é algo mais. 
Sente a ganância e o desejo de alcançar coisas que não tem mais que ver com sobreviver. O que antes era um estado de necessidade se substitui pela premeditação e o cálculo.

Peca pelo mesmo motivo o homem contemporâneo?
Antônio, ao menos,  passou por uma experiência devastadora: Rússia, a guerra e os longos anos de cativeiro. O mal de hoje é outro: o grande drama de nossa época é o obscurecimento da consciência, o relegamento da moralidade das decisões por  causa de um suposto bem.

Antônio: um personagem capaz de assumir duas personalidades... e de arruinar ambas. O sentimento de culpa está muito presente em toda sua obra... É que a culpa é um grande tema literário, mesmo que agora esteja más ignorado. Nesse sentido sou um escritor fora de seu tempo: hoje na literatura não se suscita isto,  mas  o prêmio que reflete o mal, em vez da culpa ou o sentimento de responsabilidade, que  no entanto são consubstanciais à vida e à experiência. 

E por que sua inquietude por essa questão?
Não poderia explicar. Nasce de minha consideração do humano.

Dostoievski frequentaba esses temas...
A obra de Dostoievski sempre me  interessou muito, ainda que a minha é, obviamente, mais leve.

Por que seguimos vinculados à ideias como a culpa, o pecado ou a expiação, se cada vez somos mais relativistas e nihilistas?
É algo que não se pode apagar: a capacidade de julgar moralmente as ações está por naturaleza em nós. Na cultura contemporânea há, no entanto, um esforço consciente e  consciencioso para apagar de nós essa capacidade e que nossa ação se guie pela conveniência ou a utilidade.

 Você conseguiu?
Teríamos que deter-nos para ver e realçar. Depois, as últimas gerações, que têm conceitos morais muito desfocados, quando lhes põe à luz estas questões lhes produzem uma irritação intensa, raiva e tensão. Sem os freios morais que dava a religião, este tipo de censuras não tem sentido.

E se não há Deus, onde está a esperança dp perdão?
Se desfocas uma coisa, desfocas tudo. Arruinando nossa capacidade de julgar moralmente, se busca que nossas ações não nos deixem nenhum tipo de remorso, que não sintamos a necessidade de prestar contas diante de ninguém, e menos ainda diante de Deus.

Passamos di farisaísmo ao relaxamento, e nos cremos estupendos...
É uma consequência do puritanismo:  não querer reconhecer que nossa natureza está caída e tocada pelo mal, e portanto aberta à redenção, chegamos a pensar que não necessitamos de redenção porque somos bons. Isto leva à uma tensão extraordinária, porque o homem se crê virtuoso até o limite, mas como na realidade isso é impossível, o passo seguinte é dizer que o mal está bem.

Por que o chama de puritanismo?
É o virus que o protestantismo insere na Cristandade. Afirmamos que vamos ser mais virtuosos que ninguém, mas como na realidade não o somos, acabamos afirmando que nossa falta de virtude não é tanta. 

Na época de "A morte me achará" ainda  não era assim. Um aborto, por exemplo, era o que é: matar uma criança.  Como se situam os leitores diante da duplicidade do protagonista?
A reação de alguns leitores é curiosa. À princípio, Antônio lhes suscita simpatia porque seus crimes, menores, os perpetra para sobreviver. Depois lhes resulta mais difícil essa simpatia, e resistem a aceitar tudo o que termina fazendo. É, pois, uma simpatia incômoda para o leitor, que se enamora de um personagem que é como nós: não é mal, mas se deixa invadir pela maldade. Estou satisfeito de ter criado essa incomodação no leitor.

Por que?
É uma técnica arriscada, porque põe à prova o leitor, e eu  gosto de colocá-lo diante de situações difíceis. A Divisão Azul se prestava à isso. São pessoas que se comportaram nobremente e com heroísmo, mas também com lealdade a Hitler. Pessoas que servem um criminoso podem não sê-lo...!  Parece-me um tema muito apaixonante. Além de que o cativeiro da divisão na Rússia durante tantos anos justificasse o mecanismo narrativo da novela, como cartada perfeita para uma representação de personalidade.

Você é duro na novela ao julgar essa época de meados dos anos cinquenta...
A verdade é que me apetecia escrever sobre essa época, que é uma época cheia de interesse, de grandes transformações sociais, de grande ebulição em todos as ordens: social, cultural, política... Há uma espécie de onda de muitas coisas. E uma Espanha que pode ter sido claramente católica se converteu em farisaicamente católica, semente do que explodirá depois na democracia.
   
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