Eis que venho, Senhor!

Eis que venho, Senhor!
Com alegria, Senhor, faço a Vossa Vontade.

domingo, 26 de outubro de 2014

Oh, bendita Missa, que tão útil é aos vivos e aos mortos no tempo e na eternidade! Com efeito, estas almas santas são tão agradecidas aos seus bem feitores, que, estando no céu, se consti­tuem ali suas advogadas, e não cessam de interceder por eles até vê-los na posse da glória.

O TESOURO ESCONDIDO DA A SANTA MISSA
  São Leonardo de Porto Maurício (1676-1751)


7. (continuação) A Santa Missa proporciona um grande alívio às almas do purgatório

Oh, bendita Missa, que tão útil é  aos vivos e aos mortos no tempo e na eternidade! Com efeito, estas almas santas são tão agradecidas aos seus bem feitores, que, estando no céu, se consti­tuem ali suas advogadas, e não cessam de interceder por eles até vê-los na posse da glória. Como pro­va disto vou contar o que aconteceu a uma mu­lher perversa que vivia em Roma. Esta desgraçada, tendo esquecido inteiramente do importantíssimo ne­gócio de sua salvação, não tratava mais que de satis­fazer suas paixões sozinha, servia-se de auxiliar do demônio para corromper a juventude. 
Em meio de suas desor­dens ainda praticava uma boa obra, que era man­dar celebrar em certos dias a Santa Missa pelo eter­no descanso das almas benditas do purgatório. 
Pelo efeito das orações destas almas santas, como se crê piedosamente, sentiu-se um dia aquela infeliz mulher surprendida por uma dor  tão amarga por seus pecados, que de repente, e abandonando o infame lugar onde se encontrava, foi  prostrar-se aos pés de um zeloso sacerdote para fazer sua confissão geral. 
Em pouco tempo morreu com as melhores disposições e dando sinais dos mais certos de sua predestinação.  E a que poderemos atribuir esta graça prodigiosa, senão ao mérito das Missas que ela fazia celebrar em alívio das almas do purgatório? 
Despertemos, pois, da letargia de nossa falta de devoção, e não permitamos que os publicanos e as mulheres per­didas  nos precedam em conseguir o reino de Deus (Mt  21,31).

Se fossem do número daqueles avarentos, que não somente quebram as leis da caridade descui­dando da oração por seus defuntos e não ouvindo, ao menos de tempo em tempo, uma Missa por estas po­bres almas, mas, profanando os sagrados foros da justiça, recusam satisfazer os legados piedo­sos e fazer celebrar as Missas apoiadas por seus an­tepassados ou que, sendo sacerdotes, acumulam um con­siderável número de esmolas, sem pensar na obri­gação de cumpri-las a tempo, ah! avivado então pelo fogo de um santo zelo, te direi cara a cara: Retira-te, porque és pior que um demônio; porque os demônios no final só  atormentam os réprobos, mas tu atormentas os predestinados; os demô­nios empregam seu furor com os condenados, mas tu descarregas o teu  sobre os escolhidos e amigos de Deus. 
Não, certamente: não há para ti confissão que val­ha, nem confessor que possa absolver-te, enquanto não faças penitência de tal iniquidade e não preencha obedientemente tuas obrigações com os mortos. Mas, meu Pai, dirá alguém, eu não tenho meios para isso... não me é possível...  Como não podes?  Como não tens meios? E te faltam por ventura para bri­lhar nas festas e espetáculos do mundo? Fal­tam recursos para um luxo excessivo e outras superfi­cialidades? Ah! Tens meios para ser pródigo em tua comida, em tuas diversões e prazeres e... talvez em tuas desordens escandalosos? 
Em uma palavra, te­ns recursos para satisfazer tuas paixões, e quando se trata de pagar tuas dívidas aos vivos, e o que ainda é mais justo, aos defuntos, não tens com que satis­fazê-las? Não podes dispor de nada em seu favor? 

Ah!  compreendo: é que não há no mundo quem examine essas contas, e te esqueces neste assunto de que precisa se aproximar de Deus. Continua, pois, consu­mindo a propriedade dos mortos, os legados pie­dosos, as rendas destinadas ao Santo Sacrifício; mas tem presente que existe nas Santas Escrituras uma ameaça profética registrada contra ti; ameaça de terríveis desgraças, de enfermidades, de reveses de fortuna, de males irreparáveis em tua pessoa e em tua reputação. 
É palavra de Deus, e antes que ela deixe de cumprir-se faltarão os céus e a terra. A ruína, a desgraça e males irremediáveis descarregarão sobre as casas daqueles que não satisfazem suas obrigações para com os mortos. Percorre o mundo, e so­bretudo os povos cristãos, e verás muitas fa­ílias dispersas, muitos estabelecimentos arruinados, muitos armazéns fechados, muitas empresas e com­panhias com suspensão de pagamentos, muitos negócios frus­trados, quebras sem número, imensos trastornos e desgraças sem conta. Diante deste quadro tristíssimo ex­clamarás sem dúvida: Pobre mundo, infeliz sociedade! Bem, se buscas a origem de todos estes desas­tres, acharás que uma das causas principais é a crueldade com que se trata os defuntos, descuidan­do em socorrê-los como é devido, e não cumprindo os legados piedosos: além disso, se cometem uma infi­nidade de sacrilégios, é profanado o Santo Sacrifício, e a casa de Deus, segundo a enérgica expressão do Salvador, é convertida em cova de ladrões. 
E depois disto,  quem se admirará de que o céu envie seus açoites, o raio, a guerra, a peste, a fome, os tremores de terra e todo gênero de castigos? 
E por que assim? Ah! Devoraram os bens dos defuntos, e o Senhor descarregou sobre eles seu pesa­do braço: "Lingua eorum et adinventiones eorum contra Dominum. (...) Vae animae eorum, quoniam reddita sunt eis mala". (A língua e as suas obras são contra o SENHOR. (...) Ai de sua alma! Por que eles fazem mal a si mesmos ".)
Com razão, pois, o quarto Concílio de Cartago declarou excomungados  estes ingratos, como verdadeiros homicidas de seus próximos; e o Concílio de Valência ordenou que a Igreja lançasse fora, como infiéis.

Ainda no é este o maior dos castigos que Deus tem reservado aos homens sem piedade para com seus defuntos: os males mais terríveis lhes esperam na outra vida. 
O Apóstolo Tiago nos assegura que o Senhor julgará sem misericórdia, e com todo o ri­gor de sua justiça, aos que não foram misericor­diosos com seus próximos vivos e mortos: "Iucicium enim sine misericordia illi qui non fecit misericordiam". ("Juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia".) 
Ele permitirá que seus herdeiros lhes paguem na mesma moeda, ou, que não se cumpram suas últimas disposições, que não se celebrem por suas al­mas as Missas que necessitavam, e, no caso de que se celebrem, Deus Nosso Senhor, em lugar de tomá-las em conta, aplicará seu fruto para outras almas necessitadas que durante sua vida tiveram com­paixão pelos fiéis defuntos. 
Escuta o seguinte ad­mirável sucesso que se lê em nossas crônicas, e que tem uma íntima conexão com o ponto da doutrina que vimos explicando. 
Apareceu  um religioso depois de morto para um de seus companheiros, e lhe mani­festou as agudíssimas dores que sofria no purgatório por ter descuidado da oração em favor dos outros religiosos defuntos, e acrescentou que até en­tão nenhum socorro tinha recebido, nem das boas obras praticadas, nem das Missas que se tinham celebrado para seu alívio; porque Deus, com justo castigo de sua negligência, tinha aplicado seu mérito para outras almas que durante sua vida tinham sido muito devotas das do purgatório. 
Antes de concluir a presente instrução, permite-me que ajoelhado e com as mãos juntas te suplique encarecidamente, que não feches este pequeno livro sem ter tomado an­tes a firme resolução de fazer  todas as diligências possíveis para participar e mandar celebrar a Santa Missa, com tanta frequência como teu estado e ocupações o permitam. Eu te  suplico, não somente pelo interesse das almas dos defuntos, mas tam­bém pelo teu, e isto por duas razões: a primera, a fim de que alcances a graça de uma boa e santa morte, pois dizem constantemente os teólogos que não existe meio tão eficaz como a Santa Missa para conseguir este ditoso fim. 
Nosso Senhor Je­sus Cristo revelou a Santa Matilde, que quem  tivesse o piedoso costume de participar devotamente da Santa Missa, seria consolado no instante da morte com a presença dos Anjos e Santos, seus advogados, que lhe protegeriam  contra os artifícios do inferno. Ah! Que doce será tua morte se durante a vida participastes das Missas com devoção e com a maior frequência possível!

domingo, 17 de agosto de 2014

A menina prodígio que desmontou as terapias do reiki com um trabalho escolar.

abc.es/ciencia

CIÊNCIA

A menina prodígio que desmontou as terapias do reiki com um trabalho escolar

F.MABC_ES / MADRID
12/08/2014 -

Seitas
(acontecimentos)

Emily Rosa conseguiu publicar seu experimento em uma revista científica depois de desacreditar a técnica de imposição de mãos
A menina prodígio que desmontou as terapias do reiki com um trabalho escolar

AFP
La niña prodigio que desmontó las terapias de reiki con un trabajo escolar
Imagem de arquivo de uma terapeuta de reiki impondo suas mãos em um enfermo em um hospital dos Estados Unidos

Com onze anos conseguiu um desafio que  muitos investigadores   levaram anos de esforço: publicar em uma revista científica. Emily Rosa está na História da Ciência por ser a pessoa mais jovem em levar uma de suas investigações às páginas de uma publicação. E o fez com um trabalho que desmontou a suposta medicina alternativa do toque terapêutico, uma técnica de cura relacionada com o reiki.

O toque terapêutico e o reiki partem de uma premissa: o ser humano tem um «campo energético» que se se desequilibra causa enfermidades. O terapeuta, um guia, pode impor as mãos para mudar o fluxo do chi (para os chineses a energia espiritual do universo) –ou prana, em sua versão indiana– que faz melhorar a saúde do enfermo. Um tratamento que a ciência nunca aceitou.

Esta técnica assegura que pode levar a cura com a imposição das mãos
Mesmo que o reiki como o toque terapêutico soem a algo ancestral de milhares de anos de história com uma profunda base espiritual,  certo é que são técnicas que se inventaram no século XX.

Em concreto o toque terapêutico surgiu em 1970 pela mão de Dolores Krieger, professora emérita de enfermagem na Universidade de Nova York. Junto a uma companhera, Dora Kun, seguidora da teosofia (um  amálgama de filosofia, ciência e espiritualidade) criaram esta pseudociência que assegura a cura com a simples imposição das mãos.

Em poucos anos houve um crescimento exponencial de seguidores desta técnica. Incluindo  milhares de médicos que nos Estados Unidos  aprenderam com todo o halo místico que lhe trataram de insuflar apesar de ser recém criada.
Luis Alfonso Gamez, que leva una vida desmontando «magufos» de sua tribuna de 'El Correo', estima em mais de 43.000 as clínicas que praticavam o toque terapêutico em um artigo que também conta a história de Emily Rosa.

Um trabalho do 4º ano

Com estes antecedentes, uma dessas meninas que não param de se questionar em tudo se lançou para descobrir o que havia atrás do toque terapêutico. Emily Rosa, na época uma estudante do quarto grau em um colégio normal do estado do Colorado, desenhou um simples experimento para determinar se os «terapeutas» podem ou não sentir o «campo energético» dos seres humanos. O resultado não pôde ser mais claro: apenas  nada sentiam.

O processo era simples: Emily Rosa se sentava na frente do terapeuta. Entre eles uma tela de papelão impedia poder se ver  cara a cara. Só havia dois buracos na  tela por onde o expecialista em toque terapêutico introduzia suas mãos. Nesse momento Emily escolhia aproximar sua mão (e com ela sua suposta energia vital) em uma das duas extremidades do terapeuta, que devia «sentir» sobre qual delas se situava (sem se aproximar  demasiado para que não sentissem o calor corporal, algo realmente constatável sem nenhum poder místico).

Os terapeutas sentiram a energia no mesmo número de vezes que dita a probabilidade

O resultado foi que dos 28 testes que realizou, o número de acerto foi de 47%. Tão aproximado ao que diz a probabilidade que, efetivamente, se as pessoas tivessem realizado na sorte, o resultado teria sido o mesmo. Tanto é assim que a escolha da mão sobre a que Emily enviava sua energia a fazia com a ajuda de uma moeda lançada ao ar. Pura sorte, pura estatística.

No entanto, Dolores Krieger, a fundadora desta medicina, não se prestou ao experimento. «Eu a vi e estava muito assustada», contava a menina em uma entrevista. Uma entrevista  que também surpreende descobrir sua «mente científica», sempre buscando   que outros refutassem seu experimento, esperando que outras pessoas repetissem sua prova para poder afirmar com segurança sua verdade: a verdade da ciência verificada.

O resultado de tanto esfuorço chegou em 1998 com a publicação de seu trabalho na revista Journal of the American Medical Association. Um feito épico para o trabalho escolar de uma menina de 11 anos.


No vídeo, o experimento replicado para a CBS alojado no YouTube.

http://www.abc.es/ciencia/20140812/abci-reiki-experimento-fraude-201408111236.html?ns_campaign=GS_MS&ns_mchannel=abc_ciencia&ns_source=FB&ns_fee=0&ns_linkname=CM

terça-feira, 29 de julho de 2014

Era abortista, anticlerical e lésbica: escutando testemunhos em Medjugorje sua vida se transformou.

ReligionenLibertad.com

Francesca hoje tem marido, vai à missa, é pró-vida e feliz

Era abortista, anticlerical e lésbica: escutando testemunhos em Medjugorje sua vida se transformou.
Era abortista, anticlerical y lesbiana: escuchando testimonios en Medjugorje su vida se transformó
As peças do quebra-cabeça de sua identidade não se encaixavam até que se abriu a Deus, à fé, à vida, à maternidade e ao dom.

La Bussola Quotidiana / ReL - 22 julho 2014 - religionenlibertad.com 

A italiana Francesca  publicou seu testemunho em 'La Bussola Quotidiana', sua viagem da militância abortista e anticlerical e os sentimentos de atração pelo mesmo sexo à comunidade cristã, a partir da reflexão... e uma experiência de Deus em Medjugorje. ReL o traduziu aqui.

Recordo bem esse dia de fevereiro. Estava na universidade. De vez em quando olhava pela janela e me perguntava se Sara já teria ido embora. Sara ficou grávida durante uma rápida história terminada com um teste de gravidez positivo. Dirigiu-se a mim em busca de ajuda, não sabia o que fazer. «É só  um grupo de células», dizíamos.

Depois chegou essa decisão. Sentia-me orgulhosa de ter aconselhado  Sara que abortasse. Acreditava firmemente nessa liberdade que concede a mulher gerir sua própria sexualidade e controlar a maternidade, até eliminá-la de tudo. Filhos incluídos.

No entanto, nesse dia de fevereiro algo mudou. Se estava tão segura de minhas convicções, por que de vez em quando me vinha à mente o aniversário dessa tarde, o cheiro do hospital, o pranto de Sara? Por que cada vez que via  um recém nascido voltava a pensar nessa escolha com profunda tristeza? 

A resposta chegou uns anos depois, durante um seminário pró-vida    que participei. Nele descobri o que realmente era um aborto: um homicídio, ou mais: o que chamavam direito ao aborto era na realidade um homicídio múltiplo onde a mãe e a criança representam as vítimas principais as quais teria que acrescentar as mortes interiores colaterais.

Uma ferida sob o ativismo
Eu pertencia a este grupo. Aprovando o aborto, me produziu a mim a mesma  laceração interior da qual não percebi então. Um pequeno buraco no coração ao qual não prestei atenção, ocupada como estava pelo entusiasmo de uma boa carreira no trabalho apenas iniciada e pela atmosfera progressista em que estava imersa.

Era uma ativista pelo Terceiro Mundo disposta a promover todo tipo de direitos que pudessem fazer a sociedade mais igualitária  e justa, segundo as ideias promovidas pelas vanguardas culturais. 

Era anticlerical: falar de Igreja significava escândalos, pedofilia, riquezas desmedidas, sacerdotes cujo interesse era cultivar algum vício. 

A respeito da existência de Deus,  considerava um passatempo para velhinhas aposentadas. 

Homens imaturos, incapazes de decidir
Nas relações, descobria homens profundamente em crise com a própria masculinidade, atemorizados pela agressividade das mulheres e incapazes de gerir e tomar decisões. 

Conhecia mulheres cansadas (entre as quais me encontrava) de levar adiante relações com homens parecidos com crianças atemorizadas e imaturos. 

Sentia cada vez mais desconfiança para o outro sexo, enquanto via que crescia uma forte cumplicidade com as mulheres, que se reforçou quando comecei a frequentar associações e círculos culturais.

Os debates e oficinas eram momentos de confrontação sobre questões sociais, entre os quais também a instabilidade da existência humana. 

"Amor" fluido: a família não vale
Além do trabalho, a precariedade havia começado a corroer lentamente a esfera afetiva. Necessitava responder a isto promovendo formas de amor baseadas na fluidez da emoção e na  auto-determinação, dando via livre a essas relações capazes de manter o passo com as mudanças da sociedade, algo que, conforme o dito pensamento, a família natural  não podia mais cumprir. Era necessário se desvincular  da relação homem-mulher, considerada já demasiado conflitiva em lugar de complementar.

Em um clima tão efervescente, no final de pouco tempo me encontrei vivendo minha homossexualidade. Sucedeu simplesmente. Senti-me satisfeita e acreditei ter encontrado uma plenitude interior. 

Estava segura de que só  com uma mulher ao meu lado podia encontrar essa realização plena, que era a justa combinação de sentimento, emoções e ideais.

No entanto, pouco a pouco, esse vértice de participação emotiva que se instaurava com as mulheres sob o falso rosto de «feeling», começou a consumir-se até alimentar esse sentido de vazio que nasceu com o aborto de Sara.

Uma surpresa: o sentido de maternidade
Efetivamente, ao apoiar a propaganda abortista, tinha começado a matar a mim mesma, começando pelo sentido de maternidade. 

Estava negando algo que inclui, sim, a relação mãe-filho, mas que vai mais além. Efetivamente, cada mulher é mãe que sabe acolher e tecer os vínculos da sociedade: a família, os amigos e os afetos. 

A mulher exercita uma «maternidade ampliada» que gera vida: é um dom que confere sentido às relações, as enche de conteúdo e as custodia.

Tendo arrancado de mim este valioso dom, me encontrava despojada de minha identidade feminina e em mim se criou «esse pequeno buraco no coração» que depois se converteu em um turbilhão no momento en que vivi minha homossexualidade. Através da relação com uma mulher tentava retomar essa feminilidade de que eu mesma me havia privado.

Em Medjugorje, pela curiosidade de sua irmã
Em pleno terremoto, me chegou um convite inesperado: uma viagem a Medjugorje. Minha  irmã foi que me propôs. Tampouco ela era uma fã da Igreja,mesmo não sendo extremista como eu, mas isso me bastou para que sua proposta me deixasse sem palavras. 

Pediu-me porque tinha estado uns meses antes com um grupo de amigos: foi por curiosidade e agora queria compartilhar comigo essa experiência que, como me disse, tinha sido revolucionária. 

Repetia-me sempre «não sabes o que queres», pelo que acetei. Queria ver verdadeiramente o que havia. 

Fiava-me nela, sabia que era uma pessoa razoável e, portanto, algo devia tê-la tocado. 

No entanto, seguia com minha ideia: de religião não podia chegar nada de bom, menos ainda de um lugar onde seis pessoas declararam que tinham aparições, o que para mim significava uma banal sugestão coletiva. 

Com este pensamento em minha mente, emprendemos a viagem. E eis aqui a surpresa. Escutando o relato de quem estava vivendo este fenômeno (os seis protagonistas, os habitantes do lugar, os médicos que tinham investigado o caso dos videntes), me dei conta de meus preconceitos e de como estes me cegavam e me impediam de observar a realidade como  era. 

Havia empreendido a viagem considerando que em Medjugorje tudo era falso simplesmente porque para mim a religião era falsa, uma invenção para oprimir a liberdade de povos crédulos. No entanto, esta convicção teve que enfrentar  um fato tangível: ali, em Medjugorje, havia um fluxo oceânico de pessoas que chegavam de todo o mundo. Como podia ser falso este fato e permanecer de pé durante mais de trinta anos?

Uma mentira não dura tanto tempo, no final de pouco tempo se vê. Em troca, escutando muitos testemunhos, as pessoas, ao voltarem para casa, seguiam um caminho de fé, se aproximavam dos sacramentos;   resolviam situações familiares dramáticas; os enfermos se curavam, sobretudo das enfermidades da alma, as que habitualmente chamamos ansiedades, depressões, paranóias, que às vezes levam ao suicídio. 

O que havia em Medjugorje que revolucionava a vida dessa multidão? Melhor,  quem havia? Descobri rápido. Ali havia um Deus vivo que se ocupava de seus filhos através das mãos de Maria. 

A importância dos testemunhos
Este novo descobrimento se concretizou escutando os testemunhos de quem tinha passado por esse lugar e tinha decidido permanecer para prestar serviço em alguma comunidade e poder contar aos peregrinos como esta Mãe opera laboriosamente para arrancar  seus próprios filhos da inquietude. 

Esse sentido de vazio que me acompanhava era um estado de alma que podia compartilhar com quem tinha vivido experiências parecidas com as minhas, mas que  diferente de mim, tinha deixado de vagar por aí. 

A partir desse momento, comecei a me fazer perguntas: qual era a realidade capaz de me levar  a uma plena realização? 

O estilo de vida que estava levando,  correspondia efetivamente ao meu verdadeiro bem ou era um mal que tinha contribuído para desenvolver essas feridas na alma? 

Em Medjugorje tinha feito uma experiência de Deus concreta: o sofrimento de quem tinha vivido uma identidade ruída era também meu sofrimento e escutar seu testemunho e sua «ressurreição» me havia aberto os olhos, esses mesmos olhos que no passado viam a fé com  as lentes frias do preconceito. 

Buscando a identidade na Missa e na Palavra
Agora, essa experiência de Deus que «não deixa nunca sós  seus filhos w, sobretudo, não na dor e no desespero» começava em Medjugorje, continuou em minha vida frequentando a Santa Missa.

Tinha sede da verdade e a encontrava só  bebendo dessa fonte de água viva que se chama Palavra de Deus. Aqui, efetivamente, encontrei gravado meu nome, minha história, minha identidade. 

Pouco a pouco entendi que o Senhor tem um projeto original para cada filho, feito de talentos e qualidades que conferem unicidade à pessoa.

Lentamente, a cegueira que ofuscava a razão se dissolveu e em mim nasceu a dúvida de que esses direitos à liberdade em que sempre tinha acreditado foram na realidade um mal disfarçado de bem, que impediam a verdadera Francesca emergir em sua integridade.

Com novos olhos empreendi um caminho no qual tentei compreender a verdade de minha identidade. Participei de seminários pró-vida e ali pude confrontar-me com quem tinha tido experiências similares a minha, com psicoterapeutas e sacerdotes especialistas em temáticas vinculadas à identidade: por fim,   não tinha mais lentes teóricas e vivia na realidade. 

Uma identidade cortada
De fato, aqui juntei as peças deste complicado quebra-cabeças  que se tinha convertido minha vida e se antes  as peças estavam dispersas e encaixadas erroneamente, agora estavam assumindo uma ordem tal pelo qual começava  ver o desenho: minha homossexualidad tinha sido a consequência de uma identidade cortada pelo feminismo e pelo aborto.

Precisamente aquilo em que tinha acreditado durante anos que podia me realizar, me tinha matado, vendendo-me mentiras como se fossem a verdade.

Partindo desta consciência, comecei a conectar de novo com minha identidade de mulher, retomando o que me tinha sido roubado: eu mesma. 

Atualmente estou casada e ao meu lado caminha Davide, que me   acompanhou neste caminho. Para cada um de nós existe um projeto criado por Ele, o único capaz de guiar-nos realmente para o que somos. 

Tudo consiste em dizer nosso sim como filhos de Deus, sem ter a presunção de matar esse projeto com falsas expectativas ideológicas que nunca poderão substituir nossa natureza de homens e mulheres.



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sábado, 28 de junho de 2014

Aprender a vida a partir do jogo: sobre a copa mundial de futebol (por Joseph Ratzinger)

actualidadyanalisis.blogspot.com.br 


Aprender a vida a partir do jogo: sobre a copa mundial de futebol (por Joseph Ratzinger)

16 de junho de 2014

Entre a vasta variedade de temáticas abordadas pelo Cardeal Joseph Ratzinger se encontra também o fútebol ou, mais concretamente, os campeonatos mundiais de futebol. Foi em 1985  que se ocupou disto. O resultado foi recolhido  na época no livro «Suchen, was droben ist» («Buscar as coisas do alto»). 

Anos mais tarde, em 2008, o mesmo texto foi republicado – en espanhol– no livro «O resplendor de Deus em nosso tempo», de a editora Herder. As mentes brilhantes tem esse dom de aprofundar nos recôncavos do aparentemente óbvio e descobrir-nos o que nem todos conseguer ver em um segundo, terceiro e inclusive quarto momento. É este o caso. Como se pode advertir, o Cardeal Ratzinger prova –talvez sem pretendê-lo– que o futebol é uma realidade que pode ser tomada a sério: de forma amena, profunda e interessante. Adereços mais bem escassos na literatura esportiva. 

***

Com seu período de quatro anos, o Campeonato Mundial de Futebol demonstra ser um acontecimento que cativa centenas de milhões de pessoas. Não há quase nenhum outro acontecimento na terra que alcance uma repercusão de vastidão semelhante. O que demonstra que com isso está tocando-se algo radicalmente humano, e cabe se perguntar onde se encontra o fundamento deste poder em jogo.

O pessimista dirá que é o mesmo que na antiga Roma. O slogan das massas rezava 'panem et circenses', pão e circo. Pão e jogos são,  que mal nos pese, o conteúdo vital de uma sociedade decadente que não conhece mais, objetivos mais elevados. Mas mesmo quando se aceita  este julgamento, não seria de modo algum suficiente.

Caberia perguntar ainda: em que se baseia a fascinação do jogo como para que chegue a ocupar um lugar de igual importância que o pão? Com a vista posta na antiga Roma poderia responder  de novo que o grito de pão e circo é propriamente a expressão do desejo pela vida do paraíso, por uma vida de satisfação sem fadigas e de liberdade plenamente realizada. 

Com efeito, este é, em última instância, o conteúdo do conceito de jogo: uma tarefa de tudo livre, sem objetivo e sem obrigação, e uma tarefa que, também, é tensa e emprega todas as forças do ser humano.

Neste sentido, o jogo seria então uma sorte em  tentar o regresso ao paraíso: sair da escravizante seriedade da vida cotidiana e de seus cuidados pela vida para a seriedade livre do que não necessariamente tem que ser e que, justamente por isso, é belo. Frente a isso, o jogo transcende em certo sentido a vida cotidiana; mas, sobretudo no menino, tem ainda antes outro caráter: é um exercício para a vida, simboliza a vida  e, por dizer assim, a adianta em uma forma plasmada com liberdade.



Segundo meu parecer, a fascinação do futebol reside essencialmente porque reúne esses dois aspectos de forma muito convincente. Obriga o homem antes de tudo a se disciplinar, de modo que, pelo  treinamento, adquire a disposição sobre si mesmo, por tal disposição, superioridade, e pela superioridade, liberdade. 

Mas depois lhe ensina também a cooperação disciplinada: como jogo de equipe, o futebol o obriga a um ordenamento  próprio dentro do conjunto. Une através do objetivo comum; o êxito e o fracasso de cada um estão cifrados no êxito e no fracasso do conjunto. 

Finalmente, o futebol ensina um enfrentamento limpo em que a regra comum   que o jogo se submete segue sendo o que une e vincula ainda  na posição de adversários e, além disso, a liberdade do lúdico, quando se desenvolve corretamente, faz que a seriedade do enfrentamento torne a se resolver  e desemboque na liberdade da partida finalizada. 

Na qualidade de espectadores, os homens se identificam com o jogo e com os jogadores e, desse modo, participam da comunidade da própia equipe, do enfrentamento com o outro, assim como da seriedade e da liberdade do jogo: os jogadores passam a ser símbolos da própria vida. Isso  age retroativamente sobre eles: sabem, com efeito, que as pessoas se veem representadas e confirmadas a si mesmas neles.

Naturalmente, tudo isto pode se perverter  por um espírito comercial que submete tudo isso na sombria seriedade do dinheiro, e o jogo deixa de ser tal modo para transformar-se em uma indústria que suscita um mundo de aparência de dimensões horrorosas. Mas para esse  mundo de aparência não poderia subsistir se não existisse a base positiva que subjaz ao jogo: o exercício preparatório para a vida e a transcendência da vida para o paraíso perdido. Não obstante, em ambas as coisas há que buscar uma disciplina da liberdade; na vinculação à regra, exercitar a ação conjunta, o enfrentamento e o se valer  por si mesmo. Se considerarmos tudo isto, talvez pudéssemos aprender de novo a vida a partir do jogo. 

Com efeito: nele se faz visível algo fundamental: não só  de pão vive o homem; mais ainda: o mundo do pão é em definitivo só  o estado preliminar do propriamente humano, do mundo da liberdade. Mas a liberdade vive da regra, da disciplina que aprende o atuar conjunto e o correto enfrentamento, o ser independente do êxito exterior e da arbitrariedade, e desse modo chega a ser verdadeiramente livre. O jogo, uma vida: se aprofundamos, o fenômeno de um mundo entusiasmado pelo futebol poderá oferecer-nos mais que um mero entretenimento

http://actualidadyanalisis.blogspot.com.br/2014/06/aprender-la-vida-partir-del-juego-sobre.html

domingo, 15 de junho de 2014

Dove arrasa com um terno anúncio e as 28 cenas de tua vida que chamou o seu Papai. Nos perigos, nos medos, nas dores, nas dificuldades, nas ausências...

Dove arrasa con un tierno anuncio y las 28 escenas de tu vida en las que llamaste a tu Papá

ReligionenLibertad.com 

Continua a onda de  comerciais pró-família

Dove arrasa com um terno anúncio e as 28 cenas de tua vida   que chamou o seu Papai. 
Nos perigos, nos medos, nas dores, nas dificuldades, nas ausências...

ReL - 10 junho 2014 - religionenlibertad;com 

Dove se somou à avalanche de anúncios comerciais que têm a família, a paternidade e os filhos como fonte de emoções autênticas e valores positivos: aí está Hero e sua "loucura de ser padres", ou também a Coca Cola e a experiência de alguns pais de primeira mão, ou inclusive o McDonald´s e o transcorrer da vida entre dois nascimentos...

Em Estados Unidos, onde o Dia do Pai não se celebra na festividade de São José (19 de  março) mas o terceiro domingo de junho ( dia 15 este ano), as grandes companhias não deixam passar a ocasião para se promover no tempo que promovem também seus produtos vinculando-os à jornada. 

É o caso da citada marca de cosméticos, que aposta por regalar-nos até com 28  cenas da vida cotidiana (e nem todas infantis) marcadas pelas palavras Papai [Dad] ou Papi/Papito/Papaizinho [Daddy]. E não faz falta muito mais. "Por todas as vezes que responderam a nossa chamada", afirma o anúncio, "não é o momento de homenagear os Papais?".

http://videos.religionenlibertad.com/video/pzoNxuRdoQ/Por-todas-las-veces-que-llamaste-a-tu-Papa

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http://religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=36044

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Quando nos pomos à escuta da Revelação divina, da Palavra de Deus, para a acolher, então somos alcançados por uma mensagem que enche de luz e de esperança a nossa vida e somos deveras livres. Se estiver separada da verdade, a liberdade torna-se tragicamente princípio de destruição da harmonia interior da pessoa humana.

PAPA BENTO XVI
Catequese de Quarta-feira, 7 de Julho de 2010


João Duns Escoto
Amados irmãos e irmãs!

Esta manhã – depois de algumas catequeses sobre diversos grandes teólogos – desejo apresentar-vos outra figura importante na história da teologia: trata-se do beato João Duns Escoto, que viveu no final do século XIII. Uma antiga inscrição sobre o seu túmulo resume as coordenadas geográficas da sua biografia: "a Inglaterra acolheu-o; a França instruiu-o; Colônia, na Alemanha, conserva os seus despojos mortais; na Escócia ele nasceu". 

Não podemos descuidar estas informações, também porque temos muito poucas notícias sobre a vida de Duns Escoto. Ele nasceu provavelmente em 1266 numa aldeia que se chamava precisamente Duns, perto de Edimburgo. Atraído pelo carisma de São Francisco de Assis, entrou na Família dos Frades Menores, e em 1291 foi ordenado sacerdote. 

Dotado de uma inteligência brilhante e propensa à especulação – aquela inteligência pela qual a tradição lhe conferiu o título de Doctor subtilis, "Doutor subtil" – Duns Escoto foi orientado para os estudos de filosofia e de teologia nas célebres Universidades de Oxford e de Paris. 

Concluída com bom êxito a formação, empreendeu o ensino da teologia nas Universidades de Oxford e de Cambridge, e depois de Paris, começando a comentar, como todos os Mestres da época, as Sentenças de Pedro Lombardo. 
As obras principais de Duns Escoto representam precisamente o fruto maduro destas lições, e tomam o título dos lugares onde ele ensinou: Ordinatio (denominada, no passado, Opus Oxoniense – Oxford), Reportatio Cantabrigiensis (Cambridge), Reportata Parisiensia (Paris). A estas obras, pode ainda ser acrescentada a chamada Quodlibeta (ou Quaestiones Quodlibetales), uma obra de grande importância formada por 21 questões sobre vários temas teológicos. 

Afastou-se de Paris quando, tendo rebentado um grave conflito entre o rei Felipe IV o Belo e o Papa Bonifácio VIII Duns Escoto preferiu o exílio voluntário, para não assinar um documento hostil ao Sumo Pontífice, como o rei tinha imposto a todos os religiosos. Assim – por amor à Sé de Pedro – juntamente com os Frades franciscanos, abandonou o país.
Queridos irmãos e irmãs, este acontecimento convida-nos a recordar quantas vezes, na história da Igreja, os crentes encontraram hostilidades e até sofreram perseguições devido à sua fidelidade e devoção a Cristo, à Igreja e ao Papa. Todos nós olhamos com admiração para estes cristãos, que nos ensinam a guardar como um bem precioso a fé em Cristo e a comunhão com o Sucessor de Pedro e, assim, com a Igreja universal.

Contudo, as relações entre o rei da França e o sucessor de Bonifácio VIII depressa foram restabelecidas, e em 1305 Duns Escoto pôde regressar a Paris para ali ensinar teologia com o título de Magister regens, que hoje corresponderia a professor ordinário. Sucessivamente, os Superiores convidaram-no para Colônia como professor do Colégio teológico franciscano, mas ele faleceu a 8 de Novembro de 1308, com apenas 43 anos de idade, contudo deixando um número relevante de obras.

Devido à fama de santidade da qual gozava, o seu culto difundiu-se depressa na Ordem franciscana e o Venerável Papa João Paulo II quis proclamá-lo solenemente beato a 20 de Março de 1993, definindo-o "cantor do Verbo encarnado e defensor da Imaculada Conceição". Nesta expressão está sintetizada a grande contribuição que Duns Escoto ofereceu à história da teologia.

Antes de tudo, ele meditou sobre o Mistério da Encarnação e, ao contrário de muitos pensadores cristãos da época, afirmou que o Filho de Deus se teria feito homem mesmo se a humanidade não tivesse pecado. Ele afirma na "Reportata Parisiensia": "Pensar que Deus teria renunciado a esta obra se Adão não tivesse pecado seria totalmente irracional! Portanto, digo que a queda não foi a causa da predestinação de Cristo, e que – mesmo se ninguém tivesse pecado, nem o anjo nem o homem – nesta hipótese Cristo teria sido ainda predestinado do mesmo modo" (in III Sent., d. 7, 4). Este pensamento, talvez um pouco surpreendente, surge porque para Duns Escoto a Encarnação do Filho de Deus, projetada desde a eternidade por parte de Deus Pai no seu desígnio de amor, é cumprimento da criação, e torna possível que cada criatura, em Cristo e por meio dele, seja preenchida de graça, e preste louvor e glória a Deus na eternidade. Duns Escoto, apesar de estar consciente de que, na realidade, por causa do pecado original, Cristo nos remiu com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, reafirma que a Encarnação é a obra maior e mais bela de toda a história da salvação, e que ela não está condicionada por qualquer fato contingente, mas é a ideia original de Deus para unir finalmente toda a criação consigo mesmo na pessoa e na carne do Filho.

Discípulo fiel de São Francisco, Duns Escoto gostava de contemplar e pregar o Mistério da Paixão salvífica de Cristo, expressão da vontade de amor, do amor imenso de Deus, o Qual transmite com grandíssima generosidade para fora de si os raios da sua bondade e do seu amor (cf. Tractatus de primo principio, c. 4). 
E este amor não se revela só no Calvário, mas também na Santíssima Eucaristia, da qual Duns Escoto era devotíssimo e que via como o Sacramento da presença real de Jesus e como o Sacramento da unidade e da comunhão que conduz a amar-nos uns aos outros e a amar Deus como o Sumo Bem (cf. Reportata Parisiensia, in IV Sent.,d.8,q.1, n. 3). 
"E, – escrevia na Carta por ocasião do Congresso Internacional em Colónia no VII Centenário da morte do beato Duns Escoto, fazendo referência ao pensamento do nosso autor – como este amor, esta caridade foi o início de tudo, assim também só no amor e na caridade será a nossa bem-aventurança: «O querer ou a vontade amorosa é simplesmente a vida eterna, beata e perfeita»" (AAS 101 [2009], 5).

Queridos irmãos e irmãs, esta visão teológica, fortemente "cristocêntrica", predispõe-nos para a contemplação, admiração e gratidão: Cristo é o centro da história e da criação, é Aquele que dá sentido, dignidade e valor à nossa vida! Como o Papa Paulo VI em Manila, também eu hoje gostaria de bradar ao mundo: "[Cristo] é o revelador do Deus invisível, é o primogênito de cada criatura, é o fundamento de todas as coisas; Ele é o Mestre da humanidade, é o Redentor, Ele nasceu, morreu, ressuscitou para nós; Ele é o centro da história e do mundo; é Aquele que nos conhece e nos ama; é o companheiro e o amigo da nossa vida... Nunca terminaria de falar d'Ele" (Homilia, 29 de Novembro de 1970).

Não só o papel de Cristo na história da salvação, mas também o de Maria é objeto da reflexão do Doctor subtilis. Na época de Duns Escoto a maior parte dos teólogos fazia uma objeção, que parecia insuperável, à doutrina segundo a qual Maria Santíssima foi preservada do pecado original desde o primeiro momento da sua concepção: de fato, a universalidade da Redenção realizada por Cristo, à primeira vista, podia parecer comprometida por semelhante afirmação, como se Maria não tivesse precisado de Cristo e da sua redenção. Por isso os teólogos opunham-se a estes textos. Então, Duns Escoto, para fazer compreender esta preservação do pecado original, desenvolveu um tema que depois seria adotado também pelo beato Papa Pio IX em 1854, quando definiu solenemnete o dogma da Imaculada Conceição de Maria. E este argumento é o da "Redenção preventiva", segundo a qual a Imaculada Conceição representa a obra-prima da Redenção realizada por Cristo, porque precisamente o poder do seu amor e da sua mediação obteve que a Mãe fosse preservada do pecado original. Por conseguinte Maria é totalmente remida por Cristo, mas já antes da concepção. Os Franciscanos, seus irmãos de hábito, aceitaram e difundiram com entusiasmo esta doutrina, e outros teólogos – muitas vezes com juramento solene – comprometeram-se a difundi-la e a aperfeiçoá-la.

A este propósito, gostaria de ressaltar outro aspecto, que me parece importante. Teólogos de valor, como Duns Escoto acerca da doutrina sobre a Imaculada Conceição, enriqueceram com a sua contribuição específica de pensamento aquilo em que o Povo de Deus já acreditava espontaneamente sobre a Bem-Aventurada Virgem, e manifestava nos atos de piedade, nas expressões da arte e, em geral, na vivência cristã. 
Assim a fé quer na Imaculada Conceição, quer na Assunção corporal da Virgem já estava presente no Povo de Deus, mas a teologia ainda não tinha encontrado a chave para a interpretar na totalidade da doutrina da fé. Por conseguinte, o Povo de Deus precede os teólogos e tudo isto graças àquele sensus fidei sobrenatural, ou seja, àquela capacidade infundida pelo Espírito Santo, que habita e abraça a realidade da fé, com a humildade do coração e da mente. 
Neste sentido, o Povo de Deus é "magistério que precede", e que depois deve ser aprofundado e intelectualmente acolhido pela teologia. Que os teólogos possam pôr-se sempre à escuta desta nascente da fé e preservar a humildade e simplicidade dos pequeninos! Já recordei isto há alguns meses, dizendo: "Existem grandes doutos, grandes especialistas, grandes teólogos, grandes mestres da fé, que nos ensinaram muitas coisas. Penetraram nos pormenores da Sagrada Escritura... mas não puderam ver o próprio mistério, o verdadeiro núcleo... O essencial permaneceu escondido! Em contrapartida, no nosso tempo existem também os pequeninos que conheceram este mistério. 
Pensemos em santa Bernadete Soubirous; em santa Teresa de Lisieux, com a sua nova leitura "não científica" da Bíblia, mas que entra no coração da Sagrada Escritura" (Homilia na Missa celebrada com os Membros da Pontifícia Comissão Teológica Internacional, 1/12/2009, ed. em português de L'Osservatore Romano de 5/12/2009, p. 9).

Por fim, Duns Escoto desenvolveu um aspecto ao qual a modernidade é muito sensível. Trata-se do tema da liberdade e da sua relação com a vontade e com o intelecto. O nosso autor ressalta a liberdade como qualidade fundamental da vontade, iniciando uma orientação que valoriza sobretudo a esta última. Infelizmente, nos autores que vieram depois de Duns Escoto, esta linha de pensamento se desenvolveu em um voluntarismo em contraste com o chamado intelectualismo agostiniano e tomista. Para São Tomás de Aquino, que segue Santo Agostinho, a liberdade não pode considerar-se uma qualidade inata da vontade, mas o fruto da colaboração da vontade e do intelecto. Uma ideia da liberdade inata e absoluta – como justamente se desenvolveu sucessivamente a Duns Escoto – colocada na vontade que precede o intelecto, quer em Deus quer no homem, de fato, corre o risco de levar à ideia de um Deus que não estaria relacionado nem sequer com a verdade e com o bem. O desejo de salvar a absoluta transcendência e diversidade de Deus com uma acentuação tão radical e impenetrável da sua vontade não tem em consideração que o Deus que se revelou em Cristo é o Deus "logos", que agiu e age cheio de amor por nós. Certamente, o amor supera o conhecimento e é capaz de compreender cada vez mais o pensamento, mas é sempre o amor do Deus "logos" (cf. Bento XVI, Discurso em Regensburg, Insegnamenti di Benedetto XVI, II [2006], p. 261). 
Também no homem a ideia de liberdade absoluta, colocada na vontade, esquecendo o nexo com a verdade, ignora que a mesma liberdade deve ser libertada dos limites que lhe provêm do pecado. De qualquer modo, a visão escotista não caiu nestes extremos: para Duns Escoto um ato livre é fruto da afluência entre intelecto e a vontade e, se ele fala de um "primado" da vontade, o faz justamente porque argumenta que a vontade segue sempre o intelecto.

Falando aos seminaristas romanos no ano passado recordei que "a liberdade em todos os tempos foi o grande sonho da humanidade, desde o início, mas sobretudo na época moderna" (cf. Discurso ao Pontifício Seminário Maior Romano, 20 de Fevereiro de 2009). 
Contudo, precisamente a história moderna, além da nossa experiência quotidiana, ensina-nos que a liberdade só é autêntica, e só ajuda a construir uma civilização deveras humana, se estiver reconciliada com a verdade. Se estiver separada da verdade, a liberdade torna-se tragicamente princípio de destruição da harmonia interior da pessoa humana, fonte de prevaricação dos mais fortes e dos violentos, e causa de sofrimentos e de lutos. A liberdade, como todas as faculdades das quais o homem está dotado, cresce e aperfeiçoa-se, afirma Duns Escoto, quando o homem se abre a Deus, valorizando a disposição para a escuta da Sua voz: quando nos pomos à escuta da Revelação divina, da Palavra de Deus, para a acolher, então somos alcançados por uma mensagem que enche de luz e de esperança a nossa vida e somos deveras livres.

Amados irmãos e irmãs, o beato Duns Escoto ensina-nos que na nossa vida o essencial é crer que Deus está próximo de nós e nos ama em Jesus Cristo, e portanto, cultivar um amor profundo a Ele e à sua Igreja. Deste amor nós somos as testemunhas nesta terra. Maria Santíssima nos ajude a receber este amor infinito de Deus do qual gozaremos de modo pleno eternamente no Céu, quando enfim a nossa alma estiver para sempre em Deus, na comunhão dos santos.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A modelo que queria abortar para ser famosa se arrependeu no táxi a caminho da clínica e chorou.

ReligionenLibertad.com 

La modelo que quería abortar para ser famosa se arrepiente en el taxi camino de la clínica y llora
Josie Cunningham sentiu um  pontapé de um «punhado de células»

A modelo que queria abortar para ser famosa se arrependeu no táxi a caminho da clínica e chorou.
Josie Cunningham, com muita maquiagem e arrumações, na primeira entrevista em vídeo que deu ao Mirror.

Pablo J. Gines/ReL- 29 abril 2014-religionenlibertad.com  

Josie Cunningham, modelo inglesa de 23 anos, não tem realmente contribuído muito para o mundo da beleza e da arte, mas agora pode ser um marco na história da bioética midiática. 

Primeiro anunciou que queria abortar  seu bebê de 4 meses de gestação para entrar no Big Brother.

Despertou um grande escândalo, e agora anunciou entre lágrimas que se emocionou ao sentir seu primeiro pontapé, que  viu fotos de abortos, que entende  melhor agora em que consiste, e que não abortará.

Viciada em custos médicos desnecessários
Antes deste episódio, Josie se tornou famosa quando anunciou que tinha conseguido que o sistema de saúde pública lhe financiasse com 4.800 libras uma operação de aumento das mamas. Mostrou os abundantes resultados em abundantes fotos nos tabloides mais sensacionalistas. “Sempre me assediaram emocionalmente e sofri muito psiquicamente por ter mamas pequenas”, dizia. 

Também  retocou outras partes do corpo e começou a sair com alguns famosos ou  esportistas. Para o grande público, “uma petarda (pessoa chata e aborrecida)”: nem sequer era especialmente simpática.

Mas quando Josie, grávida de 4 meses, anunciou que ia abortar simplesmente para entrar na versão inglesa do programa televisivo “Big Brother”, se desencadeou uma tormenta midiática cheia de contradições, onde todos chamaram de hipócritas a quase todos. 

"Quero ser famosa, estou pouco ligando com o que dizem"
Josie presumia do que faria com fama e dinheiro: “Quero dirigir um brilhante Range Rover rosa e comprar  uma casa gigante. Nada se interporá em meu caminho”. Também dizia que pensava em abortar porque era sua decisão para a fama, não por necessitar dinheiro imediato porque “de fato, com as fotos do bebê já teria dinheiro”. E como não se sabe quem é o pai, as especulações sobre tal ou qual famoso… 

Inclusive quando o Big Brother, ao ver o escândalo público, anunciou que não a aceitaria no programa nem  que abortasse, ela se reafirmou em sua decisão repetindo que “ninguém pode influenciar a mim, não me importa o que as pessoas digam”.

A lei permite o aborto "porque sim"
A lei inglesa de 1990 aprovada por Margaret Thatcher basicamente permite o aborto livre até o parto  utilizando o filtro do “risco para a saúde mental” da mãe, mesmo na teoria se supõe que o aborto não é legal passadas as 24 semanas. Até as 24 semanas se aborta  sem especificar uma causa.

Sabem que é matar, mas não se importam
A sensação pública na descristianizada Inglaterra é que o aborto é algo que é mal mas deve ser legal, na teoria, porque é necessário por razões “graves”. 

Em uma sondagem de 2013 (que detalhávamos aqui na ReL)   44% dos aposentados admitia que "o ponto em que se inicia a vida humana" é na concepção, mas só    7% dos ingleses proibiria todos os abortos. 

Mas quando uma aspirante a viver da fama anunciou que queria abortar para entrar no Big Brother, muitos “pró-escolha” a condenaram em público: “Eu sou pró-escolha mas isso me parece uma barbaridade”.

Colunistas, famosos e articulistas que nunca tinham condenado nem protestado contra o aborto se apressaram em chamá-la de irresponsável, de frívola…

Querer ser famosa não é uma ”razão grave” para abortar.

Mas o certo é que a lei inglesa não pede razões graves.

Tremem os abortistas "hard"
Os abortistas de linha dura se assustaram ao ver que os de linha branda criticavam  Josie por buscar um aborto por razões frívolas.  Acaso não é o aborto um direito e ponto? Não deve abortar a mulher porque quer, porque é legal, sem ter que dar nenhuma razão? 

Começa se buscando razões sérias para abortar e se acaba proibindo o aborto, vinham a raciocinar, espantadas, personalidades abortistas como Catherine Scott no 'The Telegraph'.

Outro exemplo paradigmático desta linha dura foi o colunista Martin Robbins em sua seção “O cientista leigo” do muito abortista diário 'The Guardian'. Repetiu mil vezes que o aborto é um direito, recordou que muitas mulheres abortam porque laboralmente lhes convém (algo que ele louva), chamou de hipócritas  quem considerava que a busca da fama de Josie não fosse outro trabaljo a mais e especialmente se indignou de que jornais popularescos e inclusive liberais e progressistas de repente chamavam “bebê” e “criança” o que ele não considera mais que um amontoado celular. 

“The Mirror, abandonando suas credenciais liberais, descreve o aborto de um punhado de células como uma decisão de vida ou morte”, protesta Robbins, indignadíssimo. 

E então, o “punhado de células” de 4 meses deu um pontapé em sua mamãe. 

Pontapezinhos e fotos de abortos
Não é que Josie não soubesse o que eram os chutes de bebês: já tinha tido dois filhos. Mas algo se ativou dentro de Josie com este primeiro chute de seu terceiro bebê.

E decidiu não abortar.

"Realmente pensei que ia ser capaz, mas não pude. Tinha sentido o bebê chutar pela primeira vez 24 horas antes e não pude tirar essa sensação da cabeça", disse, chorando, a modelo que queria ir ao programa de televisão ´Big Brother´, agora já com 18 semanas. 

"Simplesmente não podia fazê-lo", declarou Josie ao 'Sunday Mirror' (pode ver suas declarações em vídeo ao jornal inglês AQUI). 

Josie detalhou que se dirigia ao abortório quando a assaltaram todas as dúvidas. 

"Eu estava no táxi a caminho da clínica e me senti fisicamente enferma", disse Cunningham. "Quando o taxista me disse que estávamos a um minuto, me pus  a chorar. Quis  lançar-me fora do carro em marcha, e escapar. Tinha minhas mãos na barriga e tive uma sensação muito forte: não podia permitir que ninguém  levasse o meu bebê!”.

Segundo o diário inglês, foi influenciada no seu caso o ter visto fotos de fetos humanos abortados de 18 e 19 semanas de gestação, que muita gente lhe havia enviado para sua conta do Twitter.

“Tive muitos tuítes de gente dizendo-me que olhasse essas imagens de fetos de 18 e 19 semanas e que compreendesse o que ia  fazer”, conta Josie. 

“Enquanto estava deitada acordada, antes da data,  fiquei arrasada”, considera Josie. “Creio que ignorava os fatos, tudo o que está implicado no procedimento”. 

E finaliza com um bom propósito: “Eu decidi  ser uma boa mãe   como com meus outros filhos”, assegura.

Um fruto da oração?
O portal de notícias pró-vida 'LifeSiteNews' publicou que quando Josie anunciou seu desejo de abortar muitos leitores criaram cadeias de oração para que não acontecesse. Os católicos usavam, por exemplo, uma oração atribuída ao defunto arcebispo Fulton Sheen: “Jesus, Maria e José, os amamos muito! Nós suplicamos salvar a vida de N., a quem temos adotado espiritualmente e que está em perigo de ser abortado. Amém.”

Agora  vamos ver o que dizem os abortistas de linha dura, os que pedem que se respeite o aborto “sem causa”… pelo geral, só pedindo que se considere que  seguir com uma gravidez tampouco tem “causa”: não  gostam de falar de chutes na barriga.

Enquanto os abortistas de linha branda, os de “sou pró-escolha mas…”, que foram criticados pelos de linha dura, terão que rever seus limites. Apoiam uma lei que permite abortar sem causa alguma, só  por razões frívolas? 

O que resta do slogan clássico das abortistas de “ninguém aborta por gosto” ou “somos adultas e responsáveis e decidimos”?

Josie Cunningham  pôs a pensar a muita gente que não costumava pensar...


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